Opinião de Madeirense

Comentário de um Madeirense neste Blog

"É pena que as pessoas do Norte, do Alentejo ou do Centro não se unam em torno da sua região, para que cada uma destas regiões possa ser mais dinâmica no contexto do territorio nacional.

O sucesso por exemplo, da Madeira, teve a ver com a autonomia, parlamento proprio e governo proprio, caso contrario seriamos mais uns "gajos de terrinha" a ver as noticias da megalomania lisboeta.

Porque falhou a regionalização no continente? Eis a minha pergunta... parece-me que a ideia geral dos "tugas" é ser todos contra Lisboa, mas nao fazemos nada para que o mapa se altere. Isso irrita-me solenemente, parece que no fundo, todos queremos a nossa terra e depois somos vassalos da Lisboa cosmopolita, enquanto o resto, continua a ser paisagem..."

Comentários

Jorge Reis disse…
Pois é, esttá dificil ultrapassar esta situação. Mas este é um processo que tem que partir de baixo, tem que ser as pessoas a interiorizarem esta necessidade.
A. Castanho disse…
É muito errado pensar que a Regionalização é um processo que tem como objectivo antagonizar ou diminuir Lisboa.

A Área Metropolitana de Lisboa é talvez aquela onde primeiro se deveria implementar o Poder Autárquico Regional!

É muito mais grave para os habitantes da Grande Lisboa, ou do Grande Porto, a inexistência de órgãos de poder legítimos responsáveis pela resolução dos seus problemas regionais, do que na Beira, no Minho, ou até no Algarve!

A explicação é óbvia e muito fácil de compreender: nos meios rurais, de um modo geral, existe uma maior ligação à sua terra do que nas grandes metrópoles. Isto é, um cidadão de uma aldeia, vila ou cidade média, vive preocupado com os problemas da sua casa, em primeiro lugar, da sua terra, em segundo, e finalmente do seu País, da Europa e do Mundo. E todos esses níveis de preocupação (excepção feita, por enquanto, ao nosso Planetazinho...) TÊM UMA EXPRESSÃO DEMOCRÁTICA DE "GOVERNO" - desde a administração do condomínio à Comissão Europeia!

Ao contrário, um cidadão da A. M. L. ou da A. M. P., para além destas mesmas preocupações, tem ainda OUTRAS GRANDES QUESTÕES por resolver, que vão desde os lixos aos hospitais, passando pelo trânsito, os transportes, ou o estacionamento, que NÃO TÊM NENHUM ÓRGÃO DE PODER que zele pela sua resolução!

Isto é, estes problemas são inexistentes ou fáceis de resolver nos meios pequenos, onde o poder municipal chega para a sua dimensão, mas tornam-se excessivos numa Metrópole, onde por exemplo as linhas de Metro abrangem vários Concelhos, as vias rápidas saltam por cima das fronteiras municipais como se elas não existissem, a poluição duma fábrica ou duma pedreira não repeitam os limites administrativos da autoridade que as licencia ou fiscaliza e por aí adiante.

Basta pensar que a maior parte das pessoas que vivem nos subúrbios do Porto ou de Lisboa trabalham, passam, divertem-se, aprendem ou compram, todos os dias, em vários Concelhos diferentes daqueles para onde têm oportunidade, de quatro em quatro anos, de decidir alguma coisa.

O que no interior também acontece, mas indiscutivelmente não com esta dimensão!

Há talvez casos intermédios, como os do Litoral Norte, ou do Algarve, mas o facto é que, para um alentejano, um trasmontano, ou mesmo um ribatejano não é (ainda) evidente a necessidade de implementar a Regionalização.

Daí que eu defenda, até por uma questão de aprendizagem e operacionalização, que a "instituição em concreto" das Regiões Administrativas possa fazer-se faseadamente, a começar, ora bem, por onde são mais necessárias: Grande Lisboa, Grande Porto, Algarve e assim por diante...

Sem prejuízo da prévia definição de um mapa geral (que para mim NÃO é sequer o mais relevante!) e duma definição consensual dos três aspectos essenciais desta questão, a saber (por ordem de importância): as competências, os recursos e os órgãos que devem ser próprios do Poder Regional!
SaLoMiPe disse…
É interessante verificar que as vivências de um Madeirense se podem tornar num exemplo sério e honesto, do ponto de vista intelectual, para o grande desafio que há a colocar aos Lisboetas: descubram qual a relação custo/benefício para a AML se o modelo fôr regional... E talvez verifiquem que é em Lisboa que mais benefícios se induzirão!
A. Castanho disse…
Não vejo as coisas desse modo. Se vai haver benefícios, então não há que hesitar. Mas esses benefícios devem ser endógenos, isto é, não vão ser "retirados" às outras Regiões, que também terão os seus (maiores ou menores, o que interessa é que sejam benefícios)!

E não nos esqueçamos de que a Regionalização, não implicando menos responsabilização do Estado pelo todo nacional, não tem que prejudicar em nada a manutenção da solidariedade para com a insularidade e a interioridade!

Só que em moldes MAIS TRANSPARENTES. Não omita, caro madeirense (e eu também trabalhei já para a CM do Funchal...), que os contribuintes da AML são os portugueses que mais financiam, per capita, tudo isso com os seus impostos...