A divisão do país em 18 distritos - criados em 1835 e fixados pelo Código de Passos Manuel, em 1836 - é considerada como a divisão mais artificial feita até hoje em Portugal. Concebidos para serem uma réplica do département francês, nunca tiveram a importância que a França reservou ao département e ao seu Préfet. No entanto, mantiveram-se até hoje, com as grandes vias férreas e rodoviárias a serem estruturadas de acordo com as ligações à capital de cada um deles.As razões que terão sido responsáveis pela sua preservação serão mais políticas que administrativas: os distritos coincidem com os círculos eleitorais, o que implicou um peso de caciquismo e de clientelismo eleitoral que nunca seria ultrapassado. Aliás, a implantação distrital dos partidos terá sido um dos óbices fundamentais à regionalização, já que esta desestabilizaria o percurso dos quadros partidários ancorados no núcleo distrital, destinado a desaparecer uma vez consumada a regionalização.
Já Freitas Amaral refuta claramente a afirmação, tantas vezes repetida, de que Portugal não tem qualquer tradição regional, e teria apenas uma tradição municipalista. "Não é verdade. Pelo menos desde Dom Dinis (1299), sempre houve uma divisão do continente em regiões, uma vez chamadas "comarcas", outras vezes "províncias", e no séc. XIX, por espírito de compromisso, "distritos"[...]"Sempre tivemos, portanto, entidades administrativas supra-municipais. O que variou foi a sua natureza: em certos períodos, quando havia liberdade e descentralização, eram autarquias locais, com os seus dirigentes eleitos pelas populações; noutros períodos, quando havia ditadura ou política fortemente centralizadora, eram meras circunscrições do Estado chefiadas por agentes de confiança nomeados pelo Governo central"
Comentários
Não são pequenas batalhas regionais...mas o acertar de algumas "agulhas" entre regionalistas. Sem esse percurso não é possível definir estratégias mais abrangentes! Venha lá mais uma "bicada".
Ao A. Felizes
Isto é que se chama tirar a palavra da boca. Já tinha reparado que andam por aqui algumas ideias (confusões?) entre Municipalismo, Provincias, Distritos e Regionalização. Exactamente o tema sobre o qual estou a escrever. Só espero não vir a levantar mais polémicas... que não nos levem a nada!
Estamos aqui para agitar tudo que esteja relacionado com esta problemática.
Um abraço,
Respeitar a tradição é bonito, mas limitar-se a macaqueá-la ad aeternum é morrer...
Desde o tempo da ditadura passando pelos finais dos anos 70 e inicios dos anos 80 em que as tentativas de distritalização do Oeste foram mais acentuadas até aos dias de hoje a artificialidade do distrito foi sempre "combativa" pela natural tendência da população oestina que quer se goste ou não se goste é ao fim e ao cabo a delimitação geográfica com a qual os portugueses ainda mais se identifição, as províncias.
Quanto a mim ficaria bem uma Região que substituísse a actual LVT e que, a esta, subtraísse a AML e incluísse apenas o Ribatejo e o Oeste, ou Estremadura, não vos parece?
Poderia chamar-se Região Ribatejo e Oeste, com capital em Santarém e delegações sub-regionais em Tomar e nas Caldas da Raínha.