REGIÃO NORTE - Perspectivas

As nossas responsabilidades locais e regionais são actualmente muito maiores que no passado, na medida em que a Região Norte atravessa talvez o periodo mais problemático de que há memória. Esta região tem dos piores indicadores económicos, sociais e humanos do país e da Europa.As indústrias tradicionais, base da economia regional, tais como o calçado, os têxteis e as confecções, que até agora sustentavam milhares de famílias, despejam no desemprego milhares de trabalhadores que não encontram alternativa num mercado inadaptado aos enormes desafios provocados pela globalização da economia e liberalização das trocas comerciais. Como consequência, o norte é a região mais pobre do país e uma das mais pobres da Europa ( quarta ).

Os desafios são enormes. O governo do PS está com maioria absoluta no Parlamento e vai dispôr, nos próximos seis anos, de verbas avultadísssimas do QREN para o desenvolvimento regional, para infra-estruturas e para a qualificação profissional. Será uma oprtunidade única para a região e para o país. Ninguém nos perdoará se esta oportunidade for desbaratada. O PS seria fortemente penalizado.

O PS tem que continuar com a política de reformas, nomeadamente com a Reforma da Administração Pública e com a Regionalização. Uma e outra estão interligadas e são fundamentais para o êxito ou insucesso do governo e do país. Não podemos adiar. O País não suportaria. O nosso povo não merece.

Publicado no "VIMARAPERES-PORTO"

Comentários

David Oliveira disse…
Eu sou um dos que têm muitas razões (do mais variado tipo) para ser descrente quanto aos benefícios efectivos que um processo regionalizador pode trazer ao país. Disse país! ( não disse, não me refiro em concreto a esta ou aquela região específica e de acordo com os interesses particulares de cada um). Ora bem ...nessa medida (à semelhança do que já disse ao Júlio do Apaniguado- http://apaniguado. blogspot.com/) sou um dos que gostava que me convencessem das virtudes e não só (concretamente em relação á região Norte) porque não sendo nado lá - Régua - é lá que aqui, em Portugal, assentei as minhas raízes por 21 anos - a verdade é que cá - em Portugal - me interessa tudo o que respeita a Alto-Douro, Trás-os -Montes e Nordeste trasmontano...esclareça-se para que não subsistam dúvidas ...sendo assim pode ceder-me (se qualquer intenção de ironia, sarcasmo ou gozo)o que ganhariam, como, quanto, porquê, essas sub-regiões, zonas como as queiram designar em relação ao enorme pólo de atracção que a região metropolitana do Porto já hoje tem ( e aqui afloram sempre as suspeitas que os "colonizados" do Porto hoje têm em relação aos "colonialistas" de Lisboa e da Linha...): tenho muitas reservas quanto à bondade da vanguarda metropolitana em relação aos plebeus das regiões de que falo. Suspeito mesmo que uma das intenções (não confessada) não é outra senão a conquista da carta de alforria em Lisboa e na constituição de um novo equilíbrio de forças e de poderes administrativos, legais e políticos em que deixarão esses de ser plebeus mantendo todos os outros nessa condição de menoridade e lá virá o discurso da subsidariedade, ....
António Alves disse…
caro david oliveira,

no anterior referendo era proposta uma região administrativa para a região do douro e trás-os-montes distinta da outra região a norte: entre-minho-e-douro. como era distinta não estaria subordinada a uma região norte que diz será dominada pelo Porto. explique-me lá porque razão tal proposta foi esmagadoramente rejeitada pelos trasmontanos? um bocadinho de coerência dava jeito. porque este alinhavar de razões do tipo "se não é do cú é das calças" ou "se não é das calças é do cú" já cansa. a mim parece-me mais dependência mental das ideias veiculadas pelos orgãos de informação ao serviço do centralismo que outra coisa. chamo a isso uma espécie de "benfiquismo bacoco". gente que é benfiquista mesmo sem saber bem porquê e nunca na vida ter posto os pés no estádio da luz. são benfiquistas só porque a televisão lhes diz muitas vezes para o serem.
Anónimo disse…
Desculpem a intromissão no vosso diálogo.
Aqui se prova o que está por detrás da regionalização em alguns: Pouca substância e muito paroquialismo promíscuo com clubite. E porque hão de ser "portistas" os transmontanos? Porque o centro da eventual nova região o ordenará? Porque os Portos Canais assim o publicitarão? Chamo a isso "Portismo bacoco".
Anónimo disse…
Toda a gente sabe que em 1998 a clara maioria votou não por pura rejeição - e uma grande parte, por pura ignorância, rejeitou também a regionalização em si mesma.

Só uma minoria da população da "elite" mais informada sobre o assunto a rejeitou por causa do mapa das 8 regiões.

Alguém acredita que a larga maioria do Povo de Trás-os-Montes, assim como da maioria do país naquela altura estava pormenorizada e culturalmente informado sobre os 2 (ou eventualmente mais) mapas em questão?
A quem querem "enganar"?
Pessoalmente sou adepto de um modelo regionalista do tipo 5 + 2 em que as Areas Metropolitanas do Porto e Lisboa assumam também competências alargadas no novo ordenamento administrativo.

No interior das regiões preconizo uma distribuição policentrada das diferentes entidades administrativas, por forma a evitar novas formas de centralismo, desta feita regionais, mas mesmo assim pouco saudáveis.
David Oliveira disse…
mas passemos além da sua agressividade desnecessária aliás e ou sou muito burro, ou não sei ler, ou estou desatento ou ...acontece que tem de me dar as razões ( se acha que vale a pena não é obrigação) para eu como reguense/alto duriense não ter suspeitas das boas intenções e da autenticidade e das virtualidades da proposta regionalizadora mais no Porto que a que temos agora com a força centripeta de Lisboa. Foi isso que perguntei!( mas por mim Sr. António não se amofine ...não vale a pena porque eu valho apenas um votito, tenho uma base de dados - conhecimentos - muita restrita, muito pequena mesmo por opção e a influência do meu blogue é nenhuma ...como eu digo é apenas e só a minha mesa de café. Obrigado
David Oliveira
A. Castanho disse…
Caro David Oliveira,


a sua questão é pertinente, mas penso que está bem respondida neste blogue.


No entanto, para não perder tempo "à cata", tentarei ainda hoje publicar um artigo sintético sobre este assunto.


Cumprimentos,


Ant.º das Neves castanho.
Anónimo disse…
Portanto, deduzo que lisboetas e benfiquistas, não podem votar no próximo referendo. Bem pensado.
No entanto, quero recordar que futebol e política, são coisas bem distintas. Veja-se o caso do Norte. Tão rico em futebol... e é a região mais pobre do país.
Não sou por 5+2. Sou por 5. Claro que as metrópoles terão sempre o seu peso de Sub-região forte. Mas dentro das respectivas regiões.
A. Castanho disse…
Não creio. As chamadas metrópoles concentrarão todos os esforços das respectivas Regiões, dada a sua magnitude.


Os problemas concretos da generalidade das Regiões portuguesas são bastante diferentes nas duas metrópoles, pelo que faz todo o sentido a solução 5 + 2.


Até por razões de equilíbrio populacional e económico. Ou alguém acredita que uma Região Norte, com o Porto, e uma Região de Lisboa (com o apêndice Vale do Tejo) serão comparáveis às restantes?