Sendo ponto cardeal, por que razão o Norte não só perdeu o norte como anda em desnorte e colateralidade? Onde estão Portus Cale, o Berço, a Língua? O que o faz passivo, manso, abúlico e anestesiado? Onde estão os provincianos – primeiros-ministros, ministros, deputados e afins – que foram morar para Lisboa ou que permanecem aqui como seus mandatários?Cada vez mais, o País é macrocéfalo. E de tanta macrocefalia, um destes dias, arrisca-se a não só não ter somente cabeça, como, a mantê-la, não a suportar, de tão grande e pesada. Um País pendurado de Lisboa. E tudo isto é ainda mais incompreensível e estranho, quando damos conta de que os maiores empresários são do Norte. Como era saudável para Lisboa, a abarrotar, e para o País, depauperado e desigual, haver um corpo nacional equilibrado. Com excepção dos cabeçudos, não vejo quem se possa opor a esta terapia.
Na falta de uma Regionalização, sustentada mais por cidadãos e menos por partidos, era importante a criação de um Movimento e de um rosto que fossem a voz e a face do Norte. A experiência recente diz-nos que a maioria dos autarcas, além de estarem atados às coutadas partidárias, estão mais interessados em olhar para o seu umbigo do que para a Região.
O Norte não é pobre como o poder central nos quer fazer crer, para justificar e justificar-se do seu atraso. A sua riqueza é, sim, esbulhada sem qualquer retorno. Não é a existência de água mineral (mais cara do que a gasolina) – de Bem Saúde, agora Frize, das Pedras Salgadas e de Vidago – que nos mata a sede. E que mais e melhor luz nos traz o facto de o maior número de barragens se localizar na bacia hidrográfica do Douro? E trouxe mais humanidade para as gentes durienses a eleição do Douro como Património Mundial da Humanidade? E que fica do vinho – generoso e de consumo – das serras surribadas e do turismo, senão embriaguez para tudo esquecer? E que solidez para a Região a exploração dos seus granitos? E das grandes superfícies, além do emprego, que benefício fica na Região? Se dez por cento da riqueza criada na Região ficasse no Norte para o seu desenvolvimento, não só a realidade seria diferente como os políticos deixariam de poder vir aqui a darem-nos auto-estradas como se nos estivessem a fazer algum favor.
E como se tudo isto não chegasse, fecham linhas de comboio, correios, urgências, escolas, maternidades e o que mais se verá. Manifestações? As populações, diz o teimoso do ministro Correia de Campos (CC) a imitar o seu primeiro, ainda não compreenderam os benefícios de tudo fechar! O problema está na mensagem: ainda não conseguimos, reage CC às recentes mortes nas urgências, resolver o problema... da mensagem. Não estará o governo, através de CC, a passar um atestado de asnos a toda a gente?
Terminamos, realçando a ideia acima avançada: a necessidade de criação de um Movimento empenhado em inverter a crescente depauperação do Norte, principalmente do seu interior, e em aproximar-nos económica e culturalmente da Galiza, com respeito pelo todo nacional, pois o contrário seria dar razão àqueles que querem manter a situação como está. Sem magnetismo social, o Norte não se encontra.
No "Ágora"
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Comentários
Atentamente,
Gonçalo Mendes da Maia
Que haja uma certa raiva pelas nossas dificuldades que poderiam bem ter sido evitadas não fosse a má governação daqueles que contribuiram para a dira centralização e que curiosamente agora querem sacudir a água do capote propondo a regionalização para ir desbaratar Portugal noutros órgãos, tudo bem.
Também eu que me oponho à regionalização sinto essa frustação por terem governado mal e desbaratado dinheiros públicos.
Ai de nós, e este post reflecte-o bem, se a regionalização fosse implementada com os mesmos a fazerem os mesmos disparates,
Haja bom senso.
Cumprimentos
Os Nortenhos à excepção do Grande Porto, votaram, em 1998, esmagadoramente contra a Regionalização. Que mais não fosse, por este facto, tenho que estar de acordo consigo.
Cumprimentos,
Esta sua cruzada anti-regionalista, definitivamente, está condenada ao fracasso. Em cada dia que passa, mais pessoas entendem que o actual modelo administrativo (centralista) já não consegue servir, convenientemente, os interesses das populações.
A criação de instituições que, democraticamente, administrem o território numa escala supra municipal é inevitável. A população, mais tarde ou mais cedo, vai exigi-lo.
Se esta reforma tiver um suporte legal adequado, contribuirá, de uma forma decisiva, para a diminuição da despesa pública. Ou seja o desmantelamento de muita da actual administração desconcentrada de base distrital, dos governos civis distritais, das actuais CCDRs, de alguns institutos públicos e a utilização do quadro de mobilidade irão compensar largamente os lugares políticos necessários ao funcionamento da administração regional.
Visto nesta perspectiva, esta é uma reforma, com a qual, todos os portugueses ficam a ganhar.
Cumprimentos,
Depois do que escrevi acima, agora vou-lhe transmitir algo que provavelmente o surpreenderá, mas nessa regionalização, até eu que sou do Porto votei contra (logo, também assumo a minha quota parte de culpa).
Contudo, criar monstrinhos regionais, praticamente sem poderes nenhuns, para apenas aumentar o monstro central, não me atrai minimamente.
Eu acredito em algo como a "Camaralização", ou seja, dar mais poderes às "Câmaras Municipais" e acabar com todos os outros organismos de controle intermédio, como governos civis e afins, ou seja, acabar com o monstro.
Isso e substituir o actual sistema político, por um nominal, em que os deputados tenham de ser oriundos da terra por onde são eleitos, reportando directamente ao povo que os elegeu e não a um aparelho partidário sinistro que nem sequer os deixa abrir a boca, sem o aval do líder parlamentar (para depois não haver deputados a representar terras nas quais nunca antes puseram os pés).
Em suma, o retalhar do País numas Regiões Autónomas mais leves, ou nuns Distritos ou Grandes Areas Metropolitanas mais pesadas. No fundo, aplicar o tal conceito de «Empowerment» de que tanto falam os anglófilos, aos municípios ou distritos (dependendo da massa crítica).
Creio que só assim, os interesses de todos os Portugueses seriam verdadeiramente defendidos.
E nessa base, tenho sérias dúvidas que algum cidadão do País, fora de Lisboa, votasse contra.
Atentamente,
Gonçalo Mendes da Maia
P.S. - Com as novas tecnologias que existem hoje, uma aparelho de estado gigantesco e burocrático, não faz o mínimo sentido. O Estado Português devia adoptar o modelo ultra-leve de centralização das multinacionais estrangeiras ou, sendo mais nacionalista, duma SONAE, por exemplo, que tendo mais de 50000 funcionários em todo o mundo, aposta na delegação de poderes e apenas se preocupa com a consolidação das contas, através dum apertado controlo de gestão da "casa-mãe", alicerçado em tecnologias da Informação e numa estrutura administrativa infinitamente pequena quando comparada com o numero total de funcionários, mas bastante complexa e eficaz. É preciso é estar disposto a mudar velhos hábitos, alguns deles centenares.
Desafio-o para um debate nacional sobre a REGIONALIZAÇÃO EM PORTUGAL, por iniciativa dos que debatem esta questão na Blogosfera, mas com toda a abrangência possível à sociedade.
O local do debate seria no "Centro" do país (Coimbra, Leiria, Tomar e até podia ser em Viseu, Castelo Branco ou Guarda)
O António Felizes convida 2 pessoas da sua causa e eu 2 pessoas da minha causa para a mesa e respectivas intervenções de abertura do debate.
Condição única: nenhuma delas deve estar comprometida com partidos.
Concedo-lhe a organização e mobilização da imprensa.
A abrir o debate V.(ou alguém que nomear) tem cinco minutos e eu (ou alguém que eu nomear) tem outros cinco minutos.
Não há dinheiro para ninguém. Todos participam por sua conta e custas.
Sugiro que seja na segunda semana de Abril deste ano.
Só me disponibilizo para pagar 50% das despesas com a sala a definir, se for caso disso.
Vai recusar?
Um Abraço
Caro António Felizes,
Faço-lhe um desafio:
A realização de um debate sobre a REGIONALIZAÇÂO EM PORTUGAL, por iniciativa dos que na BLOGOSFERA debatem este tema.
Concedo-lhe a iniciativa da organização desse debate e sugiro que o local seja no "Centro" do país (Coimbra, Leiria, Tomar, até pode ser mesmo em Viseu).
O António Felizes convida dois intervenientes de sua escolha. Eu convido dois de minha escolha.
Pelos vistos o Gonçalo Mendes pertence ao grupo dos desnorteados do José Silva.
É caso para dizer, a culpa dessa cruzeta, é inteiramente dos nortenhos, principalmente dos desnorteados.
Até o Miguel Relvas se deve rir disto.
“os deputados tenham de ser oriundos da terra por onde são eleitos”
O problema nem é os governantes não serem do “norte”, o problema é que nós, ou pelo menos eu, quero governantes do norte NO norte, e não governates do norte em Lisboa. Diga-se que o poder nunca daqui devia ter saído, e se saiu foi também muito por culpa dos Gonçalo Mendes, e falo dos originais.
Quanto à necessidade de descentralização para os municípios de algumas competências nas áreas da saude, educação, ambiente etc., estamos de acordo.
Agora pensar que este reforço de competências para os municípios, por si só, seria suficiente para combater o actual centralismo é pura ilusão.
Existe um enorme espaço vazio de poder entre o patamar administrativo central e o municipal. Nesta terra de ninguém (em termos de representatividade democrática), existe um vastíssimo leque de competências - economia, transportes, vias comunicação, ordenamento etc - em que a escala regional é, sem sombra de dúvida, a melhor para assumir este tipo de funções.
Por esta via veríamos, também, resolvidos os problemas de representatividade central (AR) que evoca. Pois com a legitimação democrática e efectivação dos poderes regionais, poderíamos, muito bem, diminuir o nº de deputados na Assembleia da República, que passariam a ser, somente, deputados da república sem qualquer conexão com a sua origem.
Cumprimentos,
Felicito a sua iniciativa para um debate sobre qual o melhor modelo politico-administrativo para o futuro do País.
Desde já aceito o seu desafio, mas, como estou envolvido na organização de outros debates e conferências sobre esta temática, não me posso, desde já comprometer com datas. Assim, preciso que me dê mais algum tempo para poder "encaixar" este seu debate.
Neste sentido, agradecia que me enviasse os seus contactos para
afelizes@gmail.com
por forma a darmos seguimento a esta sua iniciativa.
Cumprimentos,
Em curso, uma iniciativa de envergadura da concorrência confrarial, mas é só para eles.
Anónimo pró-7RA. (sempre com ponto final)
contra factos não há argumentos
PARA OS ANTI-REGIONALIZAÇÃO:
Poder de Compra per capita
Alto Trás-os-Montes: 56,9
Beira Interior Norte: 66,1
Grande Porto: 130,7
Grande Lisboa: 176,3
Taxa de Analfabetismo
Alto Trás-os-Montes: 15,8 %
Grande Lisboa: 5,2 %
MÉDIA NACIONAL: 8,5 %
MÉDIA UE: 5,1 %
Estónia: 1,2 %
Taxa de Mortalidade Infantil:
Alto Trás-os-Montes: 8,1
Grande Lisboa: 5,8
Índice de Envelhecimento:
Beira Interior Sul: 223,7
Grande Lisboa: 104,6
Variação da População (1991-2001)
Península de Setúbal: +11,6%
Pinhal Interior Sul: -11,8%
Médicos/ 1000 habitantes:
Pinhal Interior Norte: 0,8
Grande Lisboa: 6,1
SERÁ O MESMO PAÍS??? INFELIZMENTE, É...
PARA OS PRÓ 5 REGIÕES ou 5+2
NUT II: Centro
Índice de Poder de Compra Concelhio
Penamacor (Beira Interior)- 43,1
Covilhã (Beira Interior)- 76,2
Coimbra (Beira Litoral)- 137,0
MESMA REGIÃO????
Índice de Envelhecimento (Nut III)
Alto Trás-os-Montes- 141,4
Grande Porto- 72,2
MESMA REGIÃO????
(Dados INE/2001)
Como estes dados, ainda há muito mais...
Para reflectir e debater urgentemente,
Anónimo (Beira Interior), pelas 7RA, mas principalmente pela REGIONALIZAÇÃO EM PORTUGAL
É isto que quer para o seu país, sr. Lidador???
Anónimo, Paços de Ferreira
Os dados que refere são impressionantes e envergonhas o País.
O que me parece ser diferente da questão pro ou contra regionalização.
Há muitas pessoas contra a regionalização que se escandalizam e que querem contribuir DE FACTO para que as coisas se alterem, mas que não consideram que a regionalização resolva nada. Basta ver as disparidades que ocorrem DENTRO da região Centro.
Na minha opinião, o estatistmo contribui para o centralismo, a presença d oEstado contribui para a formação de interesses à volta do poder.
O que resolve é uma descentralização radical, na qual os municipios assumem TODOS os poderes que não sejam de soberania (defesa, diplomacia, segurança interna e justiça), com correpondente competência fiscal. Para o Estado ficariam as questões de soberania e, eventualmente, um fundo de solidariedade inter-regional, para promoção das regiões cujos impostos se revelasssem, no imediato, manifestamente insuficientes.
Como lisboeta considero que a manutenção da actual situação é insustentável e vergonhosa. Mas creio que a solução está mais na via que descrevi do que na regionalização.
Aos que colocam questões quanto aos problemas de escala, basta ver o que acontece nalguns cantões suiços, com pouco mais de 1000 habitantes.
Cumprimentos
Os dados que refere são impressionantes e ENVERGONHAM o País.
Vá ao seu dicionário, de preferência uma enciclopédia e veja o significado da palavra
“Subsidiariamente”, LOGO UMA LEI…”SUBSIDIARIAMENTE FEITA” E APLICADA COM RIGOR…...LOL
PARA O ANONIMO 7RA (parece que quer um ponto…) O MESMO E O MESMO.....…LOL
Haverá alguém que acredita no princípio da subsidiariedade consignado no papel da lei que foi aprovada há 17 anos, toda bafienta?.
Os opositores da regionalização, ou seja os que defendem a tal lei, nem sequer comentam os índices de subdesenvolvimento das regiões do interior e, como tal, não querem saber a origem das assimetrias de toda a ordem que cada vez são mais profundas entre o litoral e o interior. Caro anónimo (Beira Interior) mais uma vez dou-lhe os meus parabéns pelo seu esforço de esclarecimento e de argumentação objectiva que os adversários da regionalização não têm capacidade de apresentar, especialmente o anónimo LOL (mas que engraçada esta sigla e assenta-lhe bem, mesmo sem o conhecer! Não quer pôr o último L ao contrário?).
Anónimo pró-7RA. (sempre com PONTO FINAL)
Já encontrei a palavra LOL que é mais uma sigla e que assenta muito bem ao seu autor, apesar das suas tentativas, sem êxito, em aumentar-lhe o número porque os outros não são nada como ele.
Estou impressinado com os argumentos deste anónimo que desistiu de assinar pró (4+1).
Lá saberá porquê, mas o seu estilo continua "esdrúxulo".
Anónimo pró-7RA. (sempre com ponto final)
PS - Sempre pró-7RA, mesmo com a tal Lei aprovada, promulgada e referendada (calma, não é pelo povo, mas pelo senhor primeiro ministro) há 17 anos. Como é posível?
POR UNANIMIDADE NA ASSEMBLEIA DA REPUBLICA, EM TERMOS CONSTITUCIONAIS....LOL
"PENDURADOS 'POR' LISBOA"
e não:
"PENDURADOS 'EM' LISBOA"
A mínima diferença é semântica; a outra diferença, a POLÍTICA, é ENORMÍSSIMA.
Sem mais nem menos.
Anónimo pró-7RA. (sempre com ponto final)