A hora dos grandes homens

(...)
Discutiu-se serena e responsavelmente, digladiavam-se argumentos, mas foi no fim possível entender que é na pluralidade que reside a força. E foi isso mesmo que o parlamento espanhol percebeu. Um estado regionalista, um estado que respeite e incentive as culturas e línguas tradicionais de cada região, um estado que concede poder de mudar, alterar e definir estratégias de futuro aqueles que estão mais próximos do cidadão comum e que por eles foram democraticamente eleitos. Por isso o estatuto foi aprovado. Começa agora um ciclo de negociações de cerca de um ano onde todos os parceiros sociais e políticos se sentam a mesa para discutir o futuro do país.

É com estes exemplos de democracia no seu sentido mais puro que Portugal devia aprender. Também ele devia ter coragem, ser valente e de uma vez por todas enfrentar a verdade simples e pura de que não pode passar muito mais tempo sem avançar num processo sério de regionalização. Não uma regionalização de caciquismos de presidentes de câmaras, ou de negociações paralelas acalentadas a whisky fino ou charutos da moda. Não é dessa que eu falo. Mas sim de uma regionalização feita com consciência que não é só um imperativo económico, como também um desígnio político e democrático.

Mas como fazer isso num Portugal cada vez mais afastado da realidade politica? A regionalização devolveria a nação portuguesa o sentimento de pertença a um pais e a um projecto politico uma vez que o centro de decisão deixa de estar tão longe de sua casa. Mas uma economia tão frágil como a potuguesa poderia aguentar tal mudança? O aproveitamento das sinergias económicas que têm um cariz regional, só podem ser aproveitadas num ambiente de descentralização pois os problemas do interior do pais não são iguais aos do litoral e tão pouco os do Alentejo ao Minho.

Será a regionalização uma ameaça a um Portugal unido? Não e cem vezes não. Será verdade, talvez para aqueles que vivem do estrupo do gasto publico mas não para aqueles que acreditam que uma nação unida alcança-se com um povo que vê nas instancias politicas uma esperança de um futuro e uma certeza de uma mudança. Que ousa sonhar uma vez mais, que se sente bem no seu pais na sua terra. Que entende que os seus sonhos podem ser concretizados aqui, no pais onde nasceu. Isso sim é uma nação unida e só com a regionalização o conseguiremos.

Mas para dar este salto, este passo tão importante, necessitamos que aqueles homens e mulheres, aquela força anímica que tantas vezes engrandeceu Portugal no passado, surjam e se ergam uma vez mais para travar a batalha do futuro de Portugal. Não será fácil, mas é crucial. Exigirá coragem, determinação e espírito de sofrimento, mas é preciso ter ousadia e valentia.

Chegou a hora de esquecer os interesses pessoais, as guerras politicas e perceber o que é o melhor para o pais e só assim elevar a democracia em Portugal ou como diz o poeta: é por a lua se elevar bem alto todas as noites que brilha em todos os lagos. Chegou a hora dos grandes homens.


Texto de Pedro Magalhães
.

Comentários

TEMPLARIO disse…
Nada melhor...

"Chegou a hora de esquecer os interesses pessoais, as guerras politicas e perceber o que é o melhor para o pais e só assim elevar a democracia em Portugal ou como diz o poeta: é por a lua se elevar bem alto todas as noites que brilha em todos os lagos. Chegou a hora dos grandes homens".

Porque não esquecermos também a História e Cultura portuguesas?

Porque não esquecer os partidos?

É isso... porque não esquecer os interesses pessoais?

Exactamente: porque não deixar a política aos "grandes homens"...?

Porque não entregar Portugal ao PCP, ao PSD de LFMenezes e ao Algarvio, Sr. Bota?

Porque não fazemos uma confederação ibérica a que a regionalização muito ajudaria?

Porque não deixar a Pátria ao cuidado dos grandes homens de dinheiro, aos vencedores

NA SELVA LIBERAL E POPULISTA?

VOU PENSAR NISTO!

O que me acalma, quanto à regionalização, é o PCP, campeão da mesma, ser um partido democrático que por acaso pretendeu deitar abaixo a ASSEMBLEIA CONSTITUINTE, cercando-a
através dos trabalhadores da construção civil e não me esquece que Álvaro Cunhal, na altura, disse a um jornal italiano "que em Portugal nunca haveria Parlamento", o mesmo (PCP)que agora faz a "marcha pela liberdade", e está contra reformas necessárias, por exemplo, no Ensino, porque aquele estrato da pequena burguesia vai pagando as cotas sindicais (a classe operária "sumiu-se")e porque os milhares de bons professores que temos têm medo de se demarcar da carrada de incompetentes que por lá andam, porque não sabem no que vai dar e ficam sujeitos ao parecer deles pa os avaliar. Contra sua vontade vão nesta onda oportunista, corporativista.

Mais tranquilo fico porque o lider populista LFMenezes é um fortíssimo aliado do PCP, partido que em 1975 (era PM Vasco Gonçalves e a máquina estatal dominada por eles) apoiou a prisão de 4 centenas de militantes da chamada extrema esquerda e queria impor em Portugal a unicidade sindical; Mais tranquilo ainda fico por LFmenezes e o Sr. Bota estarem irmanados na regionalização com o PCP, o PCP que alimentou, ainda em 1975, um golpe contra a democracia (25 Novembro 1975).

Serão estes os "grandes homens".

Não, os portuguese snão esquecem.

Tanta coisa havia para dizer. E vai ser dita se a regionalização for a votos.
cumprimentos.
Anónimo disse…
Caros Regionalistas,
Caros Centralistas,
Caros Municipalistas,

O momento actual não pode ser de esquecimento de tudo, para evitar clivagens e revanchismos, mas NUNCA esquecimento da História e da Cultura portuguesas.
Ao fazê-lo, estão a criar-se as melhores condições para que sejam reconhecidas, interiorizadas e aprofundadas com a REGIONALIZAÇÃO, o único instrumento de política nacional que as defende de acções neoliberais ou pósmodernas contrárias à nossa História e à nossa Cultura, nas diversidade das regiões históricas ou naturais.
Mas, quer queiramos ou não, não é qualquer protagonista político que se encontra preparado para levar a bom termo a prossecução de altos desígnios nacionais já anteriormente referidos e que insisto neles, no quadro da REGIONALIZAÇÃO:
a) Soberania
b) Desenvolvimento económico e social
c) Conhecimento e tecnologia
d) Equilíbrio social
Aos protagonistas políticos, dispostos a prosseguir uma política assim estruturada, é que devemos associá-los a "GRANDES HOMENS" onde o seu exemplo comprove comportamentos de competência política, técnica e cultural, sobriedade, seriedade, carácter e forte personalidade entre outras qualidades.
À exemplaridade e grande exigência de um projecto político como a REGIONALIZAÇÃO só poderá associar-se políticos de ainda maior exemplaridade e exigência comportamental e política, para que os tais designios sejam prosseguidos de forma exemplar.
Por isso, só existe UMA ÚNICA FÓRMULA DE REGIONALIZAÇÃO capaz de corresponder a todas aquelas exigências: as 7 REGIÕES AUTÓNOMAS, com rigor e exigência políticas capazes de respeitar as nossas seculares HISTÓRIA E CULTURA.
Tudo o resto só pode ser, no mínimo, DESINTERESSANTE.

Assim seja, amen.

Sem mais nem menos.

Anónimo pró-7RA. (sempre com ponto final, agora mais do que nunca)