Regionalização e regionalismo

"JN" - Gomes Fernandes, Arquitecto

A Regionalização é um conceito de organização do Estado Democrático, de poder uno mas partilhado pelas diversas parcelas com potencial diferenciado do território, que assim podem contribuir de forma específica mas integrada para a valorização mais proveitosa de um País, sobretudo quando ele se integra e faz parte de uma comunidade alargada, como é o nosso caso da Comunidade Europeia ou Europa das Regiões.

O Regionalismo é um valor potencial da natureza de um povo, com características e vontade própria e arreigada nas tradições e cultura específica, na maneira de ser e de se afirmar, até na capacidade de se organizar e corresponder aos desafios que lhe são colocados pelo interesse colectivo.

Bem conjugados e aproveitados, estes dois valores podem servir para que o desenvolvimento de uma comunidade regional se processe de modo harmonioso e potenciador das suas características e potencialidades, esvaziando tensões reivindicativas sem sentido e fragilizantes da discussão cívica e cultural da mesma comunidade.

Por regra, os regionalismos exacerbados ganham projecção e importância quando o Poder Central cede à tentação de se querer reforçar em contra-ciclo, chamando a si um peso decisório que seria mais útil ser exercido em níveis intermédios ou locais. Quer dizer que os governos alimentam esta conflitualidade gerando injustiças ou diferente tratamento e favorecendo a afirmação de regionalismos doentios, quando podiam e deviam estar a contribuir para uma salutar regionalização.

Entre nós e a Norte há regionalismos, por vezes exacerbados, que não têm ajudado na afirmação da força regional. Seja à volta do futebol, onde as coisas por vezes passam das marcas, seja derivado de obras prometidas mas sucessivamente adiadas e que só irritam aqueles a quem elas deviam servir e se sentem injustiçados e as tensões da "Província contra Lisboa" não só não diminuem como se vêm ampliando, Com a agravante de os Governos Socialistas serem os que se portam pior nisto, porque prometem muito e depois…pouco ou nada fazem.

Já havia acontecido com Guterres, que começou por louvar a Região Norte como o motor de indução de uma Euro-Região exemplar e depois nada fez por isso, e prolonga-se agora com Sócrates que diz olhar para Norte mas "aos quesitos" pouco acrescenta que mostre, de facto, apoiar "o norte deprimido".

Muitos pensam e já dei também para esse "peditório", que a Regionalização vai resolver tudo. O que não é verdade, primeiro porque não estou certo de haver tantos regionalistas no PS como alguns julgam, e os que há não terão neste momento influência decisiva na matéria, para além da posição acomodatícia de muitos que vivem da "mesa do orçamento" e põem esses interesses à frente, mesmo de algumas posições que já tiveram.

O PS actual é centralista, goste-se ou não de ouvir isto, e encontrará sempre forma de contornar a "questão regional" enquanto for governo e tiver de o exercer "no fio da navalha". Não são precisos muitos exemplos para demonstrar isto e o Norte e o Porto são os grandes prejudicados, ainda para mais quando as debilidades estruturais são maiores.

É preciso que este tema seja mais discutido e que os Partidos do "arco do poder", PS e PSD, sejam confrontados pela sociedade civil com o problema grave que temos, a fragilização progressiva do Porto e do Norte em relação à Galiza. Qualquer dia não seremos cabeça dessa eventual Euro-Região, mas só um apêndice com reduzido poder de influência.

Já acontece isso bastante no nosso posicionamento interno, em que o Porto e o Norte têm cada vez menos influência e "as vozes" que daqui se levantam já não provocam "pneumonias em Lisboa". Só falta agora que elas qualquer dia já não sejam ouvidas em Santiago.

E acreditem, caros leitores, já estivemos bem mais longe disto, do que hoje!
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Comentários

Anónimo disse…
A regionalização como conceito de organização do Estado Democrático, parece-me bastante incompleta. Por outro lado, a regionalização não pode fazer-se somente porque necessitamos de reforçar o nosso poder (administrativo) relacional com a Região Autónoma da Galiza, ao procurar apenas "falar mais grosso".
Neste último caso, estamos perante preocupações meramente funcionalistas ou, se quiserem, tenóricas, insuficientes para corporizar um esforço político tendente a uma verdadeira e real regionalização.
Esta só poderá assentar num conceito de ORGANIZAÇÃO POLÍTICA do Estado Democrático e nunca num outro conceito qualquer mais restrictivo, como parece ser a ambição regionalista de muitos ao apoiarem as famigeradas 5 regiões administrativas.
Continuamos com posicionamentos-de-turno e não com posicionamentos político-estadistas ou estratégicos.

Sem mais nem menos.

Anónimo pró-7RA. (sempre com ponto final)
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