quarta-feira, junho 25, 2008

Os maus exemplos do Centralismo


TAP e ANA - dois maus exemplos

por, "zangado"


Entre as empresas públicas portuguesas que vivem dos lucros que conseguem obter, na sua actividade, e à custa dos nossos impostos encontram-se a conhecida TAP (Transportes Aéreos Portugueses) e a menos conhecida ANA (Aeroportos e Navegação Aérea).

São duas das empresas “portuguesas” em que mais se nota uma flagrante diferença de tratamento entre a região de Lisboa e o Norte de Portugal.

Passamos a vida a ouvir os lisboetas, por nascimento ou adopção por lá se terem instalado, a dizer que somos todos o mesmo país, ainda por cima pequeno em território e que não se justificam as queixas de muitos portugueses do Norte que já estão cheios de serem tratados como portugueses de terceira e a sua região só servir para pagar impostos e para os senhores da capital e os suburbanos que os apoiam visitarem, para ver um território verde pois para eles, hoje como para Eça de Queirós no século XIX, se queres ver uma paisagem verde vai a Sintra. E digo portugueses de terceira porque os de primeira são os de Lisboa e arredores, de segunda os das regiões autónomas da Madeira e Açores e, só depois, vimos nós.

Já agora, como sou um bocado ignorante em política, embora saiba um bocadinho de história e de geografia, gostaria que alguém sabedor me informasse sobre o seguinte: passo a vida a ler em jornais e a ouvir nos diferentes canais televisivos de emissão terrestre e até nos de cabo a expressão “região centro” e confesso que não entendo.

Eu sei que na Constituição portuguesa se fala em regionalização e, por isso, na criação de várias regiões em Portugal.

Ainda me lembro do Dr. Cavaco Silva se ter candidatado a Primeiro Ministro e constar das suas promessas eleitorais a regionalização. Sei que criou cinco Comissões de Coordenação Regional (Norte, Centro, Lisboa e Vale do Tejo, Alentejo e Algarve) cada uma com uma sede, funcionários e um território definido, mal na minha opinião e acho que não foi por acaso. Mas nunca criou as regiões administrativas que prometeu e não conheço nenhuma lei ou decreto lei que as tenha criado, por isso vamos lá deixar de ser mais papistas do que o Papa e acabarmos com referências inexistentes.

Podemos ainda lembrar o referendo hipócrita efectuado sobre a regionalização, em que cada partido apresentou a sua proposta algumas delas sem pés nem cabeça. Não esquecemos a campanha demagógica que chegou ao extremo de afixar cartazes com a actual bandeira nacional rasgada, obra de uns meninos de Lisboa ligados ao CDS nem os boatos impingidos ao patriotismo de muitos nortenhos com o fantasma do Alentejo voltar aos seus senhores de 1974-75 se a regionalização ganhasse.

A mensagem da criação de muitos outros lugares políticos e de outro pessoal nas novas regiões que teríamos de sustentar e a anedota autêntica que foi o mapa proposto pelo PS.

O resultado de todas estas habilidades viu-se e, daí em diante e cada vez mais, a centralização de Lisboa aumentou imparável com a ajuda de muitos de Coimbra e até do resto do Norte, como o actual Presidente da Câmara do Porto, Rui Rio, que só agora abriu os olhos para a realidade. Para um economista que foi deputado muitos anos e tem obrigação de saber interpretar tabelas e outros elementos estatísticos, além de macroeconomia, demorou demasiado tempo a chegar à realidade e parece que só lá chegou agora por ver o que o governo lisboeta de Sócrates quer dar a Lisboa e as migalhas que, altaneiro, deixa vir para o Porto.

(continua)
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5 Opiniões

At quarta jun 25, 03:36:00 da tarde, Blogger templario said...

Os meus caríssimos compatriotas "fãs".. da regionalização padecem de problemas existenciais. E têm razão, pois, no último Congresso do PSD levaram uma abada daquelas.

O Caro "Zangado" não está preocupado com a Pátria, o que ele está é mesmo zangado com ela. Que horror de psicose vai por aí. Que caldeirão de confusões!...

Julga o Caro "Zangado" que este negócio da aviação comercial é assim uma coisa parecida com o futebol ou com a extinção de um serviço de urgência?! Ela gere-se pelas leis internacionais de oferta e procura. V. tem voos à partida do Porto para quase toda a Europa.
Queria um voo diário, por exemplo, Lisboa/Estocolmo no Porto e em Lisboa (nem sei se é o caso), para operarem com 30% de ocupação? Obviamente que não é o Governo que interfere nas frequências dos voos. É o mercado.

Tenha lá paciência! A Capital é em Lisboa. Querem-na mudar para o Norte? Bem aí eu votaria Guimarães.Porque a burguesiazinha do Porto parece ter feito do Norte uma coisa que parece angustiá-lo(a si).

Tem saudade dos tempos que as crianças no Norte coziam sapatos para as respectivas fábricas sentados nos muros das localidades mais recônditas, desviadas da escola?

Que a ANA é gosma, isso é verdade, nas taxas que cobra em todas as actividades nos aeroportos. O mesmo se passa com as alfândegas, introduzindo taxas que dificultam a competitividade das pequenas empresas exportadoras.

Não esqueça que a TAP é uma das mais competentes empresas nacionais em todos os aspectos (nunca fui colaborador da TAP) e é cliente da ANA. A ANA que tem muitos lucros. E se a ANA desse prejuízo.... lá vinha o Caro "zangado" com ráios e coriscos.

Críticos, sim, "roedores" não. Eu sou do SUL e por estas bandas para onde há quase 900 anos gentes trabalhadoras (E NÃO SÓ) de Entre Douro e Minho se deslocaram (emigraram)para afirmarem uma Nação, realizarem uma aculturação, uma unidade nacional, patriótica, por estas bandas, Caro "Zangado", gostamos muito das gentes do Porto, do Norte.

Anda por aí (pelo Norte) muito cacique e demagogo a pregar patacoadas para satisfação dos seus interesses pessoais e de grupos. Os portugueses sabem quem eles são. Os portuenses também; e tanto que assim é, que nas duas últimas eleições no Porto infligiram aparatosas derrotas a esses grupos regionalistas.
Cumprimentos.

 
At quarta jun 25, 06:20:00 da tarde, Anonymous Anónimo said...

Como já disse aqui, a Regionalização não pode ser uma bandeira do Porto. Até porque o Porto não é quem mais necessita a Regionalização. A Regionalização é, cada vez mais, um imperativo nacional e não local. É assim que temos de olhá-la e deixar de lado estas velhinhas rivalidades entre o Porto e Lisboa.

Quanto à política dos transportes, nota-se claramente que foi feita para servir Lisboa. Em termos aéreos, a ANA e a TAP tudo têm feito para estagnar um Aeroporto Francisco Sá Carneiro em franca expansão, e que é neste momento, inegavelmente, melhor que o Aeroporto da Portela. Qualquer tentativa de novas companhias aéreas de operar a partir do Porto é dificultada pelas autoridades que gerem os nossos aeroportos. Assim, os milhões de habitantes da região envolvente ao Porto têm que continuar a fazer escala em Lisboa para a maioria dos voos. E não será por falta de procura que o Porto não se afirma em termos aeroportuários: o eixo Atlântico entre Coimbra e Vigo (área de influência do Porto) tem mais habitantes que a zona de Lisboa. A construção de pequenos aeroportos regionais, nomeadamente na Guarda, paltaforma multimodal da Beira Interior, e o investimento nos já existentes, nomeadamente em Vila Real e Bragança, é também urgentíssima para desencravar as regiões interiores. Porém, apenas em Beja se está a investir neste tipo de infra-estruturas, quando o aeroporto de Faro está mesmo ali ao lado, constituindo um caso de sucesso cuja área de influência abrange já as províncias espanholas de Huelva e Sevilla, concorrendo inclusive com o aeroporto desta última.
Quando olhamos para o transporte rodoviário, vemos as coisas um pouco melhores. Ainda assim, ñão podemos esquecer a vergonhosa tentativa de impor portagens nas SCUT's do Grande Porto. A colocar-se portagens, estas deveriam afectar também as auto-estradas de acesso a Lisboa (IC 19, final da A1, etc.), e é também vergonhosa a colocação de portagens na IC24/A41, que supostamente deveria tirar grande parte do tráfego interurbano do centro do Porto.
Isto para não falar no comboio, o transporte do passado e do futuro, que é uma vergonha para o nosso país no presente. Todas as ligações ferroviárias rápidas confluem em Lisboa. Quer saiam de Braga, Porto, Guarda, Covilhã, Évora,Beja ou Faro, os Intercidades e Alfas terminam sempre em Lisboa. Resultado: Quem quiser deslocar-se entre, por exemplo, a Guarda e o Porto, têm de fazer transbordos por 3 vezes (o mesmo acontece a partir de toda a Beira Interior e de Trás-os-Montes para qualquer estação que não fique "a caminho" de Lisboa); as ligações ferroviárias internacionais (por Valença, Marvão e, principalmente, Vilar Formoso) são lentas (páram literalmente em todas as estações e apeadeiros) e obrigam a múltiplos transbordos, incluindo nas fronteiras, já que estão completamente desatriculadas com os comboios espanhóis. Por exemplo, viajar de comboio entre o Porto e Valença chega a demorar 3h, uma viagem Porto-V.Formoso demora cerca de 5h. Como se não bastasse, as linhas do Interior estão a ser encerradas indiscriminadamente (veja-se o que se passa em Mirandela), em vez de se criarem novas ligações rápidas e de qualidade entre o Interior e o Litoral, que, concerteza, seriam muito utilizadas e seriam rentáveis (os expressos que vão para o interior não andam propriamente vazios).
Até no Metro se vêm estas discrepâncias regionais. Por exemplo, no Metro do Porto, uma viagem entre Matosinhos e o Porto custa cerca do dobro de uma viagem de uma ponta à outra da cidade de Lisboa no seu metro subterrâneo, que é, como se sabe, consideravelmente mais rápido. Para além disso, a rede de metro de superfície do Porto está praticamente estagnada, com muitos projectos metidos na gaveta, enquanto que o metro de Lisboa está em franca expansão, servindo já grande parte da periferia da cidade. Se o Porto fosse Lisboa, há muito tempo que o Metro chegaria a Gondomar, Matosinhos, Santo Ovídio e Trofa, e seria concerteza um metropolitano subterrâneo. Outras cidades, como Coimbra, têm projectos para o Metro que não saem do papel por falta de fundos e vontade política nacional, que há de sobra quando se trata de Lisboa.
Os transportes são mais uma prova de que é preciso mudar. Regionalizar Portugal. Haja vontade.

Afonso Miguel, Beira Interior

 
At quarta jun 25, 07:14:00 da tarde, Blogger templario said...

Sr. Afonso Miguel,

Sinceramente apreciei imenso o conjunto de exemplos do seu Comentário que reflectem bem como Portugal tem sido mal governado nestes últimos 30 anos.

Ainda assim, sou radicalmente contra a regionalização. Não é ela que resolve. Imprimi o seu texto e arquivei-o. Não me leve a mal se um dia o plagiar no meu Blog, CAMARADITA.
Cumprimentos.

 
At quinta jun 26, 12:00:00 da manhã, Anonymous Anónimo said...

Caros Regionalistas,
Caros Centralistas,
Caros Municipalistas,

Relativamente aos casos concretos de empresas geridas pelo Estado, procuro não perder muito tempo, uma vez que estamos perante o chamado "casuísmo político". Este tipo de acção política é muito do agrado dos políticos que costumo designar por "políticos-de-turno", cada vez mais interessados em que nos entertenhamos com esta especificidade distraidora dos aspectos essenciais da política.
Um desses aspectos essenciais da política tem a ver com a regionalização política, nunca administrativa, consubstanciada pela regionalização autonómica, a única com capacidade real para inverter este estado lastimoso da "coisa política" que agrava a tendência para tudo resolver satisfatoriamente em redor da cidade-capital e sempre adiar o que se relaciona com as outras regiões do País.
Concentrar a nossa atenção em determinadas empresas públicas é desviar-mo-nos do essencial e investir mal em tempo perdido porque tais empresas são uma ramificação do Estado sobre a economia que tanto pode dar para gerir bem como muito mal sob a batuta ministerial respectiva.
Por isso, para se resolverem estas limitações de natureza política temos de ir ter com o essencial, o qual vai direitinho à necessidade de novas políticas que apostem na implementação de autênticas reformas estruturais, as únicas que derivam directamente da prossecução de altos desígnios nacionais, tais como (mais uma vez):
(a) Soberania
(b) Desenvolvimento Económico e Social
(c) Conhecimento e Tecnologia
(d) Equilíbrio Social
Em termos políticos, o que se tem praticado corresponde ao casuísmo político, à implementação de reformas determinadas apenas pela conjuntura (o défice disto, o desequilíbrio daquilo, a insuficiência daqueloutro, etc.), muito do agrado e próprio dos políticos-de-turno.
Em termos políticos, o que precisamos é de fixação dos altos desígnios nacionais a prosseguir sem qualquer desfalecimento, das consequentes reformas estruturais e, para pôr tudo isto em prática, de novos protagonistas políticos, os políticos-estadistas que possuam:
(1) Visão política dos Graco
(2) Capacidade Militar de Cipião
(3) Determinação de Sula
De acordo com o meu conhecimento, até hoje só um único político conseguiu reunir todas estas valências imprescindíveis para marcar a história do desenvolvimento.

Sem mais nem menos.

Anónimo pró-7RA. (sempre com ponto final)

 
At segunda jun 30, 08:25:00 da tarde, Anonymous zangado said...

Surprendido pela publicação neste blog do meu artigo sobre a TAP e a ANA, como dois maus exemplos do centralismo lisboeta, que apenas ontem descobri, li, com atenção, os comentários anteriores que me merecem a seguinte resposta:
Concordo com o que disse o senhor Afonso Miguel pois corresponde à verdade, como já tenho escrito, e discordo, completamente, das afirmações de uma pessoa designada por Templário que tem o blog Camaradita, que pautou o seu comentário por insultos a quem não pensa como ele e por fazer afirmações que não correspondem nem à verdade sobre a TAP e a ANA, nem sobre a verdadeira disparidade de pesos e medidas governamentais no que diz respeito à forma como trata as diferentes regiões do País. Deve conhecer mal a sua zona para ousar afirmar que todos gostam muito do Porto e do Norte.
O senhor pode gostar e eu conheço quem goste, mas já conheci muitos que não gostavam e até insultavam, classificando de "galegos" os portugueses do Norte, entre outras pérolas.
Discordar é uma coisa e não respeitar as diferenças de opinião outra, muito diferente.
Sem mais comentários aqui.
Cumprimentos

 

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