quinta-feira, junho 26, 2008

A política centralista dos transportes

Afonso Miguel - Beira Interior


Como já disse aqui, a Regionalização não pode ser uma bandeira do Porto. Até porque o Porto não é quem mais necessita a Regionalização. A Regionalização é, cada vez mais, um imperativo nacional e não local. É assim que temos de olhá-la e deixar de lado estas velhinhas rivalidades entre o Porto e Lisboa.

Quanto à política dos transportes, nota-se claramente que foi feita para servir Lisboa. Em termos aéreos, a ANA e a TAP tudo têm feito para estagnar um Aeroporto Francisco Sá Carneiro em franca expansão, e que é neste momento, inegavelmente, melhor que o Aeroporto da Portela. Qualquer tentativa de novas companhias aéreas de operar a partir do Porto é dificultada pelas autoridades que gerem os nossos aeroportos.

Assim, os milhões de habitantes da região envolvente ao Porto têm que continuar a fazer escala em Lisboa para a maioria dos voos. E não será por falta de procura que o Porto não se afirma em termos aeroportuários: o eixo Atlântico entre Coimbra e Vigo (área de influência do Porto) tem mais habitantes que a zona de Lisboa.

A construção de pequenos aeroportos regionais, nomeadamente na Guarda, plataforma multi modal da Beira Interior, e o investimento nos já existentes, nomeadamente em Vila Real e Bragança, é também urgentíssima para desencravar as regiões interiores. Porém, apenas em Beja se está a investir neste tipo de infra-estruturas, quando o aeroporto de Faro está mesmo ali ao lado, constituindo um caso de sucesso cuja área de influência abrange já as províncias espanholas de Huelva e Sevilla, concorrendo inclusive com o aeroporto desta última.

Quando olhamos para o transporte rodoviário, vemos as coisas um pouco melhores. Ainda assim, não podemos esquecer a vergonhosa tentativa de impor portagens nas SCUT's do Grande Porto. A colocar-se portagens, estas deveriam afectar também as auto-estradas de acesso a Lisboa (IC 19, final da A1, etc.), e é também vergonhosa a colocação de portagens na IC24/A41, que supostamente deveria tirar grande parte do tráfego interurbano do centro do Porto.

Isto para não falar no comboio, o transporte do passado e do futuro, que é uma vergonha para o nosso país no presente. Todas as ligações ferroviárias rápidas confluem em Lisboa. Quer saiam de Braga, Porto, Guarda, Covilhã, Évora,Beja ou Faro, os Intercidades e Alfas terminam sempre em Lisboa. Resultado: Quem quiser deslocar-se entre, por exemplo, a Guarda e o Porto, têm de fazer transbordos por 3 vezes (o mesmo acontece a partir de toda a Beira Interior e de Trás-os-Montes para qualquer estação que não fique "a caminho" de Lisboa); as ligações ferroviárias internacionais (por Valença, Marvão e, principalmente, Vilar Formoso) são lentas (param literalmente em todas as estações e apeadeiros) e obrigam a múltiplos transbordos, incluindo nas fronteiras, já que estão completamente desarticuladas com os comboios espanhóis.

Por exemplo, viajar de comboio entre o Porto e Valença chega a demorar 3h, uma viagem Porto-V.Formoso demora cerca de 5h. Como se não bastasse, as linhas do Interior estão a ser encerradas indiscriminadamente (veja-se o que se passa em Mirandela), em vez de se criarem novas ligações rápidas e de qualidade entre o Interior e o Litoral, que, concerteza, seriam muito utilizadas e seriam rentáveis (os expressos que vão para o interior não andam propriamente vazios).

Até no Metro se vêm estas discrepâncias regionais. Por exemplo, no Metro do Porto, uma viagem entre Matosinhos e o Porto custa cerca do dobro de uma viagem de uma ponta à outra da cidade de Lisboa no seu metro subterrâneo, que é, como se sabe, consideravelmente mais rápido.

Para além disso, a rede de metro de superfície do Porto está praticamente estagnada, com muitos projectos metidos na gaveta, enquanto que o metro de Lisboa está em franca expansão, servindo já grande parte da periferia da cidade.

Se o Porto fosse Lisboa, há muito tempo que o Metro chegaria a Gondomar, Leça da Palmeira, Santo Ovídio e Trofa, e seria concerteza um metropolitano subterrâneo.

Outras cidades, como Coimbra, têm projectos para o Metro que não saem do papel por falta de fundos e vontade política nacional, que há de sobra quando se trata de Lisboa.

Os transportes são mais uma prova de que é preciso mudar. Regionalizar Portugal.

Haja vontade.

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15 Opiniões

At quinta jun 26, 11:26:00 da manhã, Anonymous Anónimo said...

Errata:
"Se o Porto fosse Lisboa, há muito tempo que o Metro chegaria a Gondomar, Matosinhos, Santo Ovídio e Trofa, e seria concerteza um metropolitano subterrâneo."

Quando falei em Matosinhos, queria obviamente referir-me a Leça da Palmeira.

As minhas desculpas,
Afonso Miguel, Beira Interior

 
At quinta jun 26, 01:36:00 da tarde, Blogger Nuno Gomes Lopes said...

bem, dizer que 1€15 (um bilhete z3 no porto) é cerca do dobro de €75 (um bilhete coroa L ou coroa 1 em lisboa) é tudo menos ser-se sério. e convém não esquecer que os €75 de lisboa dão apenas direito à ida, enquanto que os 1€15 do porto dão, no caso de a pessoa se despachar, direito a ida e volta. no caso de ida e volta, o bilhete de lx custa 1€95 (bem mais do que no porto). mas, obviamente, as distâncias são diferentes. não discordo que o metro de lx seja mais barato que o nosso - o metro de lx recebe ajudas dez vezes maiores. a grande virtude do metro do porto é que se paga o que se percorre, ao contrário do de lx.

 
At quinta jun 26, 04:05:00 da tarde, Blogger Philipp said...

A Regionalização não pode ser uma Bandeira do Porto. Sem dúvida!
Gostei bastante deste post, mas há alguns pontos que gostava de chamar a atenção. As portagens em Lisboa: sabemos que Lisboa até é bem prejudicada com a portagem da ponte de 25 de abril. Imagino o Porto com uma portagem em cada ponte. Apesar de não ter dúvida que a relação Porto-Gaia é bem mais próxima (como a continuidade de uma da outra) do que Lisboa-margem sul. Mas é bom não esquecer isso.
Quanto à diferença do preço do metro, também o verifiquei em cidades alemãs. Vi que em cidades maiores, com mais gente e rede mais evoluída os preços dos transporte eram inferiores. é uma questão de produção em massa. Agora: concordo que a rede do Porto está estagnada, nem sei bem porquê, mas tudo aponta para o Sr. Mário Lino. É verdade que o metro do Porto é ridículamente lento.
Também apoio as observações que se fez sobre a rede ferroviária e o seu centralismo em Lisboa. O interior é nitidamente despresado! Não se tratando de interior, mas é fora do interesse de Lisboa, quis uma vez vir de Caminha para o Porto e não queria vir de carro, porque era apenas uma visita curta sem bagagem. Não me lembro dos dados ao certo, mas foi mais ou menos isto: para estar no Porto (100km de distância) às 11:00 tinha apanhar um comboio às 6:00 que demorava aproximadamente 3:00 e que a ida e a volta me custaria 19E. Ora, de automóvel faço a distância em 50 min. e custa-me 15E ir e vir e de porta a porta. Qual é a minha escolha? Com ofertas destas por parte dos serviços ferroviários, não vamos lá!
De facto já enviei uma sugestão à CP da qual ainda não obtive resposta.

 
At quinta jun 26, 04:12:00 da tarde, Blogger Nuno Gomes Lopes said...

não concordo que o metro no porto seja 'ridiculamente lento'. parece-me que a velocidade no centro é bastante boa e a solução suburbana (aí, sim, o metro é lento) ainda terá a prova de fogo com a introdução dos tram-train, em setembro. sempre fui defensor deste modelo, o do metro ligeiro, e espero que os tram-train apenas o confirmem. é de lembrar que o metro não previa a abertura da linha da póvoa com as carruagens atuais, mas o governo anulou o concurso.

e essa comparação cidadeprincipal/cidadesecundária em relação ao preço dos bilhetes... só quando deixar de haver essa hierarquia é que o porto acorda.

um abraço para todos

 
At quinta jun 26, 10:38:00 da tarde, Anonymous Anónimo said...

Caros amigos Regionalistas:

Este post baseia-se numa experiência que fiz há alguns tempos, e que em boa hora me alertou para a discrepância que existe nos transportes nacionais:
Entrando no metro na Câmara de Matosinhos, fiquei abismado ao aerceber-me da velocidade incrivelmente baixa com que este circula na zona de Matosinhos. Demorei uns impressionantes 45 min. a chegar à Casa da Música, par não falar das voltinhas que o metro dá até lá, principalmente na Senhora da Hora. Eu, pessoalmente, não considero esta zona uma zona suburbana, comparada com as linhas da Póvoa e da Maia. O metro aqui não anda mais depressa porque passa por zonas densamente povoadas. A pergunta que eu faço é esta: não seria mais inteligente ter-se construído um metro subterrâneo Porto-Matosinhos? É que assim o Metro torna-se menos vantajoso que os autocarros e a viatura própria, e não é essa a sua finalidade.
A minha viagem estava, então, praticamente a meio, na Casa da Música, e daí até Campanhã o metro, sendo subterrâneo, aumenta consideravelmente de velocidade, demorando apenas 15 minutos até me deixar na estação de Campanhã.
Aí tomei o Intercides, que me levou à Gare do Oriente em apenas 3 horas, com pontualidade britânica. Apenas acho que os comboios continuam a ser demasiado caros, já que, se para 1 ou 2 pessoas é vantajoso viajar de comboio (em longas distâncias), já para mais do que isso, é melhor esquecer, pois sai muito mais caro. Mas as ligações Porto-Lisboa são quase perfeitas, em comparação com as ligações entre as restantes cidades do país.
Continuando a viagem, tomei o Metro de Lisboa na Gare do Oriente e pus-me no Terreiro do Paço em cerca de 20 minutos, pagando apenas 0,75 €. Não considero, por isso, que o Metro do Porto seja mais justo que o de Lisboa. O Metro não pode ser pensado para pequenas distâncias: por exemplo, é claro que ir do Terreiro do Paço aos Restauradores de Metro fica caro. Mas uma viagem tão pequena pode perfeitamente ser feita a pé. Do mesmo modo, no Porto, um T1 dá para fazer apenas viagens pequenas, por exemplo entre a Trindade e São Bento, mas já custa 0,90€. Por isso eu digo que, em Lisboa, com 0,75€ vou do Terreiro do Paço à Amadora em menos de 30 minutos, e no Porto com 1,15€ demoro 45 min. a ir do centro da cidade ao centro de Matosinhos (uma distância muito mais curta). Paga-se mais caro um serviço pior. Ainda pior é a situação de Vila do Conde e da Póvoa, em que a lentidão do Metro se sente ainda mais, com estações instaladas em todos os cantos, algumas são verdadeiros caixotes no meio das bouças. Espero que a introdução dos famigerados metros rápidos venham melhorar consideravelmente esta situação, mas os atrasos relacionados com os negócios entre o Metro do Porto e essa traidora nacional chamada Bombardier têm atrasado o processo. Ainda assim, acho uma asneira cometer-se o mesmo erro de Matosinhos, nas linhas para Rio Tinto e Gondomar. Nem quero pensar no tempo que se vai demorar nesses percursos, quando o governo um dia decidir dar umas patacazitas ao Porto para construir as linhas. Enquanto isso, o Metro de Lisboa prepara-se para chegar (sempre em túnel) ao Aeroporto da Portela (então não vai ser desactivado?), estando para breve o início das obras para Campo de Ourique, Alta de Lisboa, Estrela, Alcântara, Pontinha e Sacavém. De salientar que a grande maioria da rede de metropolitano de Lisboa foi inaugurada entre 1998 e 2008, enquanto que a do Porto está parada praticamente desde 2004. Concluindo: o Metro do Porto é igual ou pior que os eléctricos de Lisboa que circulam na zona ribeirinha. Por falar nisso, já repararam que todas as cidades suíças (todas entre 100 000 e 500 000 habitantes) têm eléctrico, enquanto em Portugal, somos especialistas a mandá-los para os museus, e até os autocarros são de má qualidade?
Mas pior que tudo isto só mesmo a situação das regiões não metropolitanas. Para que haja uma noção das discrepâncias, se me quiser deslocar da Guarda a Lisboa, pago 17€, não faço transbordos e demoro 4h. Por outro lado, se quiser ir ao Porto, demoro 5h, pago cerca de 22h e faço TRÊS transbordos, tendo que ficar, grande parte das vezes, à espera do comboio para o Porto na Pamplihosa entre 30 min. e 1 hora. Porque os comboios, em si, não são lentos. A rede é que está completamente desarticulada, esquecendo completamente as viagens que não têm Lisboa como destino. Se quiser deslocar-me entre a Guarda e a Covilhã na CP demoro mais de 1h a fazer cerca de 40 kms, e se quiser ir a Viseu não posso, porque já nem sequer passa lá o comboio.
Resumindo: falta vontade para mudar esta política de transportes. Apenas se fala em grandes obras como o TGV e o Interior continua completamente votado ao esquecimento. Quando é que a linha de alta velocidade Aveiro-Viseu-V.Formoso-Salamanca vai avançar? Provavelmente no tempo dos meus netos. Mas para Lisboa-Madrid há logo luz verde, mesmo antes das ligações mais que prioritárias entre Lisboa e o Porto.
Eu, falo por mim, abdicava à vontade dos 2 kms de auto-estrada que o governo acaba de mandar construir entre Vilar Formoso e Fuentes de Oñoro (sim, parece mentira mas é verdade) que, para além de não melhorarem em nada os tempos de percurso, ainda vão ter o "dom" de dar cabo da nossa última fronteira condigna e de toda uma economia que é, e sempre foi, o pulmão de uma Beira Interior cada vez mais maltratada. O dinheiro desta obra, de utilidade duvidosa, se calhar daria para construir umas variantes nas velhinhas estradas da raia, ou então para arranjar o património que cada vez mais se degrada nesta zona (por exemplo, o centro da cidade da Guarda).
Houvesse vontade. Com a Regionalização seria tudo mais simples.

Afonso Miguel, Beira Interior

 
At quinta jun 26, 11:00:00 da tarde, Anonymous Anónimo said...

Caros Regionalistas,
Caros Centralistas,
Caros Municipalistas,

A política centralista de transportes é uma pequena parte da filosofia de desenvolvimento político posta em prática não só por este mas por todos os governos que lhe antecederam. Por outro lado, nem sequer tem interessado às esferas governamentais que as empresas de transportes, fora da área geográfica da cidade-capital, tenham conseguido classificar-se em primeiro lugar na categoria do equipamento de que são os principais responsáveis da respectiva gestão.
Com efeito, por exemplo, quase passou despercebida a publicação da notícia em que o Mtero do Porto foi considerado o melhor metro ligeiro do Mundo, na respectiva categoria, ao cumprir uma série alargada de exigências nas capacidades que tem demonstrado como unidade empresarial de transportes.
Tenho a certeza que se fosse em Lisboa, haveria direito à repetição da notícia durante uma série de dias ou semanas e, em dia inicado para tal, seria encomendado um "Te Deum" na Igreja Catedral da capital para assinalar a comemoração solene.
Como os tempos políticos que se avizinham não se revelam promissores, mesmo com a mudança programática de governo, a única solução aceitável tem a ver com a necessidade de se encetarem mudanças estruturais na política, em todas as suas vertentes, de forma a inflectir o "rumo das coisas" seguido até hoje.
Na verdade, tal mudança estrutural só poderá ser garantida com a implementação da regionalização autonómica, para dar a cada uma das regiões o reconhecimento das suas capacidades de desenvolvimento, essenciais a uma mudança, não só nos transportes mas em todos os domínios políticos que lhes interessem.
Por exemplo, poderia acabar-se com a política de transportes seguida, suportada pelo betão armado e pelo asfalto, procurando alternativas nas estruturas ferroviárias de transporte com notoriedade regional (ainda se está por saber porque razão foram destruidas infraestruturas ferroviárias regionais e tradicionais, de grande potencial e essenciais para as populações das regiões do interior: Linha do Tâmega, Linha do Corgo, Linha do Vouga, Linha do Dão, agora a Linha do Tua, parte da Linha do Douro, do Pocinho a Barca d'Alva e o ramal até Duas Igrejas, perto de Miranda, etc., etc.) e respectivas interligações, extremamente necessárias tanto para a criação de alternativas de transporte (hoje inexistentes), como para combater as ameaças permanentes ou cíclicas decorrentes das chamadas "crises do petróleo" (muito mais uma desenfreada especulação que crise real).
Complementarmente, o transporte ferroviário é pró-ambiental e seria o factor menos responsável pelo agravamento da balança comercial da energia do nosso País, a qual é cronicamente deficitária; ao nível ainda da política de transportes, não se tem aplicado uma política eficaz de incentivo da utilização do transporte público dado não existirem alternativas ao transporte individual e ao transporte rodoviário que tragam vantagens para as populações, nem ainda se esgotaram todas as valências das infraestruturas de transporte ferroviário ao disponibilizarem canais para trasnporte intensivo de mercadorias, nas zonas geográficas do litoral, de norte para sul e vice-versa, das zonas geográficas do litoral para as zonas geográficas do interior, de oeste para leste e vice-versa e de umas regiões para outras, no quadro do seu funcionamento em rede regional, no contexto do todo nacional.
Também se poderão utilizar as infraestruturas ferroviárias noutras utilizações interessantes para o aproveitamento da capacidade de transporte disponível ao afectá-las ao turismo e ao paisagismo de belas regiões do nosso País, verdadeiros factores de desenvolvimento se forem realizados investimento compatíveis com a modernidade do trasnporte ferroviários de pessoas, com comodidade, rapidez e horários compatíveis, numa lógica de que a oferta costuma gerar a sua própria procura.
Esta lógica poderá ser aplicada a outros sectores de actividade económica onde o funcionamento em rede é essencial para valorizar os recursos existentes em cada uma das regiões naturais ou históricas (por exemplo, poderia operar-se um melhor e mais intenso aproveitamento dos recursos agrícolas, em combinação ou não com o eco turismo ou turismo rural), a partir das quais será possível demarcar geográficamente e criar as futuras Regiões Autónomas, já sobejamente aqui referenciadas.
A regionalização autonómica nunca será possível com a manutenção da mentalidade política reinante (independentemente do partido que esteja investido de funções de poder), com o funcionamento burocrático, despesista e centralista actual, com os mesmos critérios de selecção dos temas políticos a tratar, com uma visão estreita das implicações da acção política, com a ausência da eleição de altos desígnios nacionais e, finalmente, com os protagonistas do calibre "políticos-de-turno".
Por isso, a temática dos transporte é apenas uma parte de um todo vastamente muito mais significativo, vindo a sobrar muito tempo para vermos as auto-estradas já construídas e a construir disponíveis psra tudo manos para a passagem intensa de automobilistas, numa paisagem rodoviária autenticamente submetida "ás moscas", onde nem sequer a "portagem-zero" lhes irá valer.

Sem mais nem menos.

Anónimo pró-7RA. (sempre com ponto final)

 
At quinta jun 26, 11:09:00 da tarde, Blogger Nuno Gomes Lopes said...

em relação ao texto do afonso miguel, apenas um apontamento: no porto o carregamento mínimo não é t1 mas um z2. se, de fato, existisse o z1 de lx, o preço seria mais convidativo. em relação à linha de matosinhos, é verdade, é muito serpenteante. não percebi foi a (aparente) contradição: o metro do porto é, diz o afonso, como um elétrico, ou seja, insuficiente, mas na suíça os elétricos são suficientes e não os põem em museus.

em relação aos comboios: nunca me pareceram caros; a rede é insuficiente e totalmente desconexa; houve melhorias nos útimos anos. parece-me que, deixando de existir a imbecilidade de diferentes unidades de negócios (cp urbanos, cp regionais, etc), tudo melhorará. assim espero.

em relação à auto-estrada, esse troço tem todo o sentido. não faz sentido é sair de uma auto-estrada portuguesa para entrar numa via-rápida espanhola. continuidade, sim?

abraço e tal

 
At sexta jun 27, 12:55:00 da tarde, Anonymous Anónimo said...

Caro Nuno Gomes Lopes:

1- O Metro do Porto é claramente insuficiente. É como um eléctrico. O que eu quero dizer com isto é que o Metro do Porto, para ligações interurbanas, entre o centro do Porto e os subúrbios (Matosinhos, Maia, Gondomar, etc.) torna-se lento demais para ser um transporte de utilização rápida como deveria ser, e como é o Metro de Lisboa. Falando nas cidades da Suíça, referia-me, visto que elas são cidades médias e não áreas metropolitanas na sua maioria, que elas poderiam ser tomadas como exemplo para cidades da mesma dimensão, como Coimbra ou Braga, onde já existiram eléctricos, mas foram arrumados nos museus. Este tipo de eléctricos rápidos, semelhantes aos de Lisboa, poderiam ser utilizados nestas cidades médias, que não necessitam de metropolitano, tal como se faz na Suíça. Já no Porto, poderiam ser utilizados como complemento a um serviço de metropolitano mais eficaz, e subterrâneo. Por exemplo, partindo do centro do Porto, haveria linhas subterrâneas para Matosinhos, Maia, Aeroporto e Gondomar, e mantinham-se como estão as linhas de Gaia e Póvoa. Como complemento, apareceriam eléctricos rápidos na Avenida da Boavista, na zona ribeirinha e marginal entre a Ribeira e Matosinhos, e na Estrada da Circunvalação, por exemplo. Junte as peças do puzzle e verá que a cidade do Porto ficava com uma excelente cobertura de transportes urbanos e suburbanos.

2- Viajar de comboio entre o Porto e Lisboa no Intercidades não é muito caro, custa cerca de 19,50€. Já o Alfa é muito mais dispendioso, 27,50€, podia ser mais barato. Mas não é por aí que o gato vai às filhoses, como se diz aqui na Beira Interior. O problema é se compararmos os preços de uma viagem Porto-Lisboa (300 km) com uma viagem Porto-Viana (60 km), que nos custa 7€ e demora 1h30. O preço por km é muito mais elevado (quase o dobro) e a viagem é lentíssima. Mas o problema dos comboios não é tanto o preço, mas mais a horrível rede ferroviária portuguesa, unicamente centralizada em Lisboa. Aqui na Guarda, o comboio compensa, por exemplo, para ir a Vilar Formoso, a Coimbra ou a Lisboa, agora, fora isso, ou vamos de carro ou demoramos o dia todo.

3- A auto-estrada Vilar Formoso-Fuentes de Oñoro. Sinceramente, passo aquela fronteira centenas de vezes e não consigo perceber a razão de tal obra. Até porque as vantagens de ter uma fronteira condigna são mais que muitas:
-Maior facilidade nos controlos fronteiriços por parte das polícias (a construção daqueles míseros 2 kms vai torná-los praticamente impossíveis);
-Desenvolvimento do Comércio transfronteiriço: Vilar Formoso é um dos pontos comerciais mais importantes de Portugal e da beira Interior, e com a passagem da auto-estrada, vai ser esquecido;
-Mais condições para a paragem dos serviços de transportes de passageiros e mercadorias internacionais, já que Vilar Formoso está muito mais apetrechado para tal do que qualquer área de serviço da A25-IP5.
-Maior promoção turística do nosso país (a existência de um posto de turismo logo à entrada de um país é fundamental, o que vai deixar de existir com a construção dos tais 2 kms).
Repare que, por essa Europa fora, nenhum país abdicou de ter nas suas principais fronteiras uma alfândega, e um posto fronteiriço como o de Vilar Formoso, pelas múltiplas vantagens que isso traz. Apenas em Portugal, com a mania de sermos diferentes, as fronteiras são imperceptíveis. Depois somos criticados pela forma como os criminosos se escapam do nosso país. Pudera, é cada vez mais impossível fechar as fronteiras quando é necessário.
Será que o 1 minuto ou 2 que se perde com a passagem em Vilar Formoso (sim, nunca perdi lá mais que 1 ou 2 minutos, mesmo no Verão), não é minimizado, em comparação com os impactes positivos da existência da Avenida da Fronteira em Vilar Formoso/Fuentes de Oñoro?
A A-62, que vai substituir a N-620 espanhola (a tal via rápida) está praticamente pronta. Porque não acabá-la numa rotunda do lado espanhol, tal como acaba a A25 (antigo IP5) do lado português, e manter esses 900 m de avenida de fronteira, tal como acontece por toda a Europa?

Afonso Miguel, Beira Interior

 
At sexta jun 27, 04:00:00 da tarde, Blogger Nuno Gomes Lopes said...

caro afonso miguel

1- o que falta ao grande porto é planeamento, não uma rede de metro subterrâneo. o metro subterrâneo só deve existir quando estritamente necessário (centro histórico). como dizia o graça dias, é bom andar à superfície. e parece que, muitas das vezes, enterrar é dar ainda mais prioridade aos automóveis.

eu uso o metro, de quando em vez. conheço pessoas que o usam muito e falam muito bem. tu usas o metro?

já agora, o sistema está montado, está em expansão (lenta, é certo, mas em expansão). o que sugeres é começar tudo de novo? sabes o custo de uma rede totalmente subterrânea? sabes as implicações ambientais?

2- o comboio é muito barato. mantenho o que disse.

3- essa argumentação em relação à fronteira é completamente descabida. 1º, se nós o fizemos, também os espanhóis o fizeram, já que a fronteira é dos dois países. assim, o argumento de que 'nos outros países é assim' desaparece. já agora, uma das grandes virtudes da união europeia é o fim das fronteiras. 2º, vai-se piorar uma viagem comprida (porque todas as deslocações que passam por vilar formoso são compridas) para fazer umas comprinhas na fronteira? e quem não quiser? 3º que exemplos europeus são esses de que falas? 4º, porque tanta raiva contra portugal, tua e de tanta gente, quando se fala de alguma coisa cá? é preciso deitar sempre abaixo o país?

abraço a todos

 
At segunda jun 30, 10:50:00 da manhã, Anonymous Anónimo said...

Agora digo eu: Porquê tanta arrogância contra mim, sr. Nuno Gomes Lopes?
Eu não o conheço, mas deduzo que seja alguém ligado à "coisa política". Pois só alguém com culpas no cartório vem dizer que está tudo bem, foi tudo muito bem feito, por isso é que Portugal está em 1º em tudo o que é estatística positiva na Europa.

1- Já usei muitas vezes o Metro. Foi uma boa medida. Pena é que nos tenhamos ficado por sobras, que é como quem diz, com um eléctrico à superfície. Já ouvi muita gente de Vila do Conde, Póvoa e Matosinhos queixar-se do Metro, e, pelo que sei, com toda a razão. Por alguma razão em Espanha, a nova rede de Metro de Málaga está a ser construída em subterrâneo em quase toda a sua extensão, principalmente nas zonas urbanas (menos densas que Senhora da Hora ou Matosinhos). E o Porto é muito maior que Málaga. De notar que o Metro de Málaga está a ser construído por iniciativa da Junta da Andalucía. 2º- O que eu proponho não é começar tudo de novo, mas quando as coisas estão mal feitas, não nos devemos conformar com elas. Ainda por cima quando se está prestes a cometer mais uma asneira: a linha de Gondomar. O que eu proponho é uma linha directa e subterrânea entre Campanhã, Freixo, Valbom e Gondomar, e talvez outra entre o Dragão e Rio Tinto, também subterrânea. Diga-me então o que acha da linha de Gondomar e do seu percurso. Quanto à linha de Matosinhos, não seria assim tão difícil construiur uma segunda linha, subterrânea, entre a Casa da Música e Matosinhos. Veja a quantidade de linhas que estão em construção e concurso no metro de Lisboa. Se há dinheiro em Lisboa... Impactos ambientais: só vejo desvantagens em fazer passar uma linha de metro de superfície por uma zona residencial de alta densidade como acontece em Matosinhos: ruído, impactes no trânsito, risco de acidentes com automóveis e peões, risco de vandalização das linhas e material circulante, etc.

3- A argumentação em relação à fronteira. Os espanhóis concordaram com estas pseudo-fronteiras porque, do seu lado, das duas uma: ou não existe comércio (casos das fronteiras de Chaves, Quintanilha, Vila Verde de Ficalho) ou existem grandes cidades (ex. Badajoz, Ayamonte, Tui). Os espanhóis nunca ficaram a perder. Pelo contrário. 3º Se tanto me pede exemplos, veja as fronteiras entre a Espanha e a França, principalmente Irún/Bayonne (País Basco) e Le Perthus (Catalunha). Em ambos os casos, mesmo com a construção da auto-estrada, a alfândega manteve-se lá, os veículos continuam a passar a velocidade reduzida e a ser sujeitos, não raras vezes, a controlo policial (A UE permite aos países fechar as fronteiras em caso de ameaça criminosa ou terrorista, o que em Portugal, com a história das auto-estradas, se tornou impossível). Em Le Perthus, para atenuar as perdas desta vila que pertence aos dois países, criou-se uma zona franca, onde não há impostos, o que fez desenvolver (e muito) o comércio dos dois lados. Será que em Portugal haveria coragem para tornar Vilar Formoso numa zona franca? Duvido. 2º esse argumento é que é completamente descabido. Se fosse assim eliminava-se também os nós das auto-estradas, como o A23/A25 (80 km/h) ou o nó do Caçador (1 km a 80 km/h) que atrasa e piora muito mais qualquer viagem do que os 900 m da avenida da fronteira que são, normalmente, percorridos a 90 km/h. A mania das auto-estradas e do betão dá nisto, mas quem vê o país apenas a partir de duas cidades não pode ter visão para mais, eu sei. 4º Não tenho raiva contra Portugal, abençoados sejam os portugueses que se matam a trabalhar neste país de miséria. Apenas critico quem nos tem governado nos últimos anos, gente incapaz, corrupta e facilitista, que com soluções destas nos está a levar ao descalabro. E os nossos empresários, que em vez de investir a sério onde é preciso, para gerar lucros, se preocupam em roubar ao Estado o mais que possam, e viver à espera do subsidiozinho. Somos um país de gente trabalhadora, empenhada e talentosa, e temos disso bons exemplos, casos de sucesso internacional como a nossa indústria do vinho, do mobiliário e da cortiça. Pena que sejam a minoria.

Afonso Miguel, Beira Interior

 
At segunda jun 30, 11:19:00 da manhã, Blogger Nuno Gomes Lopes said...

caro afonso miguel

devo primeiro anunciar que me sinto lisonjeado pela quantidade de palavras dispensadas. adoraria continuar a discussão, mas não nos termos que resultaram da tua última participação. vejamos, eu não tenho 15 anos, nem imagino que tu tenhas 15 anos. detesto política, mas

'Eu não o conheço, mas deduzo que seja alguém ligado à "coisa política". Pois só alguém com culpas no cartório vem dizer que está tudo bem, foi tudo muito bem feito, por isso é que Portugal está em 1º em tudo o que é estatística positiva na Europa'

não é coisa que se diga. se quiseres, eu volto à discussão. basta mudares de tom.

abraço a todos

 
At segunda jun 30, 10:20:00 da tarde, Anonymous Anónimo said...

Caros Afonso Miguel,
Caro Nuno Lopes,

O nosso País não é dos melhores e está muito longe de ser dos piores. Em termos absolutos, até evoluimos muito, desde há 35 anos a esta parte, uma vez que o consulado político anterior não merece qualquer referência nesse sentido. As questões relacionadas com o Porto ou com Vilar Formoso são uma gota no oceano político e, muito provavelmente, não representam a parte mais significativa das questões políticas com incidência forte na vida das pessoas. Individualizar os temas, por exemplo, no Metro do Porto (lembrem-se que é o melhor Metro Ligeiro do Mundo, na sua categoria - foi assim concebido como projecto desde o início - é arranjar "lenha para uma fogueira" que nunca mais de sacia e é perder um tempo precioso, com os riscos elevados de tensões pessoais e colectivas.
O que interessa é verificar se temos condições e capacidades para uma mais que melhoria relativa, se conseguimos ter condições para mais que convergirmos com os países que continuam a estar cada vez mais evoluidos que nós. O tal exemplo de excepçãodo Metro do Porto comprova que temos gente com muita capacidade para fazer do melhor que há no planeta, havendo só que transpor para a política tais desígnios e capacidades, num figurino políitco qualitativamente diferente do actual, onde a regionalização autonómica e novos protagonistas políticos tenham a primazia da intervenção em todos os domínios da sociedade, num quadro de subsidiariedade e coesão nacionais que permitam intensificar:
(a) A Soberania Nacional.
(b) O Desenvolvimento Económico e Social (não basta crescer).
(c) O Conhecimento e a Tecnologia (por exemplo, ESPECIALIZAR AS UNIVERSIDADES).
(d) O Equilíbrio Social.
Para fazer isto não é preciso dizer mal de tudo, Senhor Nuno Lopes, mas apontar designios nacionais e apresentar soluções que permitam reduzir a desvantagem para os nossos parceiros da União Europeia e corrigir o que ainda é feito mal ou com insuficiência para garantir um estádio de desenvolvimento compatível com as nossas reais capacidades.
Estas capacidades não se encontram fora do País (não me estou a referir aos nossos emigrantes que são um exemplo perfeito do nosso desleixo - para não utilizar outras palavras mais "puxadas" - em aproveitar a capacidade que têm demonstrado e posto, e muito bem, ao serviço de outros países, já que os nossos responsáveis políticos não descansaram enquanto não os obrigaram a emigrar, não reconhecendo nenhuma importância aos seus valiosos contributos), dizia que tais capacidades (materiais, culturais, turisticas, ambientais, paisagisticas, produtivas e HUMANAS) estão cá dentro quase integralmente por aproveitar, não por estrangeiros mas por nós próprios.
Por isso, só a regionalização pode concentrar-nos e mobilizar-nos quanto aos objectivos políticos principais e imprescindíveis ao desenvolvimento, num esforço crucial de convergência real para com outras sociedades (não sómente economias) mais evoluidas.
Mais importante que dizer mal é apontar vias de solução por onde possamos "passar" com rapidez e eficácia rumo ao desenvolimento e à convergência com o que de mais evoluído existe à face da Terra, tanto humana como materialmente.
Com a maior convicção de quem conhece bem o nosso País e no cumprimento de desígnios nacionais que também permanecerão HISTÓRICOS, EM QUALQUER FUTURO, A REGIONALIZAÇÃO AUTONÓMICA, BASEADA NA CRIAÇÃO E IMPLEMENTAÇÃO DAS 7 REGIÕES AUTÓNOMAS, apresentaar-se-à como a solução política ESTRUTURAL para a resolução dos nossos problemas ancestrais, sem "comentadores de bancada" nem "argumentos de tasca".

Assim seja, amen.

Sem mais nem menos.

Anónimo pró-7RA. (sempre com ponto final)

 
At segunda jun 30, 11:26:00 da tarde, Blogger Nuno Gomes Lopes said...

Caro Anónimo pró-7RA. (sempre com ponto final),

trata-me por Nuno, por favor. E por tu.

 
At quarta jul 02, 01:25:00 da manhã, Anonymous Anónimo said...

Caros Nuno Gomes Lopes,

Agradeço com deferência a confiança, mas se me conhecesse pessoalmente não se atreveria a apresentar uma proposta de tratamento por "tu".
Para mim será favor continuar a tratá-lo por "você" ou por "caro Nuno Lopes", sem mais.

Anónimo pró-7RA. (sempre com ponto final)

 
At quarta jul 02, 02:17:00 da manhã, Anonymous zangado said...

Concordo inteiramente com o artigo publicado por Afonso Miguel que retrata, de maneira fidedigna o que se passa em Portugal no campo dos transportes e não só. Quanto aos restantes intervenientes o metro do Porto é mais caro e em distâncias muito inferiores às de Lisboa. Há linhas que não foram pensadas como uma que ligasse toda a parte alta da cidade, desde Contumil ou o estádio do Dragão, Pr. Velasquez (com a loja do cidadão), Marquês, onde se poderia mudar para a linha amarela com detino à baixa e Gaia ou, em sentido contrário para o hospital de S. João, depois Antero de Quental com saídas para a Lapa ou para fora da cidade para S. Mamede ..., o BCG, Oliveira Monteiro e ligações ao Carvalhido, Monte dos Burgos ... e finalmente Casa da Música. Poderia terminar aí ou ligar a outra linha proposta para ligar a Casa da Música pelo Campo Alegre a Gaia, na zona da Arrábida.
Quanto à quesão de fundo é sempre a mesma: para Lisboa e arredores há sempre dinheiro, para o resto do País só vão umas migalhas para contentar os "provincianos".
Com cumprimentos de
zangado

 

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