quinta-feira, setembro 25, 2008

UM PAÍS PENDURADO DE LISBOA


por António Azevedo

Sendo ponto cardeal, por que razão o Norte não só perdeu o norte como anda em desnorte e colateralidade? Onde estão Portus Cale, o Berço, a Língua? O que o faz passivo, manso, abúlico e anestesiado? Onde estão os provincianos – primeiros-ministros, ministros, deputados e afins – que foram morar para Lisboa ou que permanecem aqui como seus mandatários? Cada vez mais, o País é macrocéfalo.

E de tanta macrocefalia, um destes dias, arrisca-se a não só não ter somente cabeça, como, a mantê-la, não a suportar, de tão grande e pesada. Um País pendurado de Lisboa. E tudo isto é ainda mais incompreensível e estranho, quando damos conta de que os maiores empresários são do Norte.

Como era saudável para Lisboa, a abarrotar, e para o País, depauperado e desigual, haver um corpo nacional equilibrado. Com excepção dos cabeçudos, não vejo quem se possa opor a esta terapia.

Na falta de uma Regionalização, sustentada mais por cidadãos e menos por partidos, era importante a criação de um Movimento e de um rosto que fossem a voz e a face do Norte. A experiência recente diz-nos que a maioria dos autarcas, além de estarem atados às coutadas partidárias, estão mais interessados em olhar para o seu umbigo do que para a Região. O Norte não é pobre como o poder central nos quer fazer crer, para justificar e justificar-se do seu atraso.

A sua riqueza é, sim, esbulhada sem qualquer retorno. Não é a existência de água mineral (mais cara do que a gasolina) – de Bem Saúde, agora Frize, das Pedras Salgadas e de Vidago – que nos mata a sede. E que mais e melhor luz nos traz o facto de o maior número de barragens se localizar na bacia hidrográfica do Douro? E trouxe mais humanidade para as gentes durienses a eleição do Douro como Património Mundial da Humanidade? E que fica do vinho – generoso e de consumo – das serras surribadas e do turismo, senão embriaguez para tudo esquecer?

E que solidez para a Região a exploração dos seus granitos? E das grandes superfícies, além do emprego, que benefício fica na Região? Se dez por cento da riqueza criada na Região ficasse no Norte para o seu desenvolvimento, não só a realidade seria diferente como os políticos deixariam de poder vir aqui a darem-nos auto-estradas como se nos estivessem a fazer algum favor.

E como se tudo isto não chegasse, fecham linhas de comboio, correios, urgências, escolas, maternidades e o que mais se verá.

Terminamos, realçando a ideia acima avançada: a necessidade de criação de um Movimento empenhado em inverter a crescente depauperização do Norte, principalmente do seu interior, e em aproximar-nos económica e culturalmente da Galiza, com respeito pelo todo nacional, pois o contrário seria dar razão àqueles que querem manter a situação como está.

Sem magnetismo social, o Norte não se encontra.

11 Opiniões

At quinta set 25, 08:25:00 da tarde, Anonymous Anónimo said...

Caros Regionalistas,
Caros Centralistas,
Caros Municipalistas,

Tomara que o nosso País fosse "um País pendurado de Lisboa". Cada vez estou me convenço que é tão sómente "UM PAÍS PENDURADO", onde Lisboa desempenha o seu papel por ser a cidade-capital.
Mas nestas questões do desenvolvimento, a cidade-capital, apesar de muitos quererem que o seja, não é o País todo, nem as potencialidades de colaboração se esgotam na Galiza. Há outras regiões fronteiriças do lado de lá que anseiam também por estabelecer laços de cooperação (Léon Y Castilla e outras) como forma de debelar o isolamento e a desertificação e, para este fim estão bem acompanhadas pelas regiões do lado de cá que reafirmam o mesmo anseio.
Muito embora no texto se resuma o interesse de uma certa zona geográfica, situada a Norte, o interesse de nos "pendurarmos num programa de desenvolvimento" é NACIONAL e só será possível com um processo político baseado na regionalização do território continental. Não numa regionalização qualquer, mas na que garanta uma efectiva descentralização política, com todas as letras do alfabeto: a regionalziação autonómica, com 7 Regiões Autónomas bem definidas e afirmadas constitucionalmente, acompanahda de protagonistas políticos de nova geração, já insistentemente caracterizados aqui neste "blogue".

Assim seja, amen.

Sem mais nem menos.

Anónimo pró-7RA. (sempre com ponto final)

PS - Este texto é apenas uma opinião; se ninguém contrargumentar será verdade absoluta e serei o seu "dono".

 
At sexta set 26, 12:30:00 da tarde, Anonymous zangado said...

Inteiramente de acordo com quase tudo.Nem o Norte nem Portugal são tão pobres como nos querem fazer crer.O problema está, há muitos anos, na má gestão dos recursos nacionais e na excessiva concentração dos recursos de todo o País na zona de Lisboa e, mais recentemente, no Alentejo. A macrocefalia e o centralismo de Lisboa são um cancro que está a destruir a unidade nacional, pois os mais atentos já não estão dispostos a aceitar esta realidade. Por isso, torna-se cada vez mais necessária e urgente a criação de regiões efectivamente autónomas (falta saber quantas)e não apenas "administrativas" e comandadas por Lisboa. Na realidade, se os actuais partidos não resolvem o problema e a maioria dos políticos, que por aí andam, defende ou aceita a centralização excessiva que temos, então, na realidade, precisamos de unir os defensores de uma mudança efectiva num movimento que defenda, efectivamente, os portugueses do Norte e de outras eventuais regiões.Só que, o mais certo, é aparecerem logo políticos que nada fizeram, até hoje, pelo Norte, por exemplo, a tentar entrar nesse movimento e surgirão, de certeza, críticas ferozes dos políticos centralistas e seus lacaios na imprensa e na nossa região a esse movimento.Movimento e não partido pois a Constituição que temos, de propósito, impede-o, o que não quer dizer que não seja possível criar um, a questão reside em saber fazê-lo. Quanto a um homem que corporize o Norte existem alguns vultos, mas não sei se terão o carisma e a coragem necessários para afrontar o "sistema" vigente. Quem não serve, de certeza, são os políticos dos partidos actuais que, sendo do Norte, sempre aceitaram e alguns até apoiaram a centralização e concentração dos gastos nacionais, de forma prejudicial ao resto do País, em Lisboa e arredores. Podia indicar nomes, até de deputados e presidentes de câmaras mas não o quero fazer. Com esses não podemos contar nem com os desportivamente "colonizados" que só vêem o vermelho à frente.
Cumprimentos.

 
At sexta set 26, 02:51:00 da tarde, Anonymous Anónimo said...

Estão obcecados por criar mais um terreiro do paço no Porto?

 
At sexta set 26, 03:02:00 da tarde, Anonymous Anónimo said...

Caro pró-7RA:
Gostaria de lhe colocar uma questão.Caso o seu projecto de 7 RA se concretiza-se, presumo que cada RA teria uma capital.Diga-me por favor quais as 7 capitais que o senhor propunha.
Ps: não me venha dizer que isso é uma questão de somenos importância, porque quem tem ideias tão claras acerca de um assunto deve ter um projecto que toca todas as vertentes.
Vá lá,por favor, 7 nomes de cidades ou vilas, sem rodeios.
Agradeço desde já a sua resposta.

Sem divisões,por um portugal descentralizado e coeso.

 
At sexta set 26, 06:53:00 da tarde, Anonymous Anónimo said...

Vocês são uns regionalistas obcecados e com uma mentalidade doentia!

Parece que engoliram um gravador!É vira o disco e toca o mesmo. Como se a regionalização fosse a maior necessidade do país e a cura para todos os males!

 
At sexta set 26, 07:09:00 da tarde, Anonymous zangado said...

Pequena observação:
é por causa de certas observações infelizes de "anónimos" que, eventualmente um dia, o "terreiro do paço" venha a ser para as pessoas do Norte apenas uma praça de uma cidade estrangeira.
Sem cumprimentos.

 
At sexta set 26, 07:41:00 da tarde, Anonymous Anónimo said...

Caros Regionalistas,
Caros Municipalistas,
Caros Centralistas,

Aos Anónimos disse ... das 02:51:00 PM, 03:02:00 PM e 06:53:== PM, em especial,

Não tenho qualquer interesse em saber se se trata do mesmo anónimo ou não, por não ser relevante para o projecto político da regionalização. Este projecto é, antes de mais e não me tenho cansado de escrever, um projecto político de maior envergadura que a própria regionalização. Se o não for, o trabalho político a desenvolver ficará sempre incompleto.
Desculpar-me-ão certamente o(s) mencionado(s) anónimo(s), mas as suas intervenções são típicas de quem tem receio (em calão: cagufes)da regionalização, como processo depurador da política portuguesa, ou de quem tem uma visão suficientemente corporativista para impedir a mobilização de um entendimento compatível com a descentralização política que a regionalização pretende implementar.
Lançar suspeitas e intenções obscuras ou enviesadas a quem pretende e defende apenas implementar um projecto político enquadrador e potenciador do desenvolvimento equivale a marcar pontos nos argumentos contra a regionalização, pelas piores razões, e a dar incentivos reais aos verdadeiros centralistas.
Por isso, já existem ideias definidas e precisas onde localizar as capitais provinciais e regionais, relativas às 11 província e às futuras 7 regiões autónomas portuguesas do território continental. Mas não espere o anónimo que tão subtilmente solicitou a sua especificação que se vá agora cair na ratoeira de entrar num "buraco discursivo e argumentativo" que não conduz a qualquer objectivo nem a qualquer destino regionalista, através de uma discussão interminável com argumentos vazios e susceptíveis de resvalar para os insultos, como aqui já aconteceu.
A este propósito, nunca nos Estados mais avançados, a denominação e localização das capitais de Estados, Regiões Autónomas, Cantões, etc., foi alvo de contestação por a escolha ter recaído sobre simples localidades em prejuízo das grandes metrópoles. No nosso País, admira-se ainda muito a multiplicação deste tipo de picardias políticas, próprio de sociedades "paroquiais" e aculturadas, mais para impedir as realizações úteis (a inveja, sentimento inútil, estúpido e perfilhado por sociedades atrasadas, iletradas e sob o signo de bruxarias tem aqui o seu papel) do que para auxiliar na implementação do necessário em termos políticos e do desenvolvimento.

Sem mais nem menos.

Anónimo pró-7RA. (sempre com ponto final)

PS - Escusam de vir com os argumentos do costume: "porque o senhor assim, porque o senhor assado", ...; é tempo perdido. E nem sequer ousem em insultar porque nada adianta e as acções só ficam com quem as pratica, mesmo no anonimato. Neste aspecto, o povo continua a ter razão: "Só fala (insulta, maldiz, etc.) quem tem que se lhe diga", infelizmente.

 
At sábado set 27, 03:57:00 da tarde, Anonymous Anónimo said...

Pois bla,bla ,bla,bla....
Pois a capital da sua Região Autónoma, entre Douro e Minho seria o Porto, e as outras seis?
Vá lá, sem rodeios.

 
At sábado set 27, 04:23:00 da tarde, Anonymous Anónimo said...

Caro Anónimo,

Nem pense; não é a altura de cair numa ratoeira política lançada por principiantes da política mas especialistas da intriga política.
E depois: bla, bla, bla ,bla, ..., mais bla, bla, bla bla, ..., mais bla, bla, bla, bla, ..., bla, bla.
Percebeu a ideia?

Os meus subidos cumprimentos.

Sem mais nem menos.

Anónimo pró-7RA. (sempre com ponto final)

 
At sábado set 27, 06:39:00 da tarde, Anonymous Anónimo said...

Capitais regionais.
A falsa questão da regionalização.

Não podemos pensar na regionalização como um conjunto de novas centralidades. Não, a regionalização tem que ser DESCENTRALIZADORA, para tornar Portugal um país mais COESO e uniforme, em termos sociais e económicos. Por isso, o modelo que acho mais correcto para a Regionalização de Portugal Continental é o da DESCENTRALIZAÇÃO dentro da própria Regionalização. Como assim?
Aproveitando a Regionalização para efectuar um conjunto de reformas profundas, mas efectivas, no funcionamento do nosso país, principalmente ao nível da Justiça, Segurança, Educação, Obras Públicas, Saúde, Agricultura, Economia e Finanças.
Hoje em dia, existem vários organismos, ocos, sem poder efectivo nem aplicações práticas, nas 5 CCDR's. Uma reforma efectiva passaria pela sua liminar extinção, e pela criação de novos organismos, com maiores poderes, e que tornassem mais eficiente a "máquina" do estado central e dos governos regionais. Estes vários organismos seriam sediados em diferentes localidades espalhadas pelas diversas regiões. Assim, e em resposta aos anónimos que têm postado neste blog, interpelando o Anónimo Pró-7RA, avanço com uma proposta neste sentido, a saber:

-Junta Regional (Governador Regional, substitui as actuais presidências das CCDR's):
Braga (EDM), Mirandela (TM), Coimbra (BL), Guarda (BI), Santarém (ETR), Évora (ALT) e Faro (ALG).
(critério de selecção seria a centralidade dentro da região e a posição estratégica em termos de acessibilidades dentro e fora desta);

-Parlamento Regional (em que se reuniriam os presidentes das autarquias da região, e os deputados eleitos por cada distrito, sem salário fixo mas pagos através de senhas de presença):
Porto (EDM), Vila Real (TM), Leiria (BL), Castelo Branco (BI), Lisboa (ETR), Beja (ALT), Portimão (ALG)
(o critério seria a dimensão e o número de habitantes das cidades, dando-se primazia às cidades maiores de cada região, caso não sejam local de Junta Regional);

-Direcção-Regional de Economia e Finanças (substitui as actuais Direcção de Serviços de Comunicação e Gestão Administrativa e Financeira das CCDR's, e tem competências alargadas ao nível da promoção económica da região):
Guimarães (EDM), Chaves (TM), Aveiro (BL), Fundão (BI), Setúbal (ETR), Portalegre (ALT), Albufeira (ALG);
(critério seria o dinamismo económico, a importância da indústria e a concentração de serviços nas cidades escolhidas)

-Direcção-Regional de Saúde (Substitui as actuais ARS):
Viana do Castelo (EDM), Bragança (TM), Viseu (BL), Seia (BI), Caldas da Rainha (ETR), Elvas (ALT), Lagos (ALG)
(critério seria a presença de hospitais de média dimensão)

-Direcção Regional de Educação, Cultura, Património e Turismo (substitui as actuais DRE e CAE, as delegações regionais IPA e IPPAR, e as Regiões de Turismo):
Valença (EDM), Miranda do Douro (TM), Coimbra (BL)- excepção devido à particularidade da Universidade de Coimbra; Covilhã (BI), Tomar (ETR), Marvão (ALT), Silves (ALG).
(Critério seria a presença de Universidades públicas ou respectivas delegações, ou a existência de património cultural de relevo)

-Direcção Regional de Agricultura e Pescas (substitui as actuais DRA e DRP, bem como a Direcção de Serviços do Litoral, Direcção de Serviços de Águas Interiores, e Direcções Regionais de Florestas):
Vila do Conde (EDM), Régua (TM), Figueira da Foz (BL), Sertã (BI), Peniche (ETR), Sines (ALT) e Olhão (ALG).
(Critério seria a predominância da agricultura e/ou das pescas nestes concelhos)

-Direcção Regional de Ambiente, Obras Públicas e Ordenamento do Território (substitui os seguintes organismos das CCDR's: Direcção de Serviços de Ambiente, Direcção de Serviços de Ordenamento do Território, e Centro de Avaliação de Políticas e Estudos Regionais):
Terras de Bouro (EDM), Freixo de Espada-à-Cinta (TM), Figueiró dos Vinhos (BL), Sabugal (BI), Sintra (ETR), Odemira (ALT), Tavira (ALG)
(o critério seria a presença de Parques ou Reservas Naturais nos concelhos seleccionados);

-Direcção-Regional de Segurança (substituiria os Serviços de Fiscalização das CCDR's, as Regiões Militares, os Serviços de Alfândega e do SEF, e coordenaria as actuações da PSP e da GNR a nível regional):
Melgaço (EDM), Quintanilha (TM), Mealhada (BL), Vilar Formoso (BI), Vila Franca de Xira (ETR), Barrancos (ALT) e Vila Real de Santo António (ALG)
(o critérios seria a ocupação dos antigos edifícios de alfândegas abandonados nas zonas fronteiriças, e a escolha de pontos estratégicos nas restantes regiões.)

Só assim se produziria uma efectiva e concreta descentralização, não só ao nível do país, como também dentro das próprias regiões, evitando disparidades entre as diferentes cidades, e apoiando o desenvolvimento das zonas rurais e em despovoamento, nas sete regiões:
-Entre Douro e Minho (EDM);
-Trás-os-Montes (TM);
-Beira Litoral (BL);
-Beira Interior (BI);
-Estremadura e Ribatejo (ETR);
-Alentejo (ALT);
-Algarve (ALG)

Afonso Miguel, Beira Interior

 
At sábado set 27, 08:30:00 da tarde, Anonymous Anónimo said...

Caro Afonso Miguel,

Fica tudo muito complicado, em termos organizativos.
É basilar a seguinte regra organizativa, com provas dadas por milhares de anos:
* "Papa"
* "Bispos"
* "Padres"

Antecipar já uma descentralização político-administrativa, por região, é introduzir mecanismos de discordânciaa geradores dos mais primários antagonismos entre populações locais de uma região e, até, entre regiões, desnecessariamente.
A regionalização política é também um processo de maturação política e as pressas não são boas conselheiras.

Aqui é que deve ser sem mais nem menos.

Anónimo pró-7RA. (sempre com ponto final)

 

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