segunda-feira, outubro 27, 2008

Menezes e a Regionalização

(...)
O meu PSD defendia a regionalização. Agora não sei, defende-se o silêncio. O que sei é que há muitos anos que este combate e a liderança de projectos do ponto de vista regional estão congelados. A última personalidade que teve qualidade neste combate foi o dr. Fernando Gomes.

A única possibilidade [de fazer a Regionalização] era através da mudança da Constituição para evitar o referendo e talvez pela criação de regiões experimentais, por decisão governativa. Quem vive da actual situação não quer a regionalização. Hoje os políticos de fora de Lisboa pouco contam, os jornalistas de fora de Lisboa pouco contam e os homens de cultura de fora de Lisboa não contam rigorosamente nada.

Luís Filipe Menezes em entrevista Rádio Nova/Público desta segunda-feira 

8 Opiniões

At segunda out 27, 07:26:00 da tarde, Anonymous Anónimo said...

Caros Regionalistas,
Caros Centralistas,
Caros Municipalistas,

Com a regionalização, haverá muito boa(?) gente a perder privilégios, mordomias e suzeranias; do outro lado da balança, pateticamente bem carregado, há populações a perder tudo, mesmo as oportunidades de desenvolvimento que as condições da actualidade facultam do ponto de vista da tecnologia, do conhecimento e das facilidades e comodidades de comunicação.
O que não se tem feito, em termos da implementação de um poder regional, é muito menos um exercício de incompetência, uma manifestação de preguiça ou um simples gesto de teimosia do que uma falta de vontade política, para nossa inteira desgraça, ao termos de "aguentar" sucessivos políticos-de-turno, por todas as razões indicadas no 1º. parágrafo deste comentário.

Sem mais nem menos.

Anónimo pró-7RA. (sempre com ponto final)

 
At terça out 28, 12:39:00 da manhã, Blogger templario said...

Luís Filipe Menezes descobriu a galinha de ovos de oiro para se manter à tona: a regionalização, sem o voto popular, imposta de cima para baixo. E percebe-se porquê: o povo vai recusá-la de novo e lá se vai a distribuição de poder. A razão desta ânsia pela regionalização pode encontrar-se nestas palavras de Guerra Junqueiro em 1896:

"Dois partidos sem ideias (referia-se aos Regenerador e Progressista de então, se a memória não me falha), sem planos, sem convicções, incapazes, vivendo ambos do mesmo utilitarismo céptico e pervertido, análogos nas palavras, idêntico nos actos, iguais um ao outro como duas metades do mesmo zero, e não se malgando e fundindo, apesar disso, pela razão que alguém deu no parlamento, de não caberem todos duma vez na sala de jantar"

Nada melhor que criar 5 terreiros do paço, ou seja, mais 5 "salas de jantar", digo eu.

Os movimentos de intelectuais galegos na luta pela sua libertação do jugo Espanhol estão a manipular muito bem alguns "lobbies" do Porto.


Diz o Prof. Doutor Xavier Vilhar Trilho, presidente da Ass. Amizade Galiza-Portugal (em 2003):

"É totalmente plausível que - no processo constituinte de reestruturação federal de um Estado unitário, como o Espanhol - se ponha de manifesto que algumas partes de tal Estado, participantes em tal processo, optem por o abandonar e por preferir federar-se com outros estados ou partes desses outros Estados, que não quisessem continuar a fazer parte deles". (...)"Não se conseguirá uma Europa unida se não lograr antes um reino de Espanha roto, uma França divisível, um reino da Grã Bretanha desunido, uma Alemanha dividida, uma Itália federalizada e, talvez, um Portuga regionalizado".... Repare-se no eufemismo aplicado ao "Portugal regionalizado"... fugindo a Portugal dividido, federado ou confederado na ibéria, ou um PORTUGALIZA.

Verifiquemos agora o que escreveu Elisa Ferreira (a "Ronalda" da regionalização), no "JN", dia 19/10/08:

"As fronteiras são as cicatrizes da história na pele da Terra. A Galiza e o Norte de Portugal partilharam a cidadania romana e permaneceram unidas até ao século XII; a fronteira então traçada é a mais antiga, e portanto pacífica, da Península. Depois de terem vivido separadas e como estranhas durante demasiado tempo, a União Europeia reuniu-nos de novo numa cidadania comum e tornou possível que nos tenhamos agrupado como a primeira euro-região ibérica.
A Europa começa em cada casa e a sua única razão de ser é a procura do bem-estar dos seus habitantes.
Isto é o caminho para um futuro separatismo que Elisa Ferreira parece admitir com a maior descontração.

O que esta Senhora conseguiu aprender em Bruxelas! O que esta Senhora conseguiu esquecer de Portugal - uma História de 900 anos! As ganas que esta Senhora tem por protagonismo, ao ponto de poder entrar numa via separatista se bem empurrada. Trata-se apenas de um exemplo.


E LFMenezes e Cia. para aí caminham, quer tenham ou não consciência disso.

Apetece alertar o SIS para seguir os movimentos destes regionalistas.

 
At terça out 28, 01:09:00 da manhã, Anonymous Gaiato alentejano said...

Acho que relacionar a regionalização com os interesses? de alguns grupos nacionalistas galegos que não são maioritários é um insulto à inteligência. Não digo que não existam, mas até o BNG (Bloque Nacionalista Galego), partido que faz parte da coligação que governa agora a Galiza com o PSG (socialistas galegos) está mais interessado em obter mais regalias para a sua "nacionalidade histórica" que é a Galiza do que formar parte de uma hipotética e absurda Portugaliza. Os elementos comuns entre a Galiza e o Norte de Portugal lá estão. Ninguém pode apagá-los por muito que alguém queira.

Usar essas alegadas declarações contra a regionalização é um exercício de demagogia intelectual. Até porque as reiteradas declarações do senhor Jardim sobre a independência da Madeira são mais sérias do que isso.

Uma coisa que tenho observado por parte das pessoas que são contra a regionalização como parece ser o tal "templário" é que os seus argumentos se reduzem a:

1-Questões económicas, quer dizer, criação dos poderes regionais "esquecendo-se" de que a transferência de poder e recursos para as regiões implica uma diminuição dos recursos do poder central, uma vez que não gere tantas áreas administrativas.

2-Uma procura de alegados inimigos da pátria, que podem, eventualmente dissolver a unidade nacional, que têm de ser procurados no estrangeiro, como é o caso da Galiza.

3-NUNCA dão uma solução à situação de impasse que está a viver o nosso país. Limitam-se apenas a criticar, algo no que somos os campeões a nível mundial: criticar para não dizer nada de construtivo depois.

Qual seria a sua solução, Sr. Templário, uma vez que acha que a regionalização em Portugal não seria positiva para o país? E não me venha com que não é especialista porque criticar é muito fácil. Oferecer soluções é que não é.

 
At terça out 28, 01:24:00 da manhã, Anonymous Anónimo said...

Caro Templário,

Endossar à Doutora Elisa Ferreira o atributo de "Ronalda da Regionalização" é a melhor anedota alguma vez conhecida no regime democrático, se tivermos em atenção os resultados nulos dos esforços políticos que desenvolveu a favor de um poder regional, enquanto exerceu funções governativas.

Sem mais nem menos.

Anónimo pró-7RA. (sempre com ponto final)

PS - A dos galegos também não lhe fica atrás.

 
At terça out 28, 12:04:00 da tarde, Anonymous Anónimo said...

Propostas... são propostas.
Eu proponho, não para hoje, mas para um dia destes, o início de dois processos:
1 - Independência dos Açores e da Madeira. Não castiguemos mais aqueles santos dirigentes com o nosso colonialismo. Eles que vendam combustiveis ao preço da uma "mijona" e saúde gratuita, com o dinheiro deles.
2 - Descentralização de funções para os municípios e associações de municípios. Não criem mais burocratas no Porto, Coimbra, Évora e Faro.

PS I - O Dr. Menezes é um homem ferido, desejoso de vingança. Deixem que ele desabafe. Dêem-lhe Gaia e ele fica contente por mais quatro anos.
PS II - A Dra. Elisa, precisa manter o astral em cima. Coitada, sabe o que a espera. Afogar as mágoas políticas em lindos textos literários... faz bem e não nos ofende.

 
At terça out 28, 03:21:00 da tarde, Blogger templario said...

Senhor "Gaiato Alentejano",
Encontrar soluções não é fácil, não senhor. Em Portugal é mesmo complicado.

Pergunta-me sobre qual é a minha solução. Claro que não vou mesmo responder em concreto, é muita areia para um homem só, mas o cerne da contradição principal que inviabiliza um Portugal mais próspero e justo está na prática e cultura política do nosso sistema partidário. Precisa de uma profunda revolução que, a meu ver, só pode ter êxito se feita de fora para dentro, com "violência", determinação e de cariz popular. As próximas manifestações da indignação poderão mesmo ser às portas dos partidos políticos, onde se barricou a pior escória da Pátria que está a adulterar a nossa democracia que, em Portugal, na sua vertente formal, até é um mimo. A direcção do PS divugou uma directiva interna a apelar (na verdade a exigir) para que sejam reeleitos os 19 dirigentes distritais e isto é incrivelmente absurdo. O PSD está como deve saber, regionalizado, balcanizado e sabemos porquê. E só me refiro aos que se ratativizam no poder. Há indivíduos que só deixarão de ser caciques em organizações partidárias quando as populações exigirem que sejam corridos. Os partidos estão ocupados por funcionários públicos, que ocupam cargos de topo e intermédios e se rodeiam de outros de uma inutilidade confrangedoura. Milhões de cidadãos de valor, bem preparados andam por aí aos papéis, sem emprego e no entanto atingiram elevado nível escolar, boa formação e os partidos e governos falam em défice de formação, de escolaridade (que existe). Um borra botas qualquer, amigo ou filho de um tipo bem posicionado na política, entra para a adm. pública para parasitar, bisbilhotar, maldizer, desestabilizar como um rélis lacaio, e isto acontece também nas empresas privadas, as admissões são veiculadas por cunhas internas e externas e nos arquivos vão-se enchendo cada vez mais pastas de arquivo com "applications" que nunca foram lidas - até as mandam para o lixo passado pouco tempo.

Toda a gente sabe que as coisas se passam assim no sistema partidário. Nas novas associações de turismo regional, sabe como são nomeados os seus quadros dirigentes? Eu digo-lhe: o PS nomeia um, o PSD nomeia outro, o PCP nomeia outro, acabou a reunião e viva a democracia! Podia dar-lhe exemplos, mas não me presto a esse papel. Isto passa-se, e decerteza que também se passou na sua circunscrição turística. Nós precisamos de mais democracia, mais democracia e, no entanto, não é esse o método praticado na nossa vida colectiva, com exceção das eleições nacionais e autárquicas, onde o jogo das nomeações através de golpes e contra golpes as viciam na qualidade humana a todos os níveis.

As coisas são simples e por isso mesmo são difíceis de implementar, especialmente quando anda tudo à cata de uma protecção do aparelho de estado e de um lugar na sua "sala de jantar".

E pretende V. a regionalização cozinhada por esta gente faminta,independentemente de outras importantes razões históricas , culturais e geopolíticas?

Se julga que sou daqueles que detesta os políticos e os partidos, tire o cavalinho da chuva. Sou um defensor intransigente do sistema partidário e aprecio muito a actividade política e os políticos sérios, honestos, apaixonados pelo serviço público.

Obviamente que, apesar disto tudo, tivemos e temos muitos políticos que não podem ser incluídos neste antro de oprtunistas sem escrúpulos, muitos deles até odeiam a política, os políticos e... até a democracia. Não queira retalhar Portugal para meter esta gente a governar regiões.

O excerto do Prof. Xavier Trilho pode lê-lo na internet, com o título "A RECÍPROCA CONVENIÊNCIA DE A GALIZA E PORTUGAL LEVAR A TERMO ALGUM TIPO DE UNIFICAÇÃO POLÍTICA". Se o ler todo encontrará imensas afinidades com o discurso de regionalistas de topo-gama do Porto, onde facilmente encontrará analogias com os escritos de Elisa Ferreira e outros. Compare.

 
At terça out 28, 08:13:00 da tarde, Anonymous Anónimo said...

Caro Templário,

Há um pormenor da sua intervenção que não entendo e relaciona-se com a natureza "faminta ($) do poder" por parte dos regionalistas da moda.
Terá provavelmente razão; mas ocorre perguntar se não serão os verdadeiros famintos os que, como tem mencionado nos seus textos, são nomeados um por um partido, um ou mais por outro partido e ainda outros mais por mais outro partido, sempre à roda dos mesmos, nunca deixam os lugares políticos e nos têm enjoado com a sua permente presença (na rádio, na TV, nos jornais, nas revistas)?
Não se apresse, nem os restantes anti-regionalização, nas suas conjecturas de natureza pessoal, em que muitos são especialistas. Na verdade, estão mais interessados em saber quem é quem, nunca directamente com o visado mas por meios interpostos - os que designo por "meios informais" (sabe-se lá para quê, mas adivinha-se; íam logo à NET, escreviam o nome para conhecer o "tipo"), do que em apreenderem o conteúdo das propostas que se apresentam.
Não pense que por detrás daquela pergunta está uma candidatura deste "regionalista topo-de-gama do Porto" a lugares políticos.
É sempre útil conhecer a sociedade em que estamos integrados. Sempre, até e sobretudo para se poder apresentar as que se considera serem as melhores soluções para que o futuro não seja repetitivo do presente, pelas péssimas razões nossas conhecidas, por todos criticadas, mas por muito poucos assumidas com prioridade de eliminação através das condições de desenvolvimento equilibrado e autosustentado, só proporcionadas pela regionalização autonómica 7 Regiões Autónomas).

Sem mais nem menos.

Anónimo pró-7RA. (sempre com ponto final)

 
At quarta nov 12, 12:47:00 da tarde, Blogger Rogério Paulo Pereira said...

Concordo com a abordagem do Anónimo pró-7RA. Afinal porquê tanto medo da Regionalização Autonómica?

Quanto à independência dos Açores e da Madeira, referida por um anónimo num dos comentários, não tenhamos medo nem preconceitos também: se o país se sente mal com estas duas Regiões referendem o assunto.

Eu votarei não, pois não sou menos português que um habitante do nosso territorio continental, e estou convencido que a maioria dos habitantes destas regiões também.

Sinceramente não percebo esta visão de olhar o país a partir do continente e em especial de Lisboa. Afinal poderia usar o memso tipo de raciocínio: Lisboa sente-se mal com as Regiões torne-se independente e deixe Portugal seguir com a sua vida.

 

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