sexta-feira, outubro 17, 2008

Os filhos de um Deus menor

Investimento Público - PIDDAC para 2009

Distrito de Vila Real

Seis concelhos de Vila Real sem «um único euro» inscrito em PIDDAC

Seis dos 14 concelhos do distrito de Vila Real não têm um «único euro» atribuído pelo Plano de Investimento e Despesas de Desenvolvimento da Administração Central (PIDDAC) para 2009.

Este é o terceiro ano consecutivo que o concelho de Boticas não possui verbas inscritas em PIDDAC, uma situação que o presidente da autarquia, o social democrata Fernando Campos, considera ser uma «despudorada perseguição».

O Plano de Investimento e Despesas de Desenvolvimento da Administração Central (PIDDAC) para 2008 prevê um investimento de cerca de 73 milhões de euros para o distrito de Vila Real, mas seis dos 14 concelhos não têm qualquer verba atribuída.

São eles Alijó (PS), Boticas (PSD), Mesão Frio (PSD), Montalegre (PS), Ribeira de Pena (PSD) e Vila Pouca de Aguiar (PSD).


Guarda é distrito penalizado

Aguiar da Beira volta a não ter inscrito em PIDDAC nenhum investimento da administração central. Tal como em 2008, quando a construção da variante à vila desapareceu da lista, para desânimo do presidente Fernando Andrade.

Já Trancoso não tem obras do Estado pela primeira vez, depois de, no ano em curso, ter contado com mais de 491 mil euros.

Nesta "liga dos menos contemplados" há ainda Manteigas, que vai receber mil euros para 'fechar' o projecto de requalificação urbanística da Praça Luís de Camões.

Almeida também foi contemplada com pouco mais de 18 mil euros, destinados a actividades culturais, e o Sabugal poderá contar com 20 mil para melhoramentos em seis freguesias do município raiano.

Para Mêda vão cerca de 28 mil euros, a gastar em cultura e na requalificação urbana. Curiosamente, estas cinco autarquias são presididas por sociais-democratas.

Contas feitas, o distrito da Guarda perde quase 2,5 milhões de euros com este PIDDAC. Ao todo, a administração central inscreveu 55,4 milhões em obras para o ano de 2009.

“Generosidade aparente” para Bragança

O deputado social-democrata eleito por Bragança Adão Silva classificou a duplicação das verbas (de 45 para 88 milhões de euros) do Programa de Investimentos e Despesas de Desenvolvimento da Administração Central (PIDDAC) para este distrito como “um exercício de generosidade aparente”.

Adão Silva frisou mesmo que metade dos concelhos deste distrito transmontano não são contemplados com qualquer investimento, ao mesmo tempo que o grosso das verbas previstas “são absorvidas por uma rubrica mal explicada”.
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6 Opiniões

At sexta out 17, 12:31:00 da tarde, Anonymous Anónimo said...

Caros Regionalistas,
Caros Centralistas,
Caros Municipalistas,

A elaboração do PIDAAC pelos organismos do poder central corresponde ao exercício político mais ineficaz da governação, destruidor de qualquer esforço de "desenvolvimento" equilibrado e autosustentado e destruidor de qualquer esforço de mobilização das populações e de aproveitamento dos recursos próprios de cada região.

Sem mais nem menos.

Anónimo pró-7RA. (sempre com ponto final)

 
At sexta out 17, 04:08:00 da tarde, Blogger rouxinol de Bernardim said...

Há casos de facto muito pouco dignificantes...

Há que criar uma autoridade reguladora para fiscalizar isto, porra!!!

 
At sexta out 17, 05:20:00 da tarde, Blogger hfrsantos said...

Sem Governo Regional que defenda interesses do Norte, Alentejo, Beiras e Algarve, Portugal continuara adormecido e Lisboa continuara a absorver toda a capacidade de investimento e desenvolvimento do Pais.

Precisamos de Governos Regionais no continente como os existentes na Madeira e nos Açores.

Deixem-nos votar e eleger o Governo Regional.
Deixem-nos votar e decidir o futuro da nossa Regiao.

 
At sexta out 17, 08:57:00 da tarde, Blogger Afonso Miguel said...

Hoje é Dia Internacional para a Erradicação da Pobreza. Uma das nossas estações de televisão generalista (TVI, neste caso), decidiu dedicar a sua reportagem semanal a este tema.
Quando pensamos em pobreza, pensamos nela como algo longínquo, desfazado da nossa realidade. Mas não. A TVI foi encontrar casos extremos aqui. No nosso país. Em Portugal. Na Beira Interior.
Na Beira Interior há aldeias de 20 habitantes. Na Beira Interior há alunos que têm de andar horas de autocarro para ir à escola. Na Beira Interior fecham empresas todos os dias. Na Beira Interior grande parte dos solos está ameaçada de desertificação. Na Beira Interior há aldeias que não vêm nascer nenhuma criança há décadas. Na Beira Interior a emigração está a regressar em força. A Beira Interior está a ser abandonada progressivamente.

E que fazem os nossos políticos?
Das duas uma, ou pura e simplesmente dão aos concelhos um orçamento de 0€ para obras públicas (o que acontece largamente neste PIDDAC), ou então dão verbas irrisórias (1000€ a Manteigas !!!), que nem para pagar um mês de salário de um funcionário serve. É esta a situação em que estamos. Parece o terceiro mundo, mas não, é Portugal.

E se houvesse uma região chamada Beira Interior? E se houvesse um Governo Regional da Beira Interior?
Concerteza uma região e o seu governo teriam outro poder reivindicativo, outras verbas, outro raio de acção, outras formas de auscultar os problemas das populações e de resolvê-los.
Em 1998 a Beira Interior deu vários passos atrás. Mas ainda vamos a tempo. Está na hora de lutar para instituir em concreto as Regiões em Portugal Continental, o mais rapidamente possível.

 
At sábado out 18, 01:49:00 da tarde, Anonymous Rotiv said...

Olá :)
O Blogue dos Manteigas passou por aqui ;)
Apenas vou comentar os "mil euros para 'fechar' o projecto de requalificação urbanística da Praça Luís de Camões"...é de rir, mil euros!? assim é que, desvalorizar o interior"...sim sr!? tenham vergonha!!!

Um abraço,
http://bloteigas.blogspot.com/

 
At sábado out 18, 04:55:00 da tarde, Anonymous Anónimo said...

Caros Regionalistas,
Caros Centralistas,
Caros Municipalistas,

Na verdade, a pobreza material abrange cerca de 18% da população portuguesa, um pouco acima de média europeia. Provavelmente, a pobreza mental ou espiritual dos nossos dirigentes é de uma dimensão tal que tem impedido que os instrumentos políticos utilizados na redução dos níveis de pobreza, impensáveis nos tempos actuais do século XXI, dê mais prevalência às exigências de "arredondamentos orçamentais" do que à satisfação dasnecessidades efectivas das populações, estejam tais populações onde estiverem.
A atribuição de 1.000€ num programa de investimentos, pelo departamento de investimentos da administração pública central, só pode ter um único sentido: o ANEDÓTICO.
Será que as pessoas que dirigem tais programas estatais não se enxergam ao espelho, nem sequer sentem o papel ridículo que estão fazer ou o carácter ofensivo de uma inscrição orçamental dessa natureza para um dado município?
Como será isto possível, para se querer atingir seriamente objectivos de desenvolvimento? Será que quem decide está convencido que as populações alvo não são capazes de pensar e de condenar tais decisões ridículas, no mínimo?

Sem mais nem menos.

Anónimo pró-7RA. (sempre com ponto final)

PS - Como vêem, não é mesmo necessário mudar de protagonistas políticos e de regime de governação? Será que ainda têem dúvidas?

 

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