quarta-feira, dezembro 17, 2008

O Norte


A região norte, no futuro irá cindir-se nas Regiões Autónomas de Entre-Douro e Minho e Trás-os-Montes e Alto Douro, é constituida por uma das mais significativas redes de pequenas e médias empreas industriais e comerciais que ainda não se coibem da prática quase quotidiana do salário mínimo como elemento remunerador da prestação do trabalho num quadro de ausência estratégica da actividade empresarial.

Ao nível dos quadros técnicos, já é corrente a deslocação para a zona geográfica da cidade-capital para conseguir um emprego que não ofenda as condições de prestação especializada do correspondente trabalho.

Paralelamente, parece que as novas oportunidades ainda não chegaram integralmente às localidades e empresas da região, porquanto parece não saber-se o que fazer com um volume de desempregados possuidores de tão baixo índice de qualificação para o trabalho que só pode ser competitivo.

As disparidades regionais de desenvolvimento continuarão a acentuar-se se não houver a lucidez política de cumprir o preceituado na Constituição da República Portuguesa na parte relativa à descentralização política, através da regionalização autonómica, porquanto a administratitva já teve o seu tempo oportuno de implementação há 32 anos atrás.

Por isso, a persistência (teimosia) numa solução política de natureza administrativa só poderá contribuir para a preservação, com melhoria ligeira, das actuais indefensáveis e graves assimetrais de desenvolvimento e, pior de tudo, sem assegurar condições equilibradas e autosustentadas de desenvolvimento de cada uma das Regiões Autónomas e, globalmente, do nosso País.

Por outro lado, enquanto não se implementar tal política de natureza estratégica e estrutural, como instrumento de desenvolvimento, continuaremos cada vez mais e sempre vulneráveis aos impactos de crises interna e externa, especialmente aquelas que, embora eclodindo no sector de actividade financeira (mais casino que outra coisa, corporizado por uma especulação desenfreada e com o enriquecimento rápido sem causa como principal estímulo), acabam por dirigir dramaticamente os seus impactos negativos para os sectores de actividade económica, os quais asseguraram excessos de produção que deram largas à tentação de um consumo delirante e financeiramente alavancado sem a consideração equilibrada e prudente dos riscos incorridos através da concessão "quase ilimitada" de crédito.

E assim será eternamente se não existirem condições políticas e de funcionamento das regiões autónomas vinculadas à inventariação e aplicação dos recursos próprios ao sistema produtivo de cada uma das Regiões, num quadro de aproveitamento de recursos endógenos e de complementaridade intra e inter-regional como plataforma de cooperação.

E se o sistema financeiro persistir nas suas formulações matemáticas de concepção de produtos eminentemente financeiros (produtos estruturados; fundos, fundos de fundos, fundos de fundos de fundos, etc.), tendo como suporte o mercado de capitais (não incluindo aqui o mercado interbancário), em desatenção conjuntural ou oportunística dos sectores de actividade produtiva, deveria admitir-se outras soluções de natureza financeira que preservassem as empresas de receber a oferta de um "guarda-chuva apenas quando está sol".

Imaginem, assim, que à semelhança do que fazem alguns sectores de actividade económica com as centrais de compras de bens e serviços, alguém se lembrava de constituir uma "central de financiamento", onde as empresas geradoras de excedentes, sem prejuízo das suas necessidades de investimento, da aplicação de políticas consistentes de dividendos e do seu equilíbrio financeiro, se disponibilizavam para entregar os capitais finalmente disponíveis na referida "central de financiamento", de forma a que as empresas do mesmo(s) sector(es) com necessidades de financiamento obtivessem os capitais necessários para o seu reequilíbrio financeiro e/ou execução de uma política de investimentos, mediante uma taxa de remuneração do capital mutuado fixada pelos dirigentes da "central de financiamento" (atentem na prática da ANAF, neste domínio).

Tratar-se-ía de uma "espécie de "micro-crédito"".


por, Anónimo pró-7RA

1 Opiniões

At quarta dez 17, 01:32:00 da tarde, Anonymous Anónimo said...

Caros Regionalistas,
Caros Centralistas,
Caros Municipalistas,

Sinto-me honrado pela transcrição deste texto pelo coordenador deste blogue imprescindível à divulgação das temáticas em redor da regionalização.
Na edição de hoje do "Jornal de Notícias", o respectivo Director assinala a necessidade de "O PAÍS PRECISA DE QUEM TENHA IDEIAS, PROPOSTAS, ALTERNATIVAS. NOS PARTIDOS E FORA DELES, PORQUE TAMBÉM É EVIDENTE QUE ESTÁ A CHEGAR UMA HORA PARA NOVOS PROTAGONISTAS". No entanto, se algum de nós enviar um texto com pedido de publicação como artigo de opinião sobre um assunto político de importância, o melhor que lhe pode suceder é não obter resposta ou publicar o texto na página das "Cartas ao Director".
Esta prática está generalizada nos órgãos de comunicação social e estes também deverão mudar os seus protagonistas "fazedores de opinião habituais das 2ªs., 3ªs., 4ªs., 5ªs., 6ªs., Sábados e Domingos", exactamente para dar oportunidade aos tais que têm IDEIAS (como abertamente parece defender o referido Director), MESMO QUE SEJAM DIFERENTES DAS OPINIÕES DOMINANTES OU ACERTADAS COM O SISTEMA POLÍTICO, PARTIDÁRIO OU SEJA LÁ O QUE FOR VIGENTES.

Sem mais nem menos.

Anónimo pró-7RA. (sempre com ponto final)

 

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