quarta-feira, setembro 02, 2009

Presidente do Turismo da Serra da Estrela defende as 7 Regiões

Mapa de cinco regiões é o «maior adversário do interior»

Um mapa de cinco regiões «será o maior adversário do desenvolvimento do interior de Portugal», disse à Lusa o presidente da Turismo da Serra da Estrela, Jorge Patrão.

O socialista apoiou o mapa da regionalização apresentado em 1998, «porque autonomizava os territórios do interior». Mas está contra o modelo das cinco regiões administrativas apontado pelo secretário-geral do PS, José Sócrates, na moção em que promete relançar o assunto na próxima legislatura.

«Um mapa de cinco regiões será o maior adversário do desenvolvimento do interior de Portugal», refere, classificando-o como «um monstro de cinco cabeças que acabará por minar a unidade nacional, como se tem visto na Região Autónoma da Madeira».

«As populações deste vasto espaço nunca terão condições para fazer implementar estratégias, já que nos órgãos da Região [Centro] nunca passarão de uma minoria, que representará entre 10 e 15 por cento», considera Patrão.

O socialista diz que apoiaria «um projecto de regionalização que ancorasse autonomia no interior de Portugal e esse significaria sete regiões». «Para criar pequenos novos “Terreiros do Paço”, consumidores de recursos e com factores de esbanjamento, então prefiro o poder de Lisboa, que sempre é mais independente», sublinha.

Jorge Patrão defende um referendo «que ajude ao esclarecimento público que de outra forma não existirá». «Um acordo entre os maiores partidos será uma facada definitiva numa parte daquele que já é o mais desequilibrado país da Europa», referiu.

Excerto de reportagem publicada no Portal da Estrela, edição de 20/02/2009

10 Opiniões

At quarta set 02, 04:08:00 da tarde, Anonymous Anónimo said...

Caros Regionalistas,
Caros Centralistas,
Caros Municipalistas,

Aqui está uma posição política sensata, desde não inviabilize a regionalização autonómica.
Uma região que apenas se preocupa com a cobertura dos défices orçamentais não merece ser região com autonomia política nem mesmo administrativa.
Uma região autónoma tem a obrigação de converter os défices em superávites ou de minimizar consideravelmente os défices crónicos.

Sem mais nem menos.

Anónimo pró-7RA. (sempre com ponto final)

 
At quinta set 03, 01:50:00 da manhã, Anonymous Paulo Rocha said...

Estou em completo desacordo com esta posição do Jorge Patrão. Isto revela o quão próximos estão estes pseudo- regionalistas dos centralistas convictos.

Só quem não conhece a Lei Quadro das Regiões Administrativas e o que está lá consignado sobre a constituição das futuras Assembleias Regionais é que pode tecer este tipo de considerações.

 
At quinta set 03, 01:40:00 da tarde, Anonymous Anónimo said...

Claro que um monstro com sete cabeças pensava melhor que um monstro com cinco.

 
At quinta set 03, 04:28:00 da tarde, Blogger antonioj said...

O que este sr. quer sei eu. Sim porque está a fazer um excelente trabalho na Serra da Estrela. Já conseguiu dividir a Região de Turismo, agora quer fazer mais estrago.

 
At quinta set 03, 04:57:00 da tarde, Blogger Afonso Miguel said...

Caro Paulo Rocha:

Segundo a Lei-Quadro das Regiões Administrativas, as Assembleias Regionais serão compostas por representantes eleitos directamente pelos cidadãos, e por outros indicados pelas autarquias. Ora, sendo que a Beira Interior, apesar de ocupar uma área de 12 533 km² (cerca de 53,0% da área da hipotética "região Centro"), tem apenas 364 995 habitantes (ou seja, apenas 20% da população da hipotética "região Centro") e agrega apenas 25 municípios (dos 78 que teria a hipotética "região Centro"), porque acusa Jorge Patrão de desconhecer a Lei Quadro das Regiões Administrativas? Se fizer as contas, em traços gerais, elas estão aproximadamente correctas, ou seja, 50% da área do "Centro" teria apenas cerca de 15 a 20% de representatividade na Assembleia Regional.

Em segundo lugar, não percebo o porquê de chamar a Jorge Patrão pseudo-regionalista. Este responsável está apenas a defender a sua região. Não se pense que o Interior, nesta matéria, se vai disponibilizar a aceitar este mapa sem pés nem cabeça, apenas para fazer frete ao Litoral, sabendo que está, provavelmente, a assinar a sua sentença de morte, continuando esquecido como dantes. Em 1998, Jorge Patrão pronunciou-se a favor da Regionalização, e agora não se pronuncia contra, apenas está contra o mapa. E desengane-se: a posição de Jorge Patrão é partilhada pela maioria das pessoas desta região...

Antes de se rotular Jorge Patrão de centralista, dever-se-ia fazer uma análise ao que se passa, por exemplo, com alguns que hoje se intitulam regionalistas:
Rui Rio, em 1998, disse não.
Rui Moreira chegou a participar em tempos de antena pelo não, só porque o mapa não lhe convinha.
etc, etc, etc.
Com que autoridade vêm agora estas pessoas intitular-se regionalistas? E se, em vez do mapa de 5 regiões, for para a frente o de 7? Voltam para o não? Esses é que são os pseudo-regionalistas! Há-os, e muitos!

Caro Paulo Rocha, as pessoas do Interior só aceitarão uma regionalização que lhes proporcione soluções concretas no caminho para o desenvolvimento. E isso significa autonomia. Não acreditamos em solidariedade dentro das regiões, sabemos o que tem acontecido com Lisboa em relação ao resto do país, e conhecendo os dados que lhe apresentei acima, temos a certeza que tal vai acontecer dentro deste "Norte" e "Centro" que alguns querem implementar à força.

Até hoje, dos defensores das 5 regiões, não ouvi um único argumento que justifique ser essa a melhor solução, a não ser a história (falsa!) da "solução amplamente consensual". Amigos regionalistas, temos de abrir os olhos: fora do Porto e de Coimbra poucos se revêm neste mapa! Se o problema em 1998 foram os limites, em 2009 são as regiões em si!

Ainda assim, estou disponível, e curioso também, para ouvir o que é que os defensores das 5 regiões têm a propor ao Interior e qual o seu papel no contexto regional e nacional se tal solução fosse implementada.

Saudações regionalistas,
Afonso Miguel (Beira Interior)

 
At quinta set 03, 05:14:00 da tarde, Blogger Afonso Miguel said...

Caro antonioj:

Nesse aspecto, Jorge Patrão não está a fazer um bom trabalho: está a fazer um excelente trabalho.
Compreendo que a existência da região de turismo da Serra da Estrela caia mal em alguns locais: o "sonho" de Coimbra, de ser a sede todo-poderosa de uma região Centro ou, neste caso, apenas de uma região de Turismo do Centro, fica comprometido...
Se Jorge Patrão não fosse presidente da RTSE, hoje tudo o que tem a ver com o turismo de mais de metade da Beira Interior estava a ser gerido em Coimbra... a mais de 150 kms de distância...
Assim, o turismo é gerido localmente, na Covilhã, ou seja, há uma gestão muito mais eficaz e, principalmente, há conhecimento de causa... O que percebe Coimbra de neve, desportos de Inverno, estâncias de esqui, etc., se em Coimbra (pelo que sei por amigos que lá vivem), não neva há décadas?
Em traços gerais, o que tem Coimbra a ver com a Covilhã, com a Guarda, Seia, Almeida ou Trancoso? Nada!!
Percebe agora porque é que eu defendo as 7 regiões? É por estas e por outras...

Saudações regionalistas,
Afonso Miguel (Beira Interior)

 
At quinta set 03, 08:00:00 da tarde, Anonymous zangado said...

No último comentário, Afonso Miguel tem toda a razão. São as pessoas que vivem os problemas concretos que melhor os conhecem e não uns indivíduos que vivem e trabalham longe.
Já revelei, uma ou duas vezes, que trabalhei um ano na Covilhã e, nessa altura estava a começar a desenvolver-se a UBI. Era uma cidade um pouco parada, com muitos cães vadios ou sem controlo na rua, nos restaurantes não havia cozinha regional (quis provar uns pastéis de molho no Montalto e não tinham) e registei, espantado, que na parte mais baixa os prédios não tinham garagem e os carros ficavam ao tempo. Já li que o antigo sanatório agora é uma pousada e apesar dos covilhanenses elogiarem o seu frio seco, sei que era muito frio, embora muito menos que na Guarda. Quanto à neve, apanhei um nevão que tive de ir por outras ruas para o trabalho devido à inclinação elevada de algumas e viemos para o Porto pela Guarda onde a neve devia ter mais de meio metro de cada lado das ruas.
Acredito que, com uma região de turismo lá, as coisas tenham melhorado e a estrada pela serra, a partir de Seia, não esteja tantas vezes interditada.
Cumprimentos

 
At sexta set 04, 03:42:00 da manhã, Anonymous Paulo Rocha said...

Caro Afonso Miguel,

Seria um erro colossal separar-se (ainda mais) pela via administrativa o litoral do interior. Regiões como a Beira Interior ou Trás-os-Montes, pelos problemas conhecidos, só seriam viáveis enquanto entidades administrativas, com o recurso sistemático à solidariedade nacional. No modelo das 7 ou 8 regiões, teríamos, naturalmente, regiões de primeira e de 2.ª divisão. Honestamente, não vejo o que é que isto traria de bom para as populações do interior.

Cumprimentos,

 
At sexta set 04, 12:24:00 da tarde, Blogger Afonso Miguel said...

Caro Paulo Rocha:

Tenho de discordar consigo. Em primeiro lugar, estou à espera que digam (os defensores das 5 regiões) qual o papel do Interior no seio destas. Continuo sem respostas. Em segundo lugar, o argumento que apresenta ("regiões de primeira e de 2.ª divisão"), é falacioso e injustificado. Posso dar-lhe dezenas de exemplos de países regionalizados onde a disparidade populacional, económica, e mesmo ao nível das áreas das regiões, é tão grande ou maior do que em Portugal.

Destaco a Holanda, onde existem regiões administrativas, com um modelo idêntico àquele que se pretende implementar em Portugal. Neste país, existem 12 regiões administrativas (chamadas províncias), sendo que a mais populosa, a Holanda do Sul (que inclui cidades como Haia e Roterdão) tem 3 452 323 habitantes (valores parecidos com os que registam as regiões mais populosas de Portugal, Estremadura e Ribatejo e Entre-Douro e Minho), sendo que a região menos populosa, a Flevolândia (cuja maior cidade é Lelystad) regista 365 301 habitantes (valor parecidos com os que registam a Beira Interior e Trás-os-Montes).
Noutros países europeus, registam-se situações semelhantes. Na Suíça, a disparidade é ainda maior: o cantão de Zurique tem cerca de 1,3 milhões de habitantes, enquanto o cantão de Uri não ultrapassa os 35 mil.
Na República Checa, a região da Morávia-Silésia tem cerca de 1,25 milhões de habitantes; a Região de Karlovy Vary conta com cerca de 300 mil.
Na Áustria, enquanto o estado de Viena tem cerca de 1,7 milhões de habitantes, o estado de Burgenland pouco ultrapassa os 280 mil.
Na Grécia, a região mais populosa é Ática (contém a cidade de Atenas) e conta com 3 761 810 habitantes. A região continental menos populosa é a Macedónia Ocidental, com cerca de 303 mil habitantes. Já para não falar nas regiões insulares, que agrupam as inúmeras ilhas gregas.

Até em países maiores a situação é semelhante: na Rússia há repúblicas autónomas com menos de 300 mil habitantes. Só na área metropolitana de Moscovo vivem 12,2 milhões de pessoas.
Nos Estados Unidos, também há estados com 36 milhões de habitantes (Califórnia), e outros com cerca de 520 mil (Wyoming). E todos têm a sua representatividade e desenvolvimento assegurados.

Mas os maiores exemplos, na minha opinião, estão nos países que são cultural e geograficamente mais parecidos com Portugal, ou seja, os Países Latinos. É com estes que podemos estabelecer comparações mais fiáveis, e são estes que mais devem merecer a nossa atenção quando procuramos exemplos no exterior. Ora vejamos:
Na Itália, regionalizada desde 1948, a região da Lombardia tem mais de 9 milhões de habitantes, enquanto a menos povoada região italiana, o Vale de Aosta, tem apenas 120 mil.
No próprio Brasil, que como sabemos é uma república federalista, o estado mais populoso é o de São Paulo, com mais de 41 milhões de habitantes, e o menos habitado é o Roraima, com cerca de 421 mil habitantes.
O exemplo que eu mais destaco é a nossa vizinha Espanha, onde existem regiões como a Andaluzia (8,2 milhões de habitantes), a Catalunha (7,3 milhões de habitantes) ou a Comunidad de Madrid (5,9 milhões de habitantes), que convivem com regiões relativamente pequenas, como La Rioja (317 mil habitantes). La Rioja tem, economica e geograficamente, bastantes afinidades com a Beira Interior e Trás-os-Montes. É uma região essencialmente agrícola (tal como o Douro é uma região vinícola), situada num planalto, no interior de Espanha, e que foi durante muito tempo esquecida e pouco desenvolvida. Até que houve uma regionalização, em cujo primeiro projecto La Rioja estava incluída em Castilla y León. Os riojanos recusaram-se e lutaram, conseguiram e hoje não se arrependem: a autonomia riojana é a causa do grande desenvolvimento desta região espanhola.
Mas nem precisamos de sair de Portugal: o que seria dos Açores (241 mil habitantes) e da Madeira (245 mil habitantes) sem autonomia?

(continua)

 
At sexta set 04, 12:25:00 da tarde, Blogger Afonso Miguel said...

(continuação):

A Beira Interior tem 364 995 habitantes. Trás-os-Montes e Alto Douro tem 435 532 habitantes. Depois dos casos acima relatados, será que ainda se justifica o argumento das regiões de 1ª ou de 2ª? Nunca ouvi nenhum país da Europa dar tal argumento, e nem nos países regionalizados se coloca tal questão. Só em Portugal é que se inventam problemas destes! Investigue-se como funcionam as regiões por essa Europa fora!
E mais: quanto ao facto de todas as regiões "terem de ter litoral", nunca vi nem ouvi semelhante coisa em qualquer país da Europa, mesmo nos que têm dimensão parecida com a nossa e costas extensas. E mais: as 5 regiões têm dimensões exageradas para um país tão pequeno como Portugal: nenhum país da nossa dimensão tem regiões tão grandes. Veja-se a Holanda, Suíça, Áustria, República Checa, e mesmo a costa leste da Itália e o norte de Espanha. Nenhum país foi pelo caminho que Portugal quer seguir. Nenhum país arranjou este tipo de problemas.

Sinceramente, não percebo.

Com os melhores cumprimentos,
Afonso Miguel

 

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