terça-feira, março 23, 2010

Já se corta mais no Norte que a casaca

MÁRIO DORMINSKY  - vereador CM Gaia

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Preferia não ter que voltar a este assunto. Sinceramente, preferia nunca mais passar pela ideia de que falo sempre das mesmas coisas. Mas, conhecidas as notícias do início da semana e lidos os principais especialistas na matéria (pois a coisa podia ser só especulação…), não consigo perceber como é que o actual Governo, através do seu Pacto de Estabilidade e Crescimento, consegue despudoradamente afectar mais o Norte quando esta é a região que piores salários tem, a que mais desemprego apresenta, onde mais empresas estão a fechar, onde os níveis de qualidade de vida decrescem.

A crise afectou toda a gente e todos temos que ajudar. Mas é estranho que as medidas de austeridade penalizem mais as pessoas e as empresas do Norte. Entre as várias decisões do Governo para diminuir a despesa pública e patrocinar o crescimento são adiadas para as calendas as linhas do TGV Lisboa-Porto e Porto-Vigo. E outros investimentos na região, por sua vez, reduzem-se a mínimos essenciais. São medidas bem ponderadas?

É discutível. Mas não é, de certeza, justo. O que pretendo é alertar, também eu (porque outros o têm feito), que Portugal não é apenas Lisboa.

E, uma vez mais, cirurgicamente tira-se a quem já tem pouco e onde há cada vez menos pessoas. Sem vaticinar uma mexicanização dos territórios que envolvem a capital, a continuar este tipo de gestão de Portugal, qualquer dia só há gente num grande círculo em torno das Sete Colinas. E é com estes amargos de boca que vejo, por exemplo, gente a investir os seus créditos e a sua sapiência num Norte que definha. Gente com coragem, que não desiste.

BOAS NOTÍCIAS

Com as férias da Páscoa a chegar, as primeiras noites sem chuva serviram para que a Baixa do Porto se enchesse de gente. Mas não se pense que a gente apareceu com o bom tempo. Não, já lá andava. Mas em recinto fechado…

Entre os Aliados e o Hospital de S. António, com Cedofeita a Norte e os Clérigos a Sul, as ruas do centro da cidade são já um “case study” para urbanistas de muito lado. Os espaços de diversão aumentam como cogumelos, aparecendo numa nesga de um qualquer edifício. E são às dezenas, centenas, de porta em porta, subindo a rua de Ceuta, passando nas Galerias de Paris e na Cândido dos Reis, rumando ao Piolho e entrando na zona de Cedofeita e Carlos Alberto.

E há gente que vem de Lisboa, de Viana, de Barcelona… Há jovens que decidem vir passar os fins-de-semana ao Porto. Alguém consegue reconhecer o valor estratégico de uma onda destas?

Há dias, escrevi nestas páginas sobre os quase dois mil estudantes do Programa Erasmus que, de todo o Mundo, chegaram este ano à Universidade do Porto. Algo que nos orgulha a todos, nortenhos, sejamos nós do Porto, de Gaia ou de Matosinhos. Ou mesmo de Braga e Famalicão, ou até de Vila Real. E desta vez não temo que nos subtraiam a Baixa como subtraíram a Red Bull Air Race. É que, apesar da enorme inveja, tecnicamente ainda não é possível transplantar meia dúzia de quarteirões do Porto algures entre o Terreiro do Paço e o Jardim Zoológico.
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