quinta-feira, março 18, 2010

Porto

Recuperação da Zona Histórica custa 230 milhões


INÊS SCHRECK
O Centro Histórico do Porto tem 1796 edifícios, dos quais 653 muito degradados ou em ruína. Do total, 51 estão actualmente em obra. Para recuperar toda aquela área são necessários 230 milhões de euros, estima a Sociedade de Reabilitação Urbana/ Porto Vivo.

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Qualquer linha de metro em Lisboa custa este valor", constata Rui Loza, arquitecto, docente universitário e administrador da Porto Vivo, durante a sua intervenção num colóquio na Faculdade de Arquitectura da Universidade do Porto sobre o tema "Reabilitação Urbana e Impacto Social". Porém, acrescenta, com "a legislação, as condições económicas e sociais e todo o cenário que é Portugal" serão necessárias décadas para reabilitar quarteirões.

O evento, organizado pelo Grupo de Reabilitação Urbana (GRUA), nasceu das "inquietações de alunos e arquitectos sobre a reabilitação da Baixa portuense". Nuno Grande, arquitecto e docente universitário, apresentou-se como o "agente provocador" e cumpriu a promessa.

Pôs em causa a filosofia de reabilitação da Porto Vivo, que intervém por quarteirões quando a cidade foi crescendo por lotes. "É uma perspectiva de reabilitação muito discutível. Diria mesmo que é o pior que o fachadismo tem", criticou, referindo-se a uma época (início século XX) em que apenas as fachadas dos edifícios eram tidas em conta nos processos de licenciamento.

Pegando no exemplo de um conjunto de edifícios que estão em obra no cimo da Rua de Mouzinho da Silveira, Nuno Grande criticou a SRU por estar a criar apartamentos para a família de "target elevado" que há anos foi viver para a Foz, para Matosinhos-Sul ou para a Maia. "Essas pessoas não vão voltar para os centros históricos", afirmou o docente, considerando que serão, sobretudo, as famílias monoparentais, pessoas que gostam de estar sós, criativos e homossexuais que vão procurar casa na Baixa.

Na mesma empreitada na Rua de Mouzinho da Silveira, Nuno Grande aponta o dedo à obsessão da Porto Vivo "pelo estacionamento". Parte do terceiro piso daquele edificado vai ser transformado em parque para os automóveis dos residentes. "Que sociedade urbana é que esta que queremos trazer para o Centro Histórico?", questiona o arquitecto, considerando que o ideal seria um centro de cidade que reunisse todas as sociedades urbanas.

Para isso é necessário que as SRU respondam à procura, sejam "alfaiates cosmopolitas". "Tal como o alfaiate que ajusta o fato ao cliente, as SRU devem ajustar a oferta a todas as medidas", concluiu o docente, arrancando aplausos dos estudantes.

Também Virgílio Pereira, sociólogo que estudou o morro da Vitória, deixou as suas preocupações. "O Porto passa por um fenómeno muito severo de abandono urbano. É um desafio muito complicado, espero que as políticas da Câmara resultem, mas tenho receio que possam não resultar", afirmou. Mais importante que o regresso dos estudantes, "é encontrar formas que façam com que os filhos e os netos dos que vivem na Vitória possam lá ficar", concluiu o docente.

Sobre o outro morro, o da Sé, falou Paulo Valença, coordenador do projecto de Reabilitação do Morro da Sé. O arquitecto elencou as necessidades daquela zona (apenas 4% dos edifícios não precisam de obras) e apresentou os projectos em curso - uma residência para 120 estudantes, um hotel, a ampliação de um lar e um projecto de realojamento para quem vive em edifícios com poucas condições. O plano para o Morro da Sé pressupõe um investimento de 39 milhões de euros.

|JN|

1 Opiniões

At quinta mar 18, 11:44:00 da tarde, Anonymous Anónimo said...

Caros Regionalistas,
Caros Centralistas,
Caros Municipalistas,

Se o objectivo é recuperar as capacidades ociosas existentes na Zona Histórica do Porto, trata-se de uma iniciativa que só peca por se revelar MUITO TARDIA e que não deve ser condicionada pela afectação de recursos financeiros a destinar, por exemplo, a negócios externos de utilidade totalmente duvidosa para o nosso desenvolvimento, como a AIR RACE- RED BULL, que só dá mais circo que pão. A proliferação desta desgraça também não gostaria de a ver repetida noutras localidades do nosso País, pois o resultado será sempre inócuo para o desenvolvimento e afirmação da nossa sociedade, mesmo correndo o risco de ser acusado de um posicionamento não moderno ou conservador ou lá o que alguns considerarem como classificável na sua opinião.
Por último, pelas mais recentes notícias, de nada valeu a estúpida manifestação de rivalidade entre Porto e Lisboa, escrita nos jornais da forma mais serôdia, bacoca, provinciana, exaltada e leviana possível ao dar-se conta da sua transferência para a cidade-capital, pois trata-se no fundo e apenas de um negócio de outros que nada nos diz respeito nem temos que financiar. E não me venham com a balela do reconhecimento internacional porque se o referem então aproveito para mencionar que continuamos a ser conhecidos lá fora pelas PIORES RAZÕES (mais, caímos totalmente no ridículo, apesar da credibilidade que atribuem ao PEC-coitado, coitadinho). Por tal, sendo um negócio, os seus promotores que tratem de criar condições efectivas de o viabilizar e que nos deixem descansados, ou teremos de andar perpetuamente com o chapéu pedinte na mão a mendigar tudo e mais alguma coisa, até neste espectáculo ridiculo da condução de aviões F1?

Sem mais nem menos.

Anónimo pró-7RA. (sempre com ponto final)

 

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