terça-feira, abril 06, 2010

Centralismo empurra os Raianos para Espanha

Tributo

Um minhoto de Valença que precise de cuidados urgentes de saúde chega a Tui em cinco minutos e a Monção em 15 a 20.

Em Monção paga oito euros e 70 cêntimos de taxa moderadora. Em Tui não paga nada. De maneira que face ao encerramento das urgências no serviço de atendimento permanente de Valença, o português de Monção escolhe a Galiza. Até porque, como diz o presidente do Município de Tui para uma reportagem do JN, "os portugueses sempre foram e sempre serão bem-vindos". Ao passo que um burocrata de Viana do Castelo, ouvido na mesma reportagem e mais papista que o Papa, considera que o recurso ao serviço de saúde da Galiza constitui "um abuso".

E passando-se as coisas desta maneira, enquanto em Portugal se encerram cada vez mais estabelecimentos públicos de Saúde, na Galiza vai começar este ano a construção de um novo centro de saúde no Município de Tui. A obra tem em conta não apenas o crescimento da população galega mas também o crescente recurso de portugueses do Minho aos serviços de saúde sempre disponíveis e tendencialmente gratuitos da vizinha Galiza. E é assim que depois das centenas de portugueses do Alto Alentejo que passaram a nascer em Badajoz, centenas de minhotos vão passar a usar os serviços de saúde de Tui.

É que passando as linhas imaginárias das antigas fronteiras caem pela base os argumentos cediços com que um certo fundamentalismo português explica a destruição do SNS criado por um socialista de gema nos anos 80. O Serviço, que era para ser tendencialmente gratuito, tem vindo a ser tendencialmente reduzido a zero.

Em Valença já há quem defenda que se enfeitem as janelas com bandeiras de Espanha. Só falta que os portugueses da raia prefiram pagar impostos do lado da fronteira que lhes dá retorno para o seu tributo.


João Paulo Guerra
Económico, 05/04/2010

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1 Opiniões

At terça abr 06, 10:36:00 da tarde, Anonymous Anónimo said...

Caros Regionalistas,
Caros Centralistas,
Caros Municipalists,

Não foi preciso implementar a regionalização para que as populações raianas inciassem o proceso de desfraldar a bandeira do Reino Espanhol nas suas varandas.
Gostaria que o Caro Templário comentasse esta prematura a traiçoeira atitude ou estará um regionalista qualquer por detrás da iniciativa?
A falta de uma perspectiva de desenvolvimento político em termos de longo prazo e de uma atitude cívica mais direccionada para a protecção dos verdadeiros interesses da sociedade, prega-nos muitas partidas que nunca acabam de nos surpreender.
O que é que aqui se tem escrito, pelo menos pela parte que me toca? Não tenho avisado com alguma insistência?

Sem mais nem menos.

Anónimo pró-7RA. (sempre com ponto final)

 

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