quarta-feira, abril 14, 2010

"... éramos uma cidade tão rica e agora somos tão pobres”,

“Modelo de desenvolvimento centrado na capital falhou”

O afastamento económico da região dos níveis de crescimento das restantes regiões do país foi apontado por Carlos Lage, presidente da Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Norte (CCDRN), como uma “questão meramente política que se prende à questão regional e ao comportamento do poder central face aos interesses do Norte”.

Esta centralidade económica e a necessidade de regionalização foi alvo de um debate inserido no II Fórum Nev, realizado na Faculdade de Economia do Porto.

Isabel Santos, governadora civil do Porto e participante do debate, deu voz a uma política de apoio à realização de um referendo para que seja estabelecida a legitimidade do poder, que ao longo dos anos tem feito crescer as assimetrias no território português, nomeadamente entre o Norte e o Sul do País. “ Referendo sim, de novo”. Fazer a Regionalização sem passar pelo referendo era viciar o jogo, por isso o defendo”, afirmou a governadora civil, que fez ainda referência ao facto de ser obrigada a deslocar-se a Lisboa devido à concentração da maioria dos serviços na capital.

Classificado como um elemento indispensável para a formação de uma consciência não individualista da comunidade por Ricardo Luz, promotor do movimento partidário “Norte Sim”, o tema do debate é ainda, como o próprio referiu, “a solução para o futuro dos jovens, nomeadamente do Porto, que se vêem obrigados a criar negócios fora da cidade por falta de apoios. “Não percebo como é que éramos uma cidade tão rica e neste momento somos tão pobres, temos muitas potencialidades mas o destino das regiões foi desviado por uma questão de conveniências ”, realçou o promotor que definiu o modelo de desenvolvimento centrado na capital como uma falha.

Os dados que confirmam a desvantagem do Norte de Portugal perante a Galiza, relativamente ao crescimento industrial, onde o país vizinho registou desde o ano 2000 um crescimento desproporcional comparado com o de Portugal, revelam, como refere Isabel Santos, “a importância da Regionalização para as políticas de desenvolvimento”.

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