quinta-feira, abril 29, 2010

Norte aponta baterias à internacionalização

Documento apresentado hoje define prioridades estratégicas até 2020

|JN|

"Para ser competitiva, a região tem de intensificar a sua internacionalização". Esta é a ideia-chave da iniciativa "Norte 2020 - Competitividade & Estratégia", que hoje, quinta-feira, é apresentada e aponta as prioridades nortenhas para os próximos anos.

O JN está a publicar uma série de trabalhos sobre os desafios estratégicos que se colocam ao Porto e ao Norte, na sequência do repto lançado pelo presidente da República.

A Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Norte (CCDR-N) vai dar a conhecer um esboço inicial do programa de acção que permitirá, nos próximos 10 anos, relançar o seu desenvolvimento, consolidando uma série de agendas temáticas que já se encontram em marcha com o intuito de revitalizar a economia e o tecido produtivo nortenhos.

O documento (uma proposta ainda provisória que estará sob consulta pública e será aprofundado mais à frente), a que o JN teve acesso, aponta a necessidade de se criarem "mecanismos de fomento das exportações e captação de investimento directo estrangeiro".

Por outro lado, esta estratégia converge com os objectivos traçados pela Comissão Europeia na iniciativa "Europa 2020", que preconiza um modelo económico baseado numa trajectória de crescimento "inteligente" (aposta no conhecimento, inovação e tecnologia), "sustentável" (maior eficiência energética e menor impacto ambiental) e "inclusivo" (gerador de emprego).

O delinear deste modelo de competividade para a região abre igualmente caminho à preparação emergente do cenário de negociações do ciclo de fundos comunitários para o período 2013-2020.

Internacionalizar mais e melhor

Mas desengane-se quem pensa que a estratégia foi agora concebida de raiz. Trata-se, sim, de um reafirmar das linhas de actuação apontadas na iniciativa "Norte 2015" e evidencia a importância de apostas já em curso, como os investimentos na inovação, economia do mar, moda, saúde ou as indústrias criativas, entre outras actividades pioneiras. De novo, este plano de acção mostra novos indicadores decorrentes da recente conjuntura económica.

"A Região Norte tem um duplo e urgente desafio: encontrar remédios e saídas para a prolongada crise económica, que a tem abalado há 10 anos, afectando a produtividade e o emprego; e em paralelo, consolidar o seu modelo de desenvolvimento, assente em forte conteúdo inovativo, tecnológico e científico", diz o documento.

A internacionalização das empresas da região é a grande prioridade estratégica, para dotar a mesma de mais competitividade, com o fomento da exportação de bens e serviços e a captação de investimento directo estrangeiro. Neste preâmbulo, está ainda presente a aposta em clusters prioritários  como forma de colmatar a falta de dimensão (e inexperiência internacional) da maioria das firmas nortenhas e permitir uma abordagem mais consistente no exterior.

A partilha de conhecimento, o estímulo à procura de novos mercados e fomento de capital de risco direccionado para essa vertente, e a cooperação entre PME da região com filiais de empresas multinacionais, são acções defendidas neste programa. A afirmação da região enquanto destino turístico e localização de congressos internacionais também não é descurada.

Apelando a uma mudança do modelo de crescimento económico, o "Norte 2020" vinca a sua proposta em factores-chave que devem ser levados em conta: inovação, tecnologia, reforço de actividades económicas que criem valor, qualificação do capital humano, desenvolvimento das cidades e melhoria de acessibilidades, transportes e comunicações.
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