quarta-feira, maio 05, 2010

Frase do dia

Se é verdade que a Regionalização não avança por motivos relacionados com a circunstância de tal decisão dividir os portugueses e “perturbar” a unidade do País, porque é que vivemos no país da Europa onde a desigualdade entre ricos e pobres é a maior e onde se verificam as maiores divergências regionais?

|Norte Sim|

9 Opiniões

At quinta mai 06, 01:18:00 da tarde, Blogger templario said...

Uma resposta a esta "Frase do Dia" pode ser lida no Blogue

Nortadas

Logo, não devemos embarcar com estes irresponsáveis, aventureiros e separatistas.

 
At quinta mai 06, 04:08:00 da tarde, Anonymous Paulo Rocha said...

Aventureiros e separatistas são aqueles que patrocinam o actual estado das 'coisas'.

Grandes investimentos são para manter...mas só os que envolvem Lisboa. Portagem nas SCUTs... mas só a Norte.

Não estranhem, portanto, que muita gente comece a ficar farta disto. Até eu!

 
At quinta mai 06, 05:01:00 da tarde, Blogger templario said...

As citações, a negrito, são de um texto de António José Saraiva, da "História e Antologia da Literatura Portuguesa", Volume I, págs 327/328 e 333, edição da Gulbenkian
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Ao contrário do que aconteceu em toda a Europa, Portugal tornou-se independente por vontade expressa do povo,

"Impondo o direito patriótico de naturalidade" - coisa nova nesse tempo -,

contra "o direito dinástico, o direito de um senhor suceder a outro, segundo regras tradicionais, na posse do património...."

O povo português impôs "um direito novo", na altura, "ainda não legitimado, o direito inerente ao homem do senhorio, seus trabalhadores e proprietários imediatos, a população da terra, de recusarem um senhor de outra nacionalidade e etnia e de optarem por um senhor seu natural. Um era o direito reconhecido dos senhores do património, o outro o direito, ainda não reconhecido, e por isso insurrecional dos homens sujeitos ao domínio"

Foi uma revolução à época.

Estamos mesmo a falar da revolução de 1383/1385 em Portugal.

"A nobreza manteve-se fiel ao direito tradicional", aderindo ao outro João, o de Castela. "A Espanha era toda uma como o mostrava «A Crónica Geral de Espanha de 1344 ou o Livro de Linhagens do Conde D. Pedro», e laços de família, reforçados pela camaradagem de armas na luta contra os mouros"

Mas em Portugal "as populações locais não o sentiam assim. O seu horizonte era a terra onde nasceram, a comunidade local e outras comunidades semelhantes pela língua e costumes, os locais de trabalho e negócio, os lugares de infância, do sofrimento, das alegrias e da morte"

"E é a este complexo que Fernão Lopes vai chamar o «amor da terra». E é sobre este sentimento, que se funda o direito novo, sem nome, de recusar um senhor que não seja da terra. Designá-lo-emos por «direito de naturalidade», ou direito nacional".

Portanto, a independência de Portugal não decorre de associações de reinos, senhores ou imposições do poder cristão de então, por vontade de deus.

Foi por vontade do povo.

Este é um dos importantes fatores históricos que definem Portugal como UM PAÍS ANTIREGIONAL, bem diferente dos restantes países europeus.

Continua......

 
At quinta mai 06, 05:02:00 da tarde, Blogger templario said...

....... Continua

No mesmo texto de António José Saraiva, analisando as "crónicas" de Fernão Lopes, pode ler-se:

"A expressão «Casa de Portugal» - utilizada por F.Lopes - aplicada, já não à casa real portuguesa, mas a toda a nação, parecem constantemente em Fernão Lopes, como expressão ainda esboçada, mas vigorosa, do direito pelo qual um povo se levantou contra um rei, o direito nacional, como já vimos". Convém lembrar que na altura estavam ainda bem longe de existirem os actuais estados europeus, resultantes de associação de reinos, principados, ducados, condados, etc.., como era o caso da Espanha.

António José Saraiva, escreve:
"A guerra nacional aparece (...) como uma guerra civil entre camadas opostas da população, ou, melhor, entre uma popular e uma outra nobre. O «amor da terra», o grito «Portugal», caracterizam a gente popular, ao passo que o espírito de vassalagen feudal (confundido às vezes com o interesse pessoal mesquinho), caracteriza os senhores. De um lado estão os «verdadeiros portugueses», do outro lados os «portugueses desnaturados». Existem aqui mais que analogias com parte da "classe" política portuguesa actual, que pretende ignorar esta realidade histórica, diferente dos outros países da Europa, quando propõe uma Regionalização ", com "Poder político efectivo" (como afirma o Inquisidor do Bloco de Esquerda, João Semedo),

Ana Drago, do mesmo partido, afirma (jornal "Barlavento" de 18/8/2009),
"Não enchemos só a boca com a regionalização, estamos de acordo com ela, pois é a forma de constituir uma identidade para a região, um modelo sustentável de desenvolvimento, mas o processo tem que ser garantidamente democrático, com órgãos soberanos eleitos pelas pessoas. Estaremos muito atentos aos conteúdos dessa regionalização." Esta senhora pretende "CRIAR UMA IDENTIDADE PARA A REGIÃO"..., "COM ÓRGÃOS SOBERANOS PARA A REGIÂO"...; quer substituir a identidade nacional, pela CRIAÇÃO de uma nova identidade.
Esta gente é louca e não sabe mesmo do que está a falar.
Este país, como dizia Fernão Lopes, é dos "pequenos", dos "miúdos", da "arraia-miúda", da "gente pequena dos lugares", dos "povos miúdos".
Ou seja, Portugal não é propriedade de traidores, de vendilhões da Pátria, que a querem coser à Espanha das nações.

 
At quinta mai 06, 05:31:00 da tarde, Blogger templario said...

Já agora, uma outra singularidade de Portugal, em relação aos outros estados europeus.

É ainda António José Saraiva que escreve, mesma obra, pag. 333:

"Ela (os povos miúdos)constitui a força armada em que inicialmente se apoiou o mestre de Avis, permitindo-lhe resistir à gente de armas favorável ao partido castelhano e até apoderar-se de alguns castelos. A população de Lisboa resistiu ao cerco do rei de Castela e A DO PORTO BATEU, EM GUERRA DE MOVIMENTO, UMA EXPEDIÇÃO COMANDADA PELO ARCEBISPO DE sANTIAGO DE cOMPOSTELA"

E escreve ainda A.J.Saraiva:

Por todo o Portugal

"Averdadeira alma da revolução está nos miúdos, a gente que largava os ofícios para acudir aos comícios, que dava o corpo ao manifesto, que saía das vinhas para assaltar os castelos, simbolizada naquele tanoeiro que meaçava com a espada os «cidadãos honrados" da câmara de Lisboa, indecisos, dizendo-lhes que não tinham mais nada a perder senão o próprio pescoço e que eles arriscavam outro tanto"

Eu sei que os regionalistas, parte deles, conhecem bem estas coisas. É só para lhes despertar a memória e para não pensarem que são donos do território nacional, com poder de o dividir entre si e seus bandos épicos.

 
At quinta mai 06, 05:40:00 da tarde, Anonymous Paulo Rocha said...

Então ... e os Açores e a Madeira.

Pois é...mas tudo se transforma. O que era verdade há 700 anos pode já não o ser hoje. E, na maior parte dos casos, já não o é

A história vale o que vale. Não é só com a história que mantemos a unidade nacional. É, também, preciso que o modelo politico/administrativo e a acção política do dia à dia não a hostilize e não a ponha a causa.

 
At quinta mai 06, 05:42:00 da tarde, Blogger templario said...

Finalmente, pressupondo que não percebam onde quero chegar com todos estes comentários,

o que tudo isto evidencia é que no longo processo de "regionalização" do espaço ibérico, Portugal assumiu a independência há muitos séculos, como região soberana nesse espaço, processo esse que ainda não chegou ao fim, como provam as ambições de galegos, bascos, catalães, etc.etc..

Assim sendo, falar em regionalização de Portugália é uma falácia,

e não há FRASES DO DIA que o desmintam.

 
At quinta mai 06, 11:56:00 da tarde, Blogger Gaiato alentejano said...

Como bem dizia Tomás de Aquino: "Timeo hominem unius libri" (Temo o homem de um só livro).

Isto porquê? Pode um livro de Literatura justificar tanta parvoíce? Porque falando em História (em maiúscula) e falando na Idade Média há muitos autores que falam sobre a formação de espaços regionais em Portugal, já que veio a História à tona.

Se alguém estiver interessado, posso facilitar uma lista de monografias e artigos históricos que mostram que o Portugal medieval desde os primórdios da Nacionalidade, era um país regionalizado.

Um exemplo disso pode-se encontrar na obra de SERRÃO, Joel - MARQUES, A.H. de Oliveira, Nova História de Portugal. Das invasões germânicas à "Reconquista", Volume II, Ed. Presença, Lisboa, 1993, p. 266-267. Passo a citar:

«A ideia de que as divisões regionais que afloram nos documentos dos séculos IX-XI, relativos ao ocidente da Península, são meras referências geográficas, não se pode aceitar sem reservas. De facto, na localização das propriedades e no registo de qualquer evento recorria-se, frequentemente, a acidentes naturais, como rios, serras e mar, mas estes eram suplantados por outros elementos que podemos considerar de construção histórica, cultural. Estavam neste caso as demarcações com o nome de territórios, terras, civitates e urbes, bem como os redutos chamados castros e castelos. Todos eles envolviam uma certa ordenação do espaço, reflexo da ordenação dos poderes, pelo que, em sentido lato, estas unidades tinham um conteúdo político e logo administrativo."

Quem quiser conhecer os territórios portugueses desta época pode consultar obras de historiadores e geógrafos como Paulo Merêa e Amorim Girão, H. de Gama Barros, Torquato de Sousa Soares, e muitos outros autores.

Por outro lado, qualquer pessoa minimamente culta sabe que o adjectivo «nacional» como é entendido hoje parte apenas com as revoluções liberais burguesas, isto é com o desenvolvimento do Liberalismo e do Nacionalismo a partir do século XIX aquando da construção dos estados liberais. Aplicar esquemas actuais para realidades históricas como a época feudal não faz sentido nenhum. Na Idade Média não existia o «estado» mas sim realidades políticas como reinos, condados, etc. e o rei normalmente costumava ser o «primus inter pares» sendo que existia uma concepção patrimonial do território. É por isso que os habitantes eram chamados de «súbditos», porque não tinham direitos cidadãos. Quando estes súbditos lutavam faziam-no por fidelidade para com o rei, conde, duque ou nobre do território em que habitavam, não por um sentimento de pertença a uma nação.

Por isso, dizer que a regionalização de Portugal é uma falácia baseando-se num livro de Literatura (e não História) e no que alegadamente aconteceu há séculos carece de sentido. Será que teremos de voltar às cavernas porque lá não se usava a luz eléctrica, o computador ou o carro de motor de combustão?

Infelizmente há quem queira causar confusão às pessoas à base de um alegado pseudo-intelectualismo que qualquer pessoa minimamente perspicaz consegue ultrapassar. Parece que as realidades regionais que aparecem nas Inquirições, as comarcas, as ouvidorias, os julgados medievais não contam como territórios regionalizados... Mas não deve surpreender isto se considerarmos que parte de uma pessoa que só diz 'Não' à regionalização e depois não é capaz de articular uma proposta alternativa, por simples que seja.

 
At quarta mai 12, 04:51:00 da manhã, Anonymous Anónimo said...

Templario so dizes asneiras.

Portugal = pais da treta

 

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