sexta-feira, maio 14, 2010

Norte sem força política


Carlos Lage desafia Norte a dizer "basta"

O presidente da Comissão de Coordenação e Desenvolvimento do Norte (CCDRN) está contra a aplicação de "maus critérios" que justificam a introdução de portagens nas SCUT do Norte. O que não aconteceria se o Norte tivesse força política para o impedir.

Carlos Lage considera que o episódio é revelador da "falta de lucidez" e, ao mesmo tempo, mostra que "a região Norte não tem um poder regional suficientemente forte e enraizado para dizer basta!".

Durante um debate sobre a regionalização realizado em Penafiel, na terça-feira à noite, explicou que "é na região Norte que está a questão regional".

Nesse sentido, "se o Norte não for capaz de reclamar, de forma sensata, forte e decidida, a constituição de uma das cinco regiões de Portugal, elas não serão criadas, porque ninguém está para se incomodar com o assunto".

Questionado sobre a introdução de portagens nas SCUT, polémica que tem vindo a mobilizar autarcas, Lage advertiu que "está em causa a falta de equanimidade na implantação de portagens".

"Não acho que fosse intencional introduzir portagens no Norte para prejudicar as populações do Norte, mas foram maus os critérios que levaram a este resultado. Espanta-me que fossem buscar critérios que valem zero para considerar que auto-estradas no Norte devem ser pagas e auto-estradas noutras zonas no país não devem".

"Fizeram para aí umas contas esquisitas e difíceis de testar para provar que os municípios, na região litoral, tinham um poder de compra superior aos municípios… sabe-se lá de onde, por ventura do Algarve, o que é absurdo", frisou.

O segundo critério para introdução de portagens "é um sofisma completo".

"Estipulou-se que para introduzir portagens nas auto-estradas é preciso haver alternativas. Isso é a inversão de toda a lógica: as auto-estradas foram construídas para serem alternativas às estradas tradicionais, e não o contrário.

Este processo "mostra que, não obstante os protestos, o Norte não tem um poder regional suficientemente forte e enraizado para dizer basta, isto não pode ser".

|José Vinha - JN|

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