quarta-feira, maio 19, 2010

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260 milhões de euros para linha temporária do TGV

|VIRGÍNIA ALVES - JN|

O contrato de concessão do TGV entre Poceirão-Caia inclui também a construção de uma linha paralela em bitola ibérica entre Évora e Caia, só para mercadorias, cujo valor será de 260 milhões de euros, e que só terá serventia até à data de ligação ao TGV espanhol.

Apesar do travão anunciado pelo Governo para as grandes obras públicas, há um projecto que se mantém - a construção da linha ferroviária de alta velocidade Poceirão/Caia. Embora com atrasos do lado português, a terceira travessia do Tejo não está assegurada, e há atrasos do lado espanhol.

A somar a estas contingências, o contrato de concessão já assinado (8 de Maio de 2010) inclui a construção e manutenção das infra-estruturas ferroviárias do troço Poceirão-Caia por 40 anos, e também o troço Évora-Caia da linha convencional (bitola ibérica) de mercadorias, cujo custo ascende a 260 milhões de euros.

Esta terceira linha (TGV tem linha em dois sentidos) tem sido alvo de críticas por vários especialistas, uma vez que o projecto do TGV é em linha mista (passageiros e mercadorias) e que a linha convencional de mercadorias agora a construir poderá ser alterada para a bitola europeia ou simplesmente desactivada, quando do lado espanhol estiver concluído o troço de TGV Madrid/Caia.

Os especialistas frisam ainda que actualmente existe uma linha convencional que permite fazer o transporte de mercadorias para Espanha, defendendo que a solução seria construir desde o início a ligação Poceirão/Sines em bitola europeia.

Estes cenários não escaparam ao PSD, que hoje irá informar o ministro das Obras Públicas, durante uma audição na Comissão das Obras Públicas, Transportes e Comunicações, da Assembleia da República, da sua intenção de apresentar no Parlamento um projecto de resolução com o objectivo de adiarem a construção do troço Poceirão/Caia por um período nunca inferior a três anos.

Ao que o JN apurou, Adriano Rafael, deputado do PSD e membro da Comissão, vai exigir do ministro algumas explicações sobre o contrato de concessão já assinado. Entre elas, por que razão avançaram já "quando se conhecia o atraso do lado espanhol, desde a vinda a Portugal do ministro do Fomento, em Novembro de 2009, quando afirmou até Março de 2012 o itinerário Badajoz/Madrid estaria em construção, o que pressupõe um atraso de dois anos, e depois de anular o troço Poceirão/Lisboa". Outra questão a colocar pelo PSD prende-se com a construção da tal terceira linha em bitola ibérica, "com travessas polivalentes para mudar para a bitola europeia".
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