sábado, agosto 28, 2010

A lição do Sporting de Braga

Sporting de Braga não é apenas um exemplo para o futebol. Sporting de Braga é a metáfora futebolística da atitude que cidades portuguesas deviam ter: trabalhar, trabalhar, trabalhar e serem melhores do que Lisboa.

I. A minha magnanimidade benfiquista (só um benfiquista pode ser magnânime) permite-me estar contente com o percurso do Sporting de Braga. Aliás, anteontem comemorei os golos do Sporting de Braga. E comemorei, porque é bonito ver um clube pequeno a emergir. E porque é bonito ver os resultados do trabalho.

II. O Sporting de Braga quis ser grande, mas fugiu da "táctica Pimenta Machado" do vizinho minhoto. O presidente do Sporting de Braga, António Salvador, é um homem discreto, e não andou nas televisões a fazer o papel de Pinto da Costa minhoto. Em vez disso, construiu as estruturas (físicas e humanas) que sustentam um clube grande. Ou seja, trabalhou, trabalhou, trabalhou. E agora tem os resultados. Está na Liga dos Campeões e só não foi campeão porque apanhou pela frente o melhor Benfica dos últimos 25 anos. Num futebol (e num país) de chico-espertos que só conseguem pensar a curto prazo, a história do Sporting de Braga é digna de registo.

III. Mais: o exemplo do Sporting de Braga é uma "metáfora" da atitude que as cidades portuguesas deviam ter perante Lisboa: a da rivalidade. É bom ver que as pessoas de Braga são do Sporting de Braga, e não dos chamados três grandes. Ok, há muitos benfiquistas no Minho, eu sei; mas o meu ponto é este: o Sporting de Braga conseguiu captar o apoio de boa parte das gentes de Braga. E isso sabe bem.

É deprimente ir a Aveiro ou a Leiria, por exemplo, e ver que as pessoas são do Benfica ou do Sporting e não do clube da terra. Ora, o bairrismo anti-Lisboa é salutar. A rivalidade entre cidades é uma marca dos grandes países europeus.

Aliás, a rivalidade entre cidades é o segredo do sucesso dos grandes países europeus. Um segredo que Portugal nunca desvendou. Este amor pela comunidade (que está associado à rivalidade com as outras comunidades) é das coisas que mais faltam a Portugal.

É que associado ao amor que o "João" tem pelo clube vamos encontrar, com certeza, o amor pela cidade, pelos seus concidadãos, pelos seus vizinhos. Quando estou em Braga, gosto de saber que não estou entre benfiquistas. Isso é bom.

IV. Perante o sucesso do Sporting de Braga, "Lesboa" faz o quê? Para começo de conversa, as TVs de "Lesboa" vão continuar a transmitir aqueles inenarráveis programas de "futebol" onde se sentam três pessoas em representação dos três grandes". Perante isto, só se pode ficar contente pelo sucesso do Sporting de Braga.


PS: Em Lisboa, há muita gente incomodada com o sucesso das universidades de Aveiro e do Minho. Hoje em dia, é normalíssimo vermos a Universidade de Aveiro associada a projectos xpto que interligam a tecnologia (universidades) e a economia (empresas). A tal modernidade não tem que vir de Lisboa. E a incomodidade "lesboeta" é bom sinal.

|expresso|
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1 Opiniões

At domingo ago 29, 12:59:00 da tarde, Anonymous Anónimo said...

Caros Regionalistas,
Caros Centralistas,
Caros Municipalistas,

Apesar de o "team" do Sporting de Braga ter um número significativo de jogadores estrangeiros, o bom exemplo que pode ser aproveitado é que não estão á espera de nenhum "D. Sebastião político" para ganhar seja o que for. E se qualquer Universidade, como as do Minho e de Aveiro, se está a impor às demais, causando-lhes comichão nos entrefolhos, as outras que se amanhem também e deêm da perna, mas sem se estribarem na SUA antiguidade, nas SUAS "celebridades académicas" algumas das quais são de uma INDUMENTÁRIA de bradar aos céus ou na SUA localizAção (o que é da capital é que é bom!).
O CAPELISMO UNIVERSITÁRIO NO SEU MELHOR que não fica deslustrado pelo CAPELISMO NACIONAL, quase a todos os níveis.
E no limite, COMO JÁ REFERI AQUI MUITAS VEZES, LÁ CONTINUAREMOS SEMPRE COMO LANTERNA VERMELHA DO DESENVOLVIMENTO, à medida que outros países agora muito atrás de nós vão entrando na União Europeia, sem necessitar de passar muito tempo: bastam 5 anos ou menos.
Não há por aí ninguém que tenha coragem de dar um MURRO NA MESA da confiança em curso?

Sem mais nem menos.

Anónimo pró-7RA. (sempre com ponto final)

 

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