terça-feira, setembro 21, 2010

SCUTs - «Têm automóvel, devem pagar»

Mira Amaral defendeu, em Bragança, que regiões desfavorecidas também devem pagar portagens

O antigo ministro do PSD Mira Amaral defendeu hoje que mesmo as regiões mais desfavorecidas devem pagar portagens para evitar o «caricato» de o contribuinte português estar a pagar boas estradas para serem utilizadas apelos espanhóis.

Para Mira Amaral, «em qualquer região do país, por menos desenvolvida que seja, as pessoas que têm um automóvel não são as mais pobres dessas regiões» e, por isso, «aqueles que têm automóvel devem pagar».

A inexistência de portagens «é um erro», no entender do antigo ministro de Cavaco de Silva, «porque depois significa que os espanhóis vão passar nas nossas estradas pagos pelo contribuinte português«.

«Eu acho que o país todo tem de ter portagens. As finanças públicas não aguentam uma situação em que não haja portagens», reiterou.

Mira Amaral falava em Bragança, à margem de uma sessão com militantes distritais do PSD sobre a revisão do programa do partido, em que foi um dos oradores.

A região de Bragança ainda é das menos desenvolvidas do país, mas, para Mira Amaral, "as assimetrias regionais combatem-se com outros instrumentos, como discriminação positiva no IRS, para as famílias, no IRC, para as empresas, apoios financeiros ou a manutenção de serviços públicos vitais".

O antigo ministro foi, há 20 anos, o autor da secção económica do programa do PSD, que está agora em revisão.

Apesar da evolução do país, Mira Amaral considera que o que escreveu anteriormente "poderá ter mais algumas contribuições, mas continua actual".

"Não há melhor instrumento do que o mercado para afectar recursos escassos, mas o mercado não é perfeito. Há lugar a que os Estados e os governos façam intervenções e uma delas é combater as assimetrias regionais", concretizou.

A "democracia económica" foi o tema da sessão em Bragança, antecedida por um encontro com empresários locais.

O presidente da comissão de revisão do programa do PSD, José Pedro Aguiar-Branco, sublinhou que o propósito destes encontros é "definir políticas realistas e encontrar soluções para os problemas concretos e não continuar a iludir os portugueses" como têm feito, "ao longo destes 15 anos, os governos do Partido Socialista".

"Queremos mostrar que, se chegarmos ao governo, sabemos onde vamos e quais são as linhas de orientação, e com os pés bem assentes na terra", declarou.

A regionalização é um dos desígnios que outro orador da noite, o social-democrata Ricardo Rio, gostaria de ver introduzido no programa do PSD.

Estas sessões regionais do PSD vão repetir-se em todos os distritos e deverão terminar em Janeiro, segundo Aguiar-Branco.

O presidente da comissão de revisão disse que a versão final do programa "será aprovada a seguir às presidenciais, em congresso", que admitiu que "ocorra durante o mês de Abril".

|Lusa|
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4 Opiniões

At terça set 21, 10:54:00 da tarde, Blogger templario said...

Para este senhor, com cúmulo de reformas chorudas, mas defensor da "democracia económica", um pobre para ser pobre tem de andar andrajoso, à boléia, a cair de fome, curvado e chapéu na mão a mendigar à porta das instituições de apoio social. E, de preferência, com um letreiro nas costas.

Falta-lhe, naturalmente, sensibilidade para compreender que, hoje, ao volante de um carro, vai um cidadão ou cidadã com fomeca, agastado e humilhado por não saber como vai arranjar comida para a família, bem vestido e engravatado para uma entrevista para um emprego, etc..

Consta que é fã de corridas de automóveis...

 
At terça set 21, 11:58:00 da tarde, Anonymous Anónimo said...

Caro Templário,

Desta vez, o meu acordo com este seu texto é absoluto.
A personalidade política visada no texto também não é de nenhuma das minhas simpatias objectivas, muito por algumas das razões que aponta.
Sem pre ouvi dizer que:
"Pimenta no rabo do vizinho, funciona como refresco".
As intervenções deste senhor faz-me lembrar a de outros que só sabem apontar, como primeira solução para ultrapassar os desequilíbrios da economia portuguesa, a redução de salários. Ninguém se lembra que a solução é sistémica e passa por:
(a) Reduzir o endividamento elevado das empresas.
(b) Aumentar os capitais próprios.
(c) Investir na qualidade da produção.
(d) Investir na qualidade da formação dos recursos humanos e do funcionamento global da empresa.
(e) Atender ao facto de não existirem sómente nas empresas os accionistas e os gestores.
(f) Também participam na sua actividade, os trabalhadores não gestores, os credores, os fornecedores, o Estado, os clientes e demais entidades.
(g) As populações onde as empresas se encontram implantadas, o equilíbrio ecológico dos lugares, a sustentabilidade dos recursos endógenos que utiliza e tudo o mais.
Há tanta gente a falar de responsabilidade social apenas por exigências de 'marketing' e nada mais!?

Sem mais nem menos.

Anónimo pró-7RA. (sempre com ponto final)

 
At quarta set 22, 03:43:00 da tarde, Blogger templario said...

Caro pró-7RA.,

Também estou absolutamente de acordo com o teor de todas as suas alíneas.
Cumprimentos

 
At sexta set 24, 04:24:00 da tarde, Anonymous Anónimo said...

De há muito, a falta de vergonha dos homens públicos é fenómeno comum, mas Mira Amaral é um destro praticante da ignomínia. Integrou os quadros do BPI, transitando do adquirido Banco de Fomento, privatizado nos anos 90.

No início da década actual, reformou-se do BPI com indemnização e pensão substanciais.

Algum tempo depois, ingressou na CGD, por influência do PSD; porém, ao final de 18 meses, viria a deixar a instituição do Estado, com uma obscena pensão de reforma de mais de 18.000 euros mensais; e não foi o único, porquanto também o seu ajudante de campo e ex-secretário de estado, Eng.º Alves Monteiro, teve percurso semelhante, embora a valores mais baixos.

Hoje, Mira Amaral, administra o Banco BIC, ao serviço de Amorim e de Isabel dos Santos, a princesa do reino corrupto de Angola. Um homem que, além de retribuições de privados que não discuto, em função da desfaçatez de arrecadar cerca de 250.000 euros anuais de uma instituição pública, perdeu a moral – e igualmente a vergonha – para falar em desperdícios de dinheiros públicos, mormente em cortes de despesas. Sr. Mira Amaral: ajude o País, prescindindo da abjecta situação de reformado da CGD!

in:
http://www.aventar.eu/2010/09/24/mira-amaral-%e2%80%93-um-homem-sem-vergonha/#comments

 

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