quarta-feira, novembro 10, 2010

LISBOA - Bairros centram atenções em debate sobre fusão de freguesias

Sessão da Assembleia Municipal serviu para debater estudo sobre governação local
"O conceito de bairro é a base de identidade de Lisboa." As palavras são de João Seixas, coordenador executivo do estudo "Qualidade de Vida e Governação na Cidade de Lisboa", e foram proferidas ontem, durante a sessão extraordinária da Assembleia Municipal de Lisboa, no Teatro Aberto. A ideia foi unanimemente aceite pela audiência, mas as opiniões divergiram no que se considera ser um bairro.

Segundo Jorge Gaspar, orador durante a tarde de ontem, a "questão do bairro não pode ser mitificada", embora seja importante. Para o professor universitário, há que ter em conta que nem todos os bairros de Lisboa são iguais.

"Falar do Bairro de Chelas é muito diferente de falar do Bairro de Campo de Ourique ou do Bairro de Alfama", argumentou. Até porque, salientou, o "bairro é polissémico" e cada um tem uma origem distinta.

Para o arquitecto Silva Dias, que interveio no debate aberto ao público, a própria palavra bairro tende a desaparecer, devido à conotação negativa que tem vindo a adquirir, por indiciar separação. A título de exemplo, mencionou o caso do Bairro Azul, contrastando-o com o de Alvalade.

A discussão surgiu a propósito da proposta feita no estudo encomendado pela Câmara Municipal de Lisboa ao Instituto Superior de Economia e Gestão e ao Instituto de Ciências Sociais e que foi globalmente coordenado por Augusto Mateus, professor universitário.

No que João Seixas sublinhou ser "sobre a governação da cidade" e não sobre "mapas", os investigadores propuseram alterações à organização administrativa da cidade. De entre as várias propostas, a que tem reunido mais consenso é a de redução das actuais 53 freguesias para 27 (ver imagem), a fim de existir uma maior eficiência na gestão da cidade.

Um dos opositores a esta proposta é o presidente da Junta dos Mártires, Guerra de Sousa, que não aceita que se acabe com uma freguesia "criada em 1147", apesar de ser uma das mais pequenas do concelho de Lisboa. Até porque, defendeu, durante o dia, é uma das áreas mais povoadas do país, com quase um milhão de pessoas: abrange o Chiado.

|DN|
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