domingo, novembro 14, 2010

PORTO - Exigido metro em vez do TGV para Madrid

Autarcas e dirigentes partidários do Grande Porto encaram como prioritária a segunda fase do metro do Porto e deve avançar no lugar do TGV para Madrid. 

Expansão do metro do Porto em causa

Há dez anos que a Trofa espera pelo metro. A ligação do ISMAE (Maia) até àquele jovem concelho esteve para avançar na primeira fase. Foi sendo sucessivamente adiada até que, em Dezembro de 2009, o concurso finalmente foi aberto e os carris do comboio foram retirados. Agora, o projecto será suspenso e a presidente da Câmara está revoltada.

"Nunca pedimos o metro em detrimento do comboio. Mas, a partir do momento que alguém assumiu essa responsabilidade, a Trofa não se calará!", promete Joana Lima, avisando, assim, o Governo: "Estarei sempre ao lado da população da Trofa em defesa dos interesses do meu concelho".

Apesar de sensível à situação financeira e económica do país, a autarca socialista considera que o seu concelho não pode ser sistematicamente "prejudicado", ainda por cima quando o Governo insiste em avançar com projectos como o TGV, que serão concretizados igualmente através de parcerias público-privadas.

"O projecto do metro é essencial para a modernização e o bem-estar das populações desta região. Devia era de ver reforçada a sua componente do QREN em detrimento das aventuras do TGV", concorda Marco António Costa, vice-presidente da Câmara de Gaia, que perde a extensão da linha amarela até Vila D"Este.

Em Matosinhos, suspende-se a linha de S. Mamede de Infesta, que ia ligar a Senhora da Hora ao Hospital de S. João. O autarca socialista Guilherme Pinto não compreende porque se cancelará nesta altura um projecto que só terá implicações financeiras dentro de dois anos. "Não faz sentido. Trata-se de um investimento prioritário, decisivo para a população. Devíamos era suspender um conjunto de investimentos pensados para o país", sustenta.

"Ou é para toda a gente ou não é. Sei que as finanças do país estão más. Mas não se faz o TGV quando se sabe, à partida, que vai dar prejuízo, e cancela-se uma obra fundamental como o metro do Porto. É um disparate", argumenta o líder distrital do CDS/PP, Henrique Campos e Cunha.

Bloquistas e comunistas, por seu lado, defendem até que os projectos do TGV e da segunda fase do metro do Porto devem avançar em simultâneo. E preparam-se para apresentar, durante o debate na especialidade do Orçamento de Estado, propostas que visam manter a calendarização das cinco novas linhas do metro: Campo Alegre, S. Mamede de Infesta, Vila D"Este, Valbom e Trofa.

"Atirar para a discussão a questão do TGV não faz sentido. O país precisa é de investimentos públicos. Cancelá-los acentua a estagnação", alega o dirigente do PCP/Porto Jaime Toga. "Há investimentos públicos absolutamente necessários como a aposta na modernização da ferrovia", concorda José Castro, deputado do BE na Assembleia Metropolitana.

Já Rui Rio, presidente da Câmara e do Metro do Porto, garante que "oficialmente" apenas tem conhecimento de que o concurso público para a construção das linhas da segunda fase é para ser lançado até ao fim do ano.

|JN|
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