sábado, fevereiro 12, 2011

Defender as 7 Regiões no contexto actual

Aquilo que me leva a defender a instituição das regiões de Trás-os-Montes e Alto Douro e da Beira Interior é a certeza que tenho de que é é indispensável que tal aconteça para evitar a morte do interior de Portugal. Trás-os-Montes e a Beira Interior são não só diferentes, mas mesmo opostas, em relação ao litoral em termos de panorama económico, geográfico, demográfico, cultural, e para além disso têm particularidades na sua história que desde cedo as individualizam como unidades regionais concretas.

Sou mais a favor de Trás-os-Montes e da Beira Interior, do que contra o "norte" e o "centro", se é que me faço entender. Não vejo intenções escondidas nos regionalistas que o defendem, nem tenho medo à "unidade nacional" caso a regionalização a 5 fosse implementada. Nenhuma espécie de Regionalização põe em causa a unidade nacional, antes pelo contrário: o maior inimigo da unidade de um país é o centralismo.

Também não tenho medo a Espanha. Penso, em respeito ao país vizinho, que não faz sentido pensarmos numa hipotética "invasão" espanhola num quadro geopolítico em que estamos integrados numa organização como a União Europeia, e num caso particular como o espanhol, em que, a romper-se a estabilidade, será certamente no caminho da desagregação de Espanha nas diversas nações históricas que a compõem, e nunca na "anexação" de Portugal, que contaria certamente com a oposição veemente de catelães, galegos, bascos e outros.

Quanto a este aspecto, ressalvo que quem mais fala em "união ibérica" são os centralistas, enquanto pouquíssimos regionalistas o fazem.

Sublinho também que alguns extremismos que algumas facções (muito localizadas, diga-se) que defendem uma suposta nação "galécia" no território a norte do Mondego, só é consequência de um tratamento muito desigual e discriminatório, diria mesmo aberrante, que os sucessivos Governos Centrais têm tido para com os territórios fora da capital, e que, conjugado com a constatação do fortíssimo facto que é a evolução galopante da Galiza desde a autonomização dos anos 80, começou a fazer surgir extremismos. Isto é consequência lógica e directa do centralismo, e só se resolverá com a Regionalização. Qualquer Regionalização que seja será melhor para a unidade nacional que este centralismo.

O pior veneno para a unidade nacional é a percepção cada vez mais generalizada de que em Portugal há cidadãos de primeira e cidadãos de segunda, observação que, infelizmente, dadas as circunstâncias, cada vez se torna mais pertinente, particularmente para quem vive no Interior e vê a sua região morrer aos poucos, face a um desprezo cada vez maior dos sucessivos Governos Centrais, que não conhecem, nem querem conhecer, as realidades e as necessidades da maior parte do País que governam.

João Marques Ribeiro

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2 Opiniões

At domingo fev 13, 01:17:00 da manhã, Anonymous Anónimo said...

Concordo com este mapa, não concordo com o das 5 regiões.

Porque a faixa litoral entre Viana do Castelo e Setubal é onde esta a população, o interior está as moscas.

Para que o interior, nomeadamente Tras os Montes e a Beira Interior possam estancar esta fuga de população, tem que ter os seus orgaõs decisórios próprios, caso contrário ficamos na mesma, com a concentração da população e das decisões no litoral.

Não muda nada, o interior continuaria na mesma, abandonado e desertificado.

O mapa das 5 regiões só serve para criar mais Lisboas pelo pais, mas nao resolve esta questão chave que é a desertificação do interior.

Para isso que fique tudo na mesma.

 
At quarta abr 13, 12:51:00 da manhã, Anonymous Anónimo said...

a espanha tem regioes autonomas,sim.mas essas estao subdivididas por provincias.provincias essas que e o mesmo que um distrito em portugal.agora (ex.)no caso de um so alentejo,o que ia nascer era o grande distrito de evora.o mesmo se passava com o norte e reg.centro.e as outras capitais,passavam a ser so sedes de conselho? nao sao os 18 distritos que pesam ao pais,mas sim as 308(11)provincias(conselhos)e que uma sede de conselho em portugal tem a mesma força que uma capital de provincia espanhola.por isso,eles dizem que portugal tem provincias a mais!um pais pequeno em relaçao a espanha...ate faz rir!

 

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