segunda-feira, fevereiro 28, 2011

Reforma administrativa em Portugal... Para quando?

Pedro Rodrigues no Antítese

Para quando uma reforma administrativa séria em Portugal? Quando vamos abandonar um sistema que está provado ser moroso, burocrático, antiquado e desajustado que remonta a 1936(!)


Recentemente um investigador da Universidade do Minho publicou no Correio do Minho as vantagens do desenvolvimento económico potencial da Região do Minho, sob a forma do quadrado Braga-Famalicão-Guimarães-Barcelos. Uma 3ª grande região metropolitana portuguesa, e sinceramente, acredito estar aí um potencial auxilio ao desenvolvimento da região norte, que talvez com um quinto elemento (Viana do Castelo),que pode potenciar este eixo pelas vantagens que a industria naval e os transportes marítimos trazem. Senão vejamos:


Braga: é uma cidade extremamente dinâmica, com uma intensa actividade económica nas áreas do comércio e serviços, ensino e investigação, construção civil, informática e novas tecnologias, turismo e vários ramos da indústria e doartesanato.


A cidade de Braga é considerada por muitos como a Silicon ValleyPortuguesa devido às inúmeras empresas ligadas ao software, algumas delas de grande renome como a Primavera Software (empresa portuguesa líder na produção de software em Portuga e entre as 500 empresas europeias com maior potencial de crescimento), Mobicomp (empresa portuguesa líder no desenvolvimento de soluções de negócio assentes em tecnologias de computação e comunicações móveis) ou a Edigma (empresa portuguesa líder na gestão de projectos digitais e interactividade.

Existem também grandes centros tecnológicos e de investigação noutras áreas, a Blaupunkt Portugal, que é a maior fábrica de produção de auto-rádios e derivados da Europa, está nas dez maiores empresas exportadoras nacionais, é também um grande centro de investigação e desenvolvimento de engenharia electrónica. Esta unidade da Blaupunkt desenvolve todos os seus produtos desde o protótipo até ao produto final, ou seja desde os parafusos até ao design do produto.

Cachapuz, do Grupo Bilanciai, é também uma empresa de excelência em termos de desenvolvimento e inovação. O Grupo Bilanciai é o maior grupo mundial de balanças e sistemas de pesagens. O maior grupo português de alumínios, o Grupo Navarra, em homenagem à freguesia que viu crescer a empresa, é um importante grupo que aposta na investigação e no progresso tecnológico no seu sector. Estas empresas, como muitas outras, são o motorda tecnologia e investigação privada na cidade de Braga.

O mais recente investimento na área da investigação em Braga, actualmente em construção, é o Laboratório Ibérico Internacional de Nanotecnologia (INL), também conhecido por Instituto Ibérico de Investigação e Desenvolvimento. A implantação deste mega instituto deveu-se às características singulares da cidade, atrás referidas, e é o resultado de um acordo de cooperação entre os governos português e espanhol na área de investigação e tecnologia. Com um investimento anual de 30 milhões de euros, esta estrutura irá dedicar-se à investigação na área das nanotecnologias e possuirá várias oficinas, laboratórios, uma biblioteca, auditórios e um espaço para instalar visitantes de curta duração. Será também dotado com um centro de ciência viva para que seja mostrado à população o trabalho que lá será desenvolvido.

Guimarães:
 Tem uma intensa actividade económica, especialmente nas seguintes actividades: fiação e tecelagem de algodão e linhocutelaria,curtumesquinquilharia e artesanato (ourivesariafaianças e bordados).

Famalicão:A cidade encontra-se num importante nó rodoviário que a liga aoPorto, a Braga, a Barcelos, a Guimarães, à Póvoa de Varzim e a Santo Tirso. Tanto a nível rodoviário como a nível ferroviário Vila Nova de Famalicão é uma povoação com uma excelente situação geográfica, o que a tornando-se um ponto de passagem obrigatória. A cidade fica a 20 minutos do aeroporto internacional Francisco Sá Carneiro e do Porto de Mar de Leixões, cruzada por autoestradas, estradas nacionais e caminhos de ferro que unem os principais centros urbanos do Norte do País e da Europa.

Barcelos: arcelos é uma terra rica em artesanato, sendo conhecido pela capital do artesanato portuguesa. Existindo os mais diversos tipos de arte foram criadas rotas turísticas com as seguintes denominações:

  • Rota da cestaria e do vime
  • Rota da madeira
  • Rota do ferro e derivados
  • Rota do figurado
  • Rota dos bordados e tecelagem.
Viana do Castelo:

Os Estaleiros Navais de Viana do Castelo (ENVC) são uma sociedade anónima, actualmente de capitais maioritarimente públicos, vocacionada para a construção e reparação naval.


Os Estaleiros Navais de Viana do Castelo foram criados em Junho de 1944, por incentivo do Governo, que pretendia um desenvolvimento e modernização da frota de pesca portuguesa de longo alcance. Os primeiros sócios foram técnicos de construção naval do Porto de Lisboa associados a empresas do ramo da pesca do bacalhau.

Os ENVC começaram pois por se dedicar essencialmente à construção de navios de pesca de longo curso. Posteriormente o seu leque de construções foi-se alargando para navios de outro tipo, incluindo desde ferry-boats a navios de guerra.

Em 1975 os estaleiros foram nacionalizados, passando a ser uma empresa pública. Em 1991, os ENVC são transformados em sociedade anónima, mas mantendo-se o Estado como seu principal accionista.


NAVIOS CONSTRUÍDOS

Ao longo da sua história, os ENVC construiram mais de 200 navios de todos os tipos. Dos mais recentes, ou ainda em contrução, destacam-se:
  • Navios de Cruzeiro Fluvial e Costeiro de 90 t Algarve Cruiser eDouro Queen
  • Ferry de Passageiros de 800 t Lobo Marinho
  • Navios de Patrulha Oceânica de 1600 t Viana do Castelo e Figueira da Foz
  • Porta-contentores de 8.000 t Industrial Diamond
  • Navios Reefer (transporte de contendtores + porão frigorífico) de 15.000 t Carmel Ecofrech e Carmel Bio-Top
Resumindo, o Minho congrega praticamente tudo de bom que o Portugal do futuro pode oferecer: Tecnologia, Investigação e Desenvolvimento, Indústria com extraordinário potencial para exportação, agricultura de grande escala, bons acessos, turismo (aqui nasceu Portugal) etc... Na minha humilde opinião, a região que mais fez por si no Portugal democrático. Não vivemos da implantação da indústria estrangeira, criámos indústria, criámos potencial humano.

Urge a Regionalização!!

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