sábado, fevereiro 05, 2011

A extinção de freguesias (ou a demagogia levada ao extremo)

Um grande alarido se tem feito nos últimos tempos sobre a suposta necessidade de extinguir freguesias para reduzir a despesa do Estado.

É preciso ver que caminho vai levar à extinção pura e simples de dezenas de povoações rurais, afastando as pessoas da política e da sociedade... Mas
sobre isto, têm-se ouvido frases inacreditáveis, de uma demagogia inqualificável...
Almeida Santos disse inclusive que se conseguiria com isto, «uma poupança brutal».


Será que nem os nossos responsáveis políticos têm noção da ordem de grandeza (que é da ordem das «migalhas») que as freguesias representam na despesa pública?

Algo elucidativo sobre os valores em questão:

O Estado transfere para as tais mais de 4000 freguesias do nosso país o valor de 193,6 milhões de Euros (valores dos mapas do Orçamento de Estado para 2011).
É com este montante que as freguesias do nosso país se governam durante um ano...

Só de um concurso para outro do TGV Poceirão-Caia, o preço que o Estado terá de pagar por ele aumentou mais que isso: mais 200 milhões de euros.

Portanto, para o Estado, gastar mais 200 milhões de euros num concurso para uma única obra, é perfeitamente normal... Já gastar 193,6 milhões para garantir poder de proximidade a todos os cidadãos não pode ser, e cortar uma pequena percentagem desta despesa é logo "uma poupança brutal", pelo menos para Almeida Santos...

É caso para dizer: estão a tentar fazer os cidadãos passar por parvos? Ou será que os nossos políticos não têm a mínima noção do que é ou não prioritário?

João Marques Ribeiro

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