terça-feira, maio 10, 2011

«Enquanto a Regionalização não chega»

O presidente da CCDR-Algarve confessou-se «surpreendido» com as declarações do presidente da Câmara de Vila Real de Santo António que atribuiu à Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional as maiores responsabilidades na desistência da Odebrecht - a maior construtora brasileira - de investir 300 milhões euros num novo empreendimento turístico naquele concelho.

É compreensível a reacção de João Faria. De facto, não é habitual os autarcas criticarem a Administração Desconcentrada do Estado (ADE). Sabem o que arriscam na «compra» dessas «guerras» e o normal é muitos terem vontade mas poucos terem coragem para expressarem tais descontentamentos. Luís Gomes tem essa coragem.

Mas, para os «atrevidos», reza a história que o mais natural é a ADE pregar-lhes algumas partidas. São portas que passam a abrir-se mais lentamente, é o PROTAL que, afinal, é «incompatível com tal projecto», são súbitas novas interpretações da lei, são pareceres tardios, enfim, é todo um rol de episódios!- começam a surgir, demonstrando assim aos «atrevidos» que devem pensar muito bem antes de dizerem em voz alta as indignações que têm contra a suprema Administração.

Há com certeza algum exagero nesse retrato. E oxalá não houvesse sequer a necessidade de satirizar sobre isso. Mas a verdade é que o ADN desta administração regional é um pouco assim. Também é justo reconhecer que há excepções. E que essa não é a regra, nem a excepção, da forma de trabalhar deste presidente da CCDR e doutros colegas seus, exemplares dirigentes.

Porém, no peculiar «teatro de operações» da nossa organização político-administrativa, também é válida a máxima futebolística de que «uma equipa só joga aquilo que a outra deixa jogar». E no tocante à relação entre a ADE e as autarquias algarvias, as representações regionais dos partidos, que vivem há anos de baterias apontadas para a Regionalização, têm permitido aos diferentes governos jogarem este jogo a seu bel-prazer, tardando, por isso, a avaliação política que lhes compete fazer dos organismos estatais-regionais, do seu funcionamento e da qualidade do serviço público que prestam.

É, pois, tempo dos partidos, ao nível regional, agirem de maneira diferente e pensarem que, enquanto a Regionalização não chega, há muito trabalho para fazer neste âmbito.

|o Algarve|
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