terça-feira, maio 24, 2011

Mudar de Norte

Em tempo de profunda crise global e num contexto de incerteza e de indefinição, impõe-se para a Região Norte um profundo Choque Operacional. Mais do que nunca impõe-se a construção de uma nova plataforma de articulação entre os diferentes actores da Região, destinada a mobilizar as “competências centrais” da sociedade e qualificá-las duma forma estruturante como vias únicas de criação de valor e consolidação da diferença.

Para a Região Norte a oportunidade é única. Impõe-se, de facto, um sentido de Mudança Estratégica neste Novo Norte em que a marca terá que passar por uma Agenda de Convergência. Mudar de Norte é a palavra de ordem.

Para a Região Norte a essência desta nova Mudança Estratégica tem que se centrar num conjunto de novas “ideias de convergência”, a partir das quais se ponham em contacto permanente todos os que têm uma agenda de renovação do futuro. Importa acelerar uma cultura empreendedora na Região.

A matriz comportamental da “população socialmente activa” da Região é avessa ao risco, à aposta na inovação e à partilha de uma cultura de dinâmica positiva. Importa por isso mobilizar as Capacidades Positivas de Criação de Riqueza. Fazer do Empreendedorismo a alavanca duma nova criação de valor que conte no mercado global dos produtos e serviços verdadeiramente transaccionáveis.

A falta de rigor e organização nos processos e nas decisões, sem respeito pelos factores “tempo” e “qualidade” já não é tolerável nos novos tempos globais. Não se poderá a pretexto de uma “lógica secular latina” mais admitir o não cumprimento dos horários, dos cronogramas e dos objectivos. Não cumprir este paradigma é sinónimo de ineficácia e de incapacidade estrutural de poder vir a ser melhor. Importa por isso uma cultura estruturada de dimensão organizacional aplicada de forma sistémica aos actores da sociedade civil. Há que fazer da “capacidade organizacional” o elemento qualificador da “capacidade mobilizadora”.

Pretende-se também um Norte mais equilibrado do ponto de vista de coesão social e territorial. A crescente (e excessiva) metropolização do país torna o diagnóstico ainda mais grave. A desertificação do interior, a incapacidade das cidades médias de protagonizarem uma atitude de catalisação de mudança, de fixação de competências, de atracção de investimento empresarial, são realidades marcantes que confirmam a ausência duma lógica estratégica consistente. Precisamos duma Região com uma identidade colectiva mais conseguida. Precisamos de um Novo Norte!

|Francisco Jaime Quesado
- Gestor do Programa Operacional Sociedade do Conhecimento |
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