quinta-feira, janeiro 26, 2012

Junta Metropolitana “eleita pelos cidadãos”

Porto 24 entrevista Guilherme Pinto.

Alertou para a alegada intenção do Governo de fundir os portos. Qual seria o impacto para o Norte desta medida?

Seria uma das últimas malfeitorias que podiam fazer ao Norte. Uma das melhores estruturas do Norte é a Administração dos Portos do Douro e Leixões. A única medida que se toma é pegar naquilo que é a actividade lucrativa do Porto de Leixões e tentar levar o pouco dinheiro que se gera aqui para ir tapar um qualquer buraco noutro lado. É um atentado à economia do Norte.

A Junta Metropolitana tem de ter uma atitude muito firme em defesa do Porto de Leixões. É tempo de a gente começar a pensar se não vale a pena criar aqui uma Junta Metropolitana eleita da qual dependam a APDL e o aeroporto, para estarmos ao abrigo destas ideias que de vez em quando uns iluminados têm em Lisboa.

Uma Junta Metropolitana eleita pelos cidadãos?

Eleita pelos cidadãos, claro. A maior parte dos erros de Estado são cometidos por pessoas que não têm qualquer responsabilidade perante os cidadãos.

Só dossiês como o Porto de Leixões ou o aeroporto é que o levam a desejar que houvesse uma eleição?

Há muitas áreas em que as autarquias não conseguem agir de forma a resolverem os problemas, por exemplo, no domínio do abastecimento de água ou da recolha e tratamento de resíduos sólidos urbanos.

Mesmo do ponto de vista urbanístico, deveria haver um reforço dos poderes de uma entidade que aglutinasse os municípios. Os presidentes de câmara devem estar disponíveis para perderem poder nessas matérias, se é que alguma vez o tiveram, porque são matérias que estão acima dos municípios.

Deveria haver, na falta da regionalização, uma Junta Metropolitana eleita que tivesse estas competências e que juntasse a gestão de entidades que contribuem muito para o desenvolvimento económico da região.

Porque é que não existe já essa coordenação?

A junta metropolitana, com o actual modelo, tem muitas dificuldades porque cada presidente defende a sua autarquia e não lhe compete defender outra coisa — se não o fizer pode ser mal avaliado pelos seus concidadãos.

O Governo está-nos a desafiar para dizermos quais devem ser as competências da Junta Metropolitana. Acho bem, até era um belo negócio: o doutor Passos Coelho tinha uma proposta de uma região para o Algarve, trocávamos essa região [piloto] por 2 juntas metropolitanas, uma no Porto e outra em Lisboa.
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