sábado, abril 14, 2012

O Porto ao espelho


1. A tertúlia desta semana que o GRANDE PORTO organizou no Hotel Infante Sagres merece uma reflexão aprofundada. Luís Braga da Cruz, Valente de Oliveira e Rui Moreira falaram sobre os caminhos a trilhar pelo Porto e pelo Norte no futuro imediato. E uma das conclusões mais interessantes foi a de que o Porto não pode entrar numa lógica de capitalidade, até porque essa é uma característica que manifestamente não possui
.

Como muito bem referiu Rui Moreira, falta-nos ser Porto, com um discurso claramente adequado aos nossos pergaminhos. O Porto deve ser contra-poder, não pode querer substituir-se ao poder vigente. Enveredar por esta estratégia e caminhar alegremente para o abismo do qual estamos manifestamente perto.

A cidade do Porto tem uma matriz própria, uma identidade única, que não se compadece com a tendência de se criarem cópias mais ou menos pálidas de modelos pouco recomendáveis. 


Tentar assumir-se como capital do que quer que seja (do Norte, do Noroeste Peninsular ou de outra coisa qualquer) vai contra o ADN de uma cidade insubmissa e que soube olhar além do seu umbigo. Os próximos responsáveis políticos da região terão tanto mais sucesso, quanto mais depressa perceberem isto. 

2. Os transportes públicos são um bom indicador do estado actual do país. Não as dívidas e os passivos que acumulam ano após ano, mas sim no que diz respeito à sua frequência.
Utilizo o metro praticamente todos os dias e a verdade é que semana após semana, somos cada vez menos em cada carruagem. O que terá acontecido a algumas dessas pessoas?

A senhora muito bem posta que fumava dois cigarros quando a tabuleta assinalava apenas três minutos para o próximo metro desapareceu. O homem que partilhava as notícias d’a Bola entre General Torres e os Aliados também não se vê há muito.

Os transportes têm cada vez menos gente, essa é que é a verdade. E isso é claramente o reflexo da galopante taxa de desemprego que assola o país e para a qual não parece haver remédio à vista.

Há um programa de emergência, mas o que está a acontecer pode assumir contornos de uma autêntica catástrofe. A dignidade de não se ter um emprego para ser possível pagar as contas e pôr comida na mesa será o rastilho da bomba que vai estilhaçar a mania dos brandos costumes.


 Miguel Ângelo Pinto
- Director Interino
  do Grande Porto
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2 Opiniões

At domingo abr 15, 11:26:00 da manhã, Anonymous Curiosa.mente said...

O Porto, o norte e o pais precisam de propostas concretas por + insignificantes q elas sejam e não de abstraçoes, generalidades.Apela-s aos tertulianos q não reunam só nos Hoteis Chics!Reunam tbém nos Pavilhoes desportivos , nos salões das JFregs, nos bairros. Ouçam, dialoguem, ensinem, esclareçam, motivem,construam.Sobre a REGIONALIZAÇÃO:exponham, apresentem propostas, esclareçam.Concretizar e nao divagar, é o q Portugal precisa. Porq esta é a ditosa Patria nossa amada.
Melhrs cumprts, d
Curiosa.mente
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At domingo abr 15, 12:07:00 da tarde, Anonymous Amigos de Montalegre said...

Ao Semanário Grande Porto:
É c prazer q informamos q os 'Amigos d Montalegre' colocaram uma ligação p o V/Semario GP.
C os n mlhrs cumprts e ao V/dispor,os
AdM
http://amigosdemontalegre.blogs.sapo.pt/
...................

 

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