terça-feira, abril 10, 2012

Regionalização: última oportunidade ?


Nunca como nos últimos 35 anos do Portugal democrático, tanto se investiu no interior de Portugal, quer nas infra-estruturas viárias ou ferroviárias, quer na cultura, na educação, nas redes de abastecimento de água, no saneamento, ou mesmo no lazer e qualidade de vida das pessoas.

Todavia não deixa de ser verdade que, longe de se ter conseguido inverter a perda de população, iniciada nos anos 50 do século passado, em quase todos os concelhos do interior se continua a perder população e riqueza.

Não deixa igualmente de ser verdade que nos últimos anos, muitas cidades do interior se afirmaram no cenário nacional pelas suas universidades, politécnicos e mesmo pela afirmação de fileiras tecnológicas e industriais.

Este caminho não só não é suficiente como é incapaz de suster a desertificação do interior e a prova disso é que em Portugal, se concentraram no litoral, e numa faixa de território entre Braga e Setúbal cerca de 80% da população e da riqueza do país e, em Lisboa quase toda a capacidade de decisão.

Durante décadas, os sucessivos dirigentes políticos, quer da ditadura quer da democracia e de todos os partidos não utilizaram qualquer estratégia vencedora e consensual que impedisse este movimento contribuindo para a realidade em que quase todas as vilas e aldeias do interior estão, e se nada se fizer, condenadas a desaparecerem.

Não entendo, ao contrário de muitos, que a regionalização seja o remédio milagroso para o problema: perdeu-se muito tempo, perdeu-se muita gente e acima de tudo o país perdeu uma grande oportunidade de crescer de uma forma sustentada: grandes cidades como Lisboa e Porto também não são nenhum exemplo pela forma como cresceram desordenadamente.

Num período de crise mundial, em que ninguém será capaz de prever qual será a configuração da economia mundial para os próximos anos, ninguém duvide de que Portugal precisará de regiões fortes e equilibradas. A economia pede-o e a democracia exige-o.

  
Por Jorge Seguro Sanches/Jornal do Fundão
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