terça-feira, maio 29, 2012

Coimbra, uma década a definhar

No mundo globalizado em que vivemos, assume cada vez maior importância, absoluta e relativa, o modelo de desenvolvimento que cada um dos seus territórios é capaz de conceber e pôr em prática, sobretudo tendo em vista a cada vez mais agressiva competição interterritorial.

Competição que nos habituámos a ver entre blocos políticos e/ou geográficos, ou entre países, mas que hoje assume outras dimensões. A competição entre cidades ou entre territórios de dimensão infra estadual é uma realidade dos nossos dias que assumirá uma crescente relevância.

Esta é uma realidade que nos obriga, a todos, a uma mais atenta apreciação da nossa realidade mais próxima e à consequente atuação sobre ela.

A este propósito atentemos nos seguintes quadros relativos à nossa cidade:


1993
2001
2009
Importações das Empresas (milhões de €)
84
201
152
Exportações das Empresas (milhões de €)
58
71
63


1997
2001
2009
2010
Sociedades Constituídas
393
479
401
399
Sociedades Dissolvidas
44
103
109
230


1981
2001
2008
2009
2010
2011
População Residente
140 002
146 317
135 314
133 426
131 446

Alojamentos
44 475
68 501



79 452

Mais importante do que o que eu possa escrever é a reflexão preocupada que o leitor  neste momento certamente  já estará a fazer.

No entanto, parece evidente que Coimbra passou de uma situação de crescimento até 2001, para um claro e violento empobrecimento a partir daí.

As relações comerciais das nossas empresas caíram mais de 20%.

A constituição de novas empresas está, em 2010, ao nível de 1997 enquanto a dissolução de empresas atinge níveis nunca vistos até agora.

A população residente diminuiu 11% na última década e só em 2 anos – de 2008 para 2010 – diminuiu 2,5%.

A única atividade económica que registou crescimento foi o sector da construção civil e do imobiliário, ainda que com as dificuldades e os impactos nas empresas do sector que só agora se conhecem.

Ou seja, nos últimos dez anos não fomos competitivos, diminuímos a atividade económica, fomos menos empreendedores, perdemos população e ficámos mais dependentes do crédito bancário. Em suma, empobrecemos.

Coimbra, cidade da ciência e do conhecimento, tem capacidades e recursos para inverter este caminho.


Luís Parreirão no 'as beiras'
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