quarta-feira, março 13, 2013

CONHEÇA A RIA DE AVEIRO A BORDO DE UM MERCANTEL

Apesar de mais conhecido, o moliceiro não tem o exclusivo da ria de Aveiro, porque o mercantel também lhe faz frente - antigamente no transporte de carga (sal e areia) e de passageiros, agora nos passeios turísticos que a Eco Ria organiza desde 1993 pelos canais da cidade. Para seguir viagem, quer num, quer noutro, gasta 5 euros (mais 1 euro de taxa turística) e 45 minutos de um tempo que seguramente dará por bem empregue.

Chegam a ser uma dezena, as embarcações ancoradas no Canal Central da ria de Aveiro. São moliceiros, mercantéis, e também por lá se vê uma lancha com a qual a Eco Ria faz passeios para grupos com almoço a bordo.

Com os seus painéis coloridos e brejeiros à proa e à ré, ao moliceiro - o barco destinado à apanha do sargaço (moliço) -, chamam-lhe o ex-líbris da ria. Foi, no entanto, num mercantel novo mas adaptado às novas funções turísticas (construído em fibra de vidro e com as cadeiras viradas em posição frontal) que seguimos passeio. Antigamente, o mercantel, ou saleiro, era movido à vela, à vara e a remos, agora são só para turista ver, e segue a motor.

A tripulação é composta por dois marinheiros e, sempre que possível, por Catarina Diogo, que faz as honras da casa e guia os passeios em português, espanhol, inglês e francês por quatro canais da ria. 

Já navega o mercantel. Junto ao Rossio da cidade - noutros tempos uma marinha de sal - apreciamos as fachadas Arte Nova. Um desses edifícios foi escolhido, precisamente, para albergar o museu dedicado a este estilo artístico decorativo.

O Canal Central desemboca no das Pirâmides, assinalado por duas estátuas de betão com o formato deste sólido geométrico, e que representam uma atividade que durante séculos foi próspera em Aveiro: a produção de sal.

A funcionarem de março a outubro, as salinas e toda a zona mais "natural" da ria ficam do lado de lá da eclusa que controla a subida e descida das águas da ria. Sendo esta um braço de mar que irrompe terra adentro, também está sujeita às marés. Depois de passada a eclusa (este passeio fica-se apenas pelos canais da cidade), estão 47 quilómetros de ria que vai de Ovar a Mira, já no distrito de Coimbra. A ligação artificial com o mar (aberta em 1808) dá-se na Barra, a oito quilómetros. 

@oje

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