domingo, maio 05, 2013

Porque não haverá regionalização

O Mapa

Não é consensual, nem nunca poderá ser. Em minha opinião a configuração segundo as cinco regiões-plano é uma má decisão. Causa vivo repúdio às regiões do interior Norte e Centro, que alegam que continuarão esquecidas, já que o poder passaria de Lisboa para outra cidade que as ignoraria. O alegado ‘portocentrismo’ é uma acusação que já hoje é corrente e que tenderá a intensificar-se.

Quase certamente haverá muita gente do Minho a votar contra uma região que nominalmente tenha o Porto como cabeça. Por outro lado, transmontanos e beirões não se revêem numa regionalização em que não constituam regiões de pleno direito, e a minha simpatia pessoal está com eles. Além disso, porque razão não poderia existir uma região que correspondesse à Área Metropolitana do Porto, a que poderiam aderir os concelhos limítrofes que assim o desejassem?

Em resumo, o mapa baseado nas cinco regiões é provavelmente um ‘handicap’ para o êxito do SIM. Tenho fortes suspeitas que se trata de decisão do governo com vista a inviabilizar o resultado do referendo (não esquecer que um referendo só é vinculativo se votarem 50% +1 dos eleitores inscritos).

Penso que dada a importância do desenho do mapa, o governo já devia ter patrocinado um amplo debate destinado a auscultar opiniões que ajudassem a atingir algo que fosse o mais próximo possível de um inatingível consenso. O atual silêncio é suspeito, e uma eventual apressada discussão nas proximidades da data do referendo será um show-off inútil que apenas servirá para confirmar as suspeitas de má-fé.

A Identidade Regional

Tenho dúvidas que haja uma entidade "nortenha", mas há com certeza várias identidades sub-regionais: transmontanos, beirões, minhotos. Penso que não poderemos acrescentar durienses (no sentido de habitantes da província do Douro Litoral) mas portuenses sim, de certeza, e com uma área que extravasa em muito os limites do concelho do Porto. Manter as cinco regiões é uma maneira de fazer desaparecer estas identidades e em consequência, como já afirmei, diminuir as probabilidades de êxito do SIM, finalidade única do governo e dos políticos lisboetas.

A criação de regiões como Trás-os-Montes/Alto Douro, ou as Beiras, é por vezes combatida com o argumento de que não teriam "massa crítica". Lembro que a Espanha, país com regiões enormes, algumas com população quase igual à de Portugal, tem regiões pequenas que criou pelo mesmo motivo que defendo para nós: a existência de identidades que estariam deslocadas se fossem incluídas em regiões maiores com as quais não têm afinidade, mas a quem o governo central deu a possibilidade de se manterem elas próprias, conservando a sua individualidade. Gostaria de ver imitado em Portugal o respeito manifestado em Espanha pelo governo de Madrid. Cito alguns exemplos:

La Rioja - 301 mil hab. em 5.045km2
Cantábria - 562 mil hab. em 5.321km2
Navarra - 593 mil hab. em 10.391km2

Obs.: a Region de Murcia é o caso de uma região que foi feita de encomenda para a cidade de Murcia, tendo 1,42 milhões de habitantes. Penso que podia servir de exemplo para se pensar numa Região do Porto.

Há mais motivos, e fortíssimos, para inviabilizar a regionalização, que tenciono desenvolver brevemente.
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Rui Farinas
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14 Opiniões

At domingo mai 05, 09:06:00 da tarde, Anonymous Anónimo said...

Espanha tem uma regionalização autónoma. Isto quer dizer que todas as regiões são autónomas umas das outras. Verdadeira distribuição de poder. Portugal é aterrorizado por uma bandeira, Lisboa

 
At domingo mai 05, 11:37:00 da tarde, Anonymous Paulo Costa said...

Portugal também tem 2 regiões autónomas. Todavia, o território continental é administrado, todo e mal, a partir de Lisboa.

 
At segunda mai 06, 06:14:00 da tarde, Anonymous Anónimo said...

Espanha tem uma identidade histórica multi-regional, não se pode comparar as regiões com as nossas "futuras" de forma simples - nós somos um país muito mais homogéneo que Espanha.

 
At segunda mai 06, 07:31:00 da tarde, Anonymous Anónimo said...

Concordo que Espanha é um país mais heterogéneo. Mas a forma como eles tem respeito pelas "identidades regionais" é um exemplo positivo para nós vermos.

 
At quarta mai 08, 08:21:00 da tarde, Anonymous claudio said...

isto do porto acho piada!! mas porque raio ha de ser o porto capital??!?!

criacao da regiao do norte do portugal com sede maior em vila real!!! apoio inteiramente! e sou do porto!!

esta questao é abordada da prespectiva da suposta capital regional mais do que as semelhancas entre as varias localidades do pais. porto e o minho estao inteiramente ligados! nao me venham com coisas! eu sei que é chato ouvir isto para os minhotos mais ferranhos, mas é verdade!!!

porto e minho e tras os montes no maximo para o norte do portugal com capitais em pitoes da junia e em rio de onor!!!!!

seja!!!!

 
At quarta mai 08, 08:22:00 da tarde, Anonymous claudio said...

***queria dizer 'porto e minho' e 'tras os montes'. 2 regioes.

 
At quarta mai 08, 08:22:00 da tarde, Anonymous claudio said...

***queria dizer 'porto e minho' e 'tras os montes'. 2 regioes.

 
At quinta mai 09, 11:36:00 da manhã, Blogger João P. Marques Ribeiro said...

Subscrevo com agrado a opinião de Rui Farinas, e os exemplos que deu vão na linha do que tenho defendido há muito.

Portugal tem realidades diferentes no interior a norte do Tejo que têm que ser geridas por quem as conhece, nomeadamente nas regiões da Beira Interior e de Trás-os-Montes e Alto Douro.

A massa crítica não é nem pode ser critério. Se regiões mais pequenas e menos populosas como La Rioja que o autor referiu, ou os próprios Açores e a Madeira, conseguem ter massa crítica para ser regiões autónomas, porque não haveriam Trás-os-Montes e a Beira Interior de ter massa crítica para ser regiões administrativas, como outras dezenas desse tamanho e população que existem pela Europa fora?

Cumprimentos,

 
At segunda mai 13, 04:56:00 da tarde, Blogger aferreira.cec said...

O que é que o autor considera um Beirão? Porque eu sendo de Coimbra, me considero um...

 
At segunda mai 13, 05:08:00 da tarde, Blogger Antonio Almeida Felizes said...

Caro aferreira.cec ,

Infelizmente o autor deste texto não lhe vai poder responder pois faleceu há alguns meses atrás.

Cumprimentos,

 
At terça mai 14, 07:34:00 da tarde, Anonymous Anónimo said...

Grande texto.
O maior entrave a regionalizaçao é o Porto.

Ninguem quer Porto a mandar numa regiao norte. Nem qe acapital seja outra. O norte nao pode existir.

Minho e Tras os Montes são regioes que cumprem todos os criterios para se afirmarem e desenvolverem sem terem de estar ligados ao porto

 
At quarta mai 15, 12:32:00 da tarde, Anonymous Anónimo said...

Como quiserem ! Há séculos e séculos de prova que Lisboa não tem capacidade para administrar corretamente o Norte e muito menos o Interior. As políticas aprovadas em Lisboa pouco têm a ver com as necessidades do Norte e do Interior.Se o Norte e o Interior fossem administrados pela China se não fosse igual, só podia ser melhor. Que tal se Trás-os-Montes fosse administrado pela província de castilla-léon ?

 
At quarta mai 15, 02:21:00 da tarde, Blogger aferreira.cec said...

Caro António Felizes, fico triste por sabê-lo, que descanse em paz

 
At quinta mai 16, 12:42:00 da manhã, Blogger Antonio Almeida Felizes said...

Caro aferreira.cec,

Obrigado. O Rui Farinas apesar de muito céptico, era, realmente, um dos grandes defensores desta causa da regionalização e um frequentador assíduo deste 'blog'.

Cumprimentos

 

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