segunda-feira, dezembro 12, 2016

TERRITÓRIOS DO INTERIOR QUEREM REGIONALIZAÇÃO E INVESTIMENTO PÚBLICO


É um interior em mutação, onde até o rural “já não é agrícola, mas ainda não é outra coisa”

Cerca de 150 ativistas reuniram-se na Covilhã com uma preocupação comum: combater o centralismo, o mais grave da União Europeia, e inverter o ciclo de empobrecimento e de despovoamento de dois terços do território português onde habitam cerca de 3 milhões de pessoas.

Foi deste interior em mutação, onde até o rural “já não é agrícola, mas ainda não é outra coisa”, que se falou ao longo de toda a jornada de trabalho.

Pedro Soares, deputado do Bloco, saudou os 40 anos do Poder Local e colocou como prioridade na agenda da coesão territorial o “investimento público direcionado para combater as assimetrias regionais e as desigualdades que se eternizam, e a regionalização, para dar capacidade de decisão democrática às populações.”

Descentralizar não se resume a transferir umas quantas competências para os municípios, é antes de mais dar aos cidadãos a capacidade democrática de participação e de decisão sobre as políticas para as suas regiões, poderem eleger os seus órgãos de administração regional.”

“Feitas as contas demonstra-se que o salário médio de um profissional da mesma categoria no interior é mais baixo que no litoral, bem como o elevadíssimo preço que os residentes nestes territórios pagam para acederem a um conjunto de bens e serviços que não existem ou não existem com regularidade no interior, ou seja, o enorme preço que pagam pela interioridade”

Portugal é um caso grave de falta de equidade na alocação de meios para o desenvolvimento sustentável. Através da análise de dados estatísticos verifica-se as assimetrias entre regiões do nosso país e entre países europeus demonstrando-se a necessidade de um processo de regionalização administrativa do território.

Rui Pulido Valente, professor do Instituto Politécnico de Portalegre, focou a importância da cidadania e da participação nos processos de desenvolvimento sustentável e a importância da descentralização e da regionalização como ferramenta democrática para o desenvolvimento destes territórios.


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