SIM, SOMOS PELA REGIONALIZAÇÃO...

Antes de mais: a regionalização não é uma questão ideológica, até porque partimos do pressuposto que a preocupação com o território estará distribuída equitativamente por todos os partidos políticos, independentemente da proximidade individual que cada um de nós tenha em relação a uma força ou a um projeto político.

A decisiva questão da gestão do território é – ou deveria ser! –transversal a todos os quadrantes políticos, tal como deveria ser a perceção de que, apesar de sermos um país relativamente pequeno em área, temos um mosaico de problemas e de especificidades regionais que não se combatem com medidas planas e transversais. 
Não, o território não é todo igual. Não, as soluções não são as mesmas para todos e não, o tratamento de “igualdade” não funciona quando há territórios a tentar manter-se à tona.
Não valerá a pena repisar neste espaço tudo o que já foi escrito sobre a regionalização e sobre o que se passou há exatamente 20 anos, quando a “partidarite” tomou conta do processo, dividindo, salvo algumas raras exceções, a campanha que antecedeu o referendo numa batalha entre a direita e a esquerda parlamentar. 
O resultado foi o que foi e o assunto passou a ser um inexplicável e traumatizante “tabu”. Hoje, é a “descentralização” e a “transferência de competências” que dominam o léxico descentralizador, sem que nos aproximemos sequer daquele tema “maldito” que ficou soterrado na noite de 8 de novembro de 1998.
O Jornal do Fundão não foi inócuo em relação a esta questão. Em 1998 tinha uma opinião vincada sobre este tema, sem que, editorialmente, se condicionasse a equidade das posições e o livre acesso à opinião sobre o tema. 
Era uma questão de coerência com aquilo a que este semanário sempre se comprometeu: defender o que julgava ser o melhor para a região da Beira Interior. 
Era essa mesma região da Beira Interior que o JF já há muito imprimia nas suas páginas, que constava no mapa das oito regiões administrativas que foram à apreciação dos eleitores.
Passados 20 anos, regressamos a esses dias, num especial de três páginas. Porque a memória é importante e porque hoje, duas décadas depois, continuamos a entender que só uma estrutura intermédia com capacidade de reflexão e de decisão e com uma ampla intervenção sobre o território nos conseguirá aproximar de outros patamares de desenvolvimento. Nada de decisivo ocorreu em termos de administração de território que nos fizesse mudar de opinião – antes pelo contrário!
Os mais recentes indicadores demográficos continuam a atestar a hemorragia da região e as fragilidades de afirmação económica, que apesar do enorme esforço de muitos atores regionais, continuam evidentes a todos. 
E, acima de tudo, a Beira Interior, que partilha dos mesmos problemas estruturais, não tem posição concertada em quase nada e sobre quase nada: Não nos fazemos ouvir para além do concelho, ou sendo muito otimista, das três (!) comunidades intermunicipais por onde andam espalhados os municípios da Beira Interior. 
Não há lobby, nem visão comum sobre os grandes desígnios do nosso território. Não há quase nada que extravase os limites do pequeno lamento. Por isso, ontem, como hoje, esta é a posição do Jornal do Fundão: sim, somos pela regionalização.

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