Regionalização - a cenoura e o burro

Cortesia "REI MOURO"

Quando, no espectro político nacional se está na oposição, todos reivindicam a descentralização de poderes da administração central para as autarquias (reforço do poder autárquico) ou para as regiões (regionalização). Na verdade, as coisas têm sido bem diferentes, temos assistido continuadamente ao reforço do Estado centralizador. E o desenvolvimento socio-económico do nosso “alegre rectângulo” reflecte todo um conjunto de políticas centralizadoras que “a bem da nação” têm sido seguidas.

Uma situação flagrante e actual, é o caso dos fundos do QREN (actual quadro comunitário em início), em que o provavelmente último grande pacote financeiro vindo da CE, será gerido em 2/3 por Lisboa. Em Lisboa sabem tudo, até sabem certamente onde fica Aguiar da Beira, Fornos, Sernancelhe, Trancoso, …, e os dados estatísticos que daqui emanam, mas a vida por aqui, misturada com as dificuldades que só quem cá vive conhece e sofre, é bem diferente.

Mais apreensivo fico quando assisto, há pouco mais de uma semana na Antena 1, à quase sentença dum ilustre cientista nacional destas matérias, e lhe ouço dizer que o desenvolvimento do interior e o combate à desertificação demográfica passa pelo reforço (duplicação) das competências autárquicas e consequente reforço financeiro das autarquias. Quando na prática assisto ao contrário do que é apregoado, das duas uma, ou os cientistas estão errados (desmintam-nos com argumentos sustentados), ou a lógica e uma batata.

Começo a ficar cansado de assistir a continuados centralismos, à medida que se vai iludindo a “populaça” com novas metas para uma “verdadeira” descentralização. Faz-me lembrar a cenoura pendurada por arame à frente dos olhos do burro, assim este faz a viagem mais depressa em busca da cenoura que dificilmente alcançará.

Basta de pensamentos profundos, haja vontade política – Regionalização, já!

Comentários

al cardoso disse…
Para a frente com a regionalizacao, mas com uma verdadeira descentralizacao de servicos e competencias, nao criemos centralidades regionais!
Anónimo disse…
Ok António, subscrevo. Mas advirto também, com o insuperável saber popular:

" - Devagar, que TEMOS PRESSA!"

Um abraço,

A. Castanho.
Anónimo disse…
Vai por aqui alguma confusão. Embora não pareça, a Descentralização que o governo prepara é o contrário da Regionalização aqui defendida. Tirar Serviços de Braga ou de Vimioso para o Porto, é regionalizar? Não. O processo ADMINISTRATVO é mil vezes mais grave que o processo das Escolas, Maternidades, Urgências, Tribunais ou Registo Civil...