Problemas da Regionalização

Deputado socialista Vítor Baptista critica ministro da Economia por anunciar mudança de direcção regional de Coimbra para Aveiro

O vereador e deputado socialista Vítor Baptista disse que o ministro da Economia demonstrou insensibilidade política quando anunciou, há uma semana, a transferência da Direcção Regional de Economia do Centro de Coimbra para Aveiro.

É uma coisa que não me surpreende neste ministro, declarou Vítor Baptista, coordenador da Comissão do Orçamento e Finanças da Assembleia da República, que usava da palavra na qualidade de vereador do PS na sessão quinzenal da Câmara Municipal de Coimbra, presidida pelo social-democrata Carlos Encarnação.

Manuel Pinho confirmou em Aveiro, no dia 17, a mudança para esta cidade até ao final do ano da Direcção Regional de Economia, decisão que justificou com uma maior proximidade deste organismo à actividade empresarial, salientando que estão a ser criadas novas realidades no distrito.

Na sequência das declarações do ministro da Economia, a transferência, a efectuar no âmbito do Programa de Reestruturação da Administração Central do Estado (PRACE), surgiu na opinião pública como uma conquista de Aveiro, lamentou Vítor Baptista.

Também não gostei, afirmou, frisando que vê o PRACE como um documento nacional e coerente que antecede a regionalização do país em 2009 e não é dirigido a Coimbra com o objectivo de prejudicar a cidade e o distrito, como acusaram nos últimos dias as estruturas distrital e concelhia do PSD.

O líder da Federação de Coimbra do PS reconheceu, assim, que Manuel Pinho, que foi cabeça-de-lista do PS por Aveiro nas legislativas de 2005, não foi feliz no anúncio que fez há uma semana naquela cidade.

A vereadora Fernanda Maçãs, também eleita pelo PS, defendeu que tem que ser a autarquia a liderar uma dinâmica local junto do Governo para que o esvaziamento de serviços públicos de Coimbra e a perda de importância económica sejam contrariados.

A anulação dos poderes locais e regionais vai potenciando cada vez mais a sua centralização em Lisboa, criticou, por seu turno, Pina Prata, vereador do PSD que nos últimos meses tem afrontado Carlos Encarnação, devido a divergências no seio do partido relacionadas com o projecto Coimbra Inovação Parque (iParque), cujo capital, que chegou a ser controlado pelo próprio Prata, voltou em Julho para as mãos da autarquia.

Carlos Encarnação acusou o Governo de promover uma mudança ridícula de organismos públicos para outras cidades para servir clientelas políticas.


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Comentários

al cardoso disse…
Provavelmente ninguem discutira que a ser criada uma regiao Centro, ou "Beiras" como eu preferiria, a sede devera ser em Coimbra. Eu no entanto gostaria muito mais que fosse numa localidade de menor dimensao e mais central!
Mas caso a sede va ser em Coimbra, nao quer com isso dizer que todos os servicos regionais devem ficar nesta cidade, embora nao tenha opiniao, se a economia deve ser em Aveiro ou nao, creio que e correcta esta descentralizacao, pois com a regionalizacao nao se devem criar novas centralidades, mas sim descentralidades!
A. Castanho disse…
E, mais uma vez, é preciso não confundir os futuros órgãos políticos e administrativos regionais com os organismos já existentes da administração central desconcentrada, como são os que fundamentam esta notícia.


As lógicas não têm que ser coincidentes, isto é, a Região deve ter a possibilidade de adoptar uma descentralização interna de acordo com as próprias conveniências regionais, não necessariamente espartilhadas pelas opções governamentais relativamente aos seus próprios organismos.


A Regionalização, no fundo, tem de começar dentro das nossas cabeças e aí há um imenso trabalho ainda por fazer, se calhar a começar no ensino básico e secundário...
Anónimo disse…
E o departamento marítimo do Alentejo não deverá ficar em Évora. Talvez em Sines, Santiago do Cacém ou Zambujeira do Mar.
Ser Regionalista é também, ser solidário.. partilhar...
Temos tempo... ainda estamos no início...