A independência da Madeira

Manuel Monteiro em entrevista ao DN Madeira 2005

Deveríamos ponderar a independência da Madeira


Ao arrojo da ideia, complementa com a fundamentação: «É chegado o momento de, com muita serenidade, começarmos a ponderar uma coisa muito simples. Eu sempre fui um patriota, defensor da unidade nacional, independentemente das várias formas de descentralização e de regionalização, que não podem pôr em causa a unidade da República. Mas creio que é chegado o momento de dizermos que há muita gente cansada com a forma quase ofensiva como a liderança política madeirense trata a República e que, a manter-se, deveria ser encarada de uma forma substancialmente distinta. Isto é, com serenidade, deveríamos ponderar a possibilidade de independência para a Madeira».

Esta proposta inovadora de Monteiro vai muito além do quadro das Eleições Legislativas, às quais o PND vai concorrer. Explicitando melhor aquilo que é fruto de uma reflexão interna e pessoal, Monteiro explica-se: «Nós não podemos aceitar nem continuar a ter uma relação equívoca em que os órgãos da República não têm uma capacidade de intervenção plena na RAM. Falando com clareza: a chantagem e a pressão sobre esses mesmos órgãos da República são permanentes; as fintas a muitos desses órgãos (vide Tribunal de Contas) se verificam para não ter de se justificar os dinheiros gastos (vide as Sociedades de Desenvolvimento na Região…) Não podemos continuar a ter equívocos. A Democracia corre riscos de maturidade sempre que há uma relação equívoca. E a República não pode viver sobre a chantagem da liderança política da Madeira».

Por isso, sugere Manuel Monteiro, «até que esse debate sobre a independência pudesse ser travado, lá e cá, penso que não faria mal nenhum se adoptássemos um pressuposto de que a breve prazo não iria mais dinheiro para impostos da Madeira, portanto, a República deixaria de receber dinheiro das contribuições fiscais da RAM e, em contrapartida, não viria mais dinheiro da República para cá. Penso, francamente, que não viria mal nenhum ao mundo se a Madeira se tornasse independente e julgo mesmo que isso contribuiria para libertar, de algum modo, a República desta chantagem constante que a liderança política da Madeira sistematicamente faz, desprezando e desrespeitando os órgãos de soberania nacionais».

Monteiro surpreende-se com a complacência dos vários representantes do Estado face aos insultos insulares do poder laranja. «Verifico com tristeza que, desde o tempo do Dr. Cavaco Silva, a esmagadora maioria dos Primeiros Ministros, dos Ministros, dos Presidentes da República e daqueles que representam o Estado se amedrontam com os gritos e com esta chantagem constante por parte da liderança política da Madeira».

Por outro lado, muito há a dizer sobre as mudanças ao nível da Lei Fundamental. «Aquilo que se tem passado nas últimas revisões constitucionais em relação às Regiões Autónomas consubstancia um grave atentado à unidade e à soberania legislativas nacionais. E ninguém o diz porque é politicamente incorrecto».

Rosário Martins

Fonte: Jornal da Nova Democracia
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Comentários

Anónimo disse…
Oh Dr. Monteiro!... Não acredito. Ainda ontem, quase andei à pancada, para o defender de alguém que lhe chamou "Major Reinado".
Depois de ler isto, continuo a pensar que não é tão violento como o major, mas já aceito que lhe chamem o "Louçã das Direitas".
Força, Dr. Monteiro. A seguir, os Açores. Depois o Algarve. Talvez o Alentejo.
O problema, agora, é saber quando e onde parar..
Anónimo disse…
Há declarações e escritos relativamente aos quais o melhor comentário consiste em não comentar.

Assim seja, amen.

Sem mais nem menos.

Anónimo pró-7RA. (sempre com ponto final)

Sem mais nem menos
Anónimo disse…
Este gajo (Manuel Monteiro) é tolo.

Sem comentários
A. Castanho disse…
Manuel Monteiro tem carradas de razão...