Perspectiva sobre a divisão administrativa

Anónimo (Beira Interior)


(...)
Falou-se ... em incompatibilidades de certas populações com as divisões impostas (Regiões Plano): pois não há nada mais incompatível com as identidades regionais do que uma divisão em 5 regiões. Como já disse aqui, as condições de vida e os problemas sociais, económicos e estruturais de uma pessoa da Figueira da Foz não têm nada a ver com os de uma pessoa de Vilar Formoso. Por isso proponho a divisão em SETE regiões:

-Entre-Douro e Minho:
-Trás-os-Montes e Alto Douro:
-Beira Litoral:
-Beira Interior:
-Estremadura e Ribatejo
-Alentejo
-Algarve

As divisões regionais em Portugal sempre foram polémicas. Todavia, há regiões bem definidas (Alentejo, Algarve e Entre-Douro e Minho), sendo que os problemas se colocam fundamentalmente nas Beiras e em Trás-os-Montes.

-A divisão entre a região Estremadura e Ribatejo deve, a meu ver, respeitar os limites das antigas províncias da Beira Litoral, Estremadura e Ribatejo.

-Já no caso da Beira Litoral e da Beira Interior, esta divisão deve ser pensada de acordo com os indicadores de desenvolvimento, como o PIB per capita, o Índice de Poder de Compra Concelhio, a variação da população, etc. Deve ser dado ainda particular destaque à região da Serra da Estrela, que por interesse económico deve sempre ficar na mesma região.

-Na divisão entre Trás-os-Montes e as Beiras, devem ser a meu ver respeitadas as antigas divisões da NUT III do Douro e da antiga província de Trás-os-Montes e Alto Douro, sendo deste modo ignorado o percurso do Rio Douro.

-Estes limites seriam depois confrontados com as populações, através de reuniões públicas, com os autarcas e a própria população, concelho a concelho, nas zonas onde as divisões suscitem polémica.

Quanto às "capitais regionais", o seu efeito centralista pode ser "diluído", através da distribuição dos órgãos regionais pelas cidades mais importantes de cada região, por exemplo, na região da Beira Interior poderíamos ter:

GUARDA- Governo Regional, Direcções-Regionais de Justiça (Tribunais de Trabalho, Comércio, Família e Menores, delegação do Ministério Público), Saúde (Hospital Central Regional), Economia e Finanças e Obras Públicas (e Transportes);

COVILHÃ- Direcção Regional de Turismo (coordenação dos Monumentos, Pousadas, Rotas Turísticas e Estâncias de Neve), Educação e Cultura, e Protecção Civil

CASTELO BRANCO- Reuniões do Conselho Regional (Autarcas+Governo Regional), Direcções Regionais de Agricultura e de Ambiente e Ordenamento do Território (aprovação de PDM's, delimitação de zonas protegidas, planos de recuperação de espécies em risco, etc.)

-Evitar-se-iam assim novas centralidades, promovendo-se um desenvolvimento harmonioso de cada região.

-No caso específico da Beira Interior, sei bem das rivalidades que existem entre a Guarda, a Covilhã e Castelo Branco, mas sei também que este eixo de cidades tem muito mais afinidades entre elas do que propriamente com Coimbra, Viseu ou até Portalegre. Por isso, seria uma asneira ceder a este tipo de pressões: o que há a fazer é constituir uma região da Beira Interior, evitando os interesses monopolistas da Covilhã, que tanto amedrontam egitanenses e albicastrenses.
.

Comentários

Anónimo disse…
Caros Regionalistas,

O mapa tem a mais a zona de Lisboa e Setúbal que se deverão integrar na Região Autónoma da Estremadura e Ribatejo.
Por outro lado, o problema não é de Trás-os-Montes e Alto Douro e da Beira Interior, o problema é da interioridade (mais acentuada no norte e centro que no sul) como factor de subdesenvolvimento e que deve ser contrariado para dar lugar a novas centralidades, mas nunca com a dimensão de Lisboa e mesmo do Porto, a faça desaparecer, aproximar dos índices de desenvolvimento do litoral de acordo com uma política regional autónoma, complementar e subsidiária.
Quanto ao resto ainda é cedo para estabelecer capitais, sedes de governo, de assembleia legislativa e outros estabelecimentos.

Assim seja, amen.

Sem mais nem menos.

Anónimo pró-7RA. (sempre com ponto final)
Carlos Esperança disse…
Caro António Almeida Felizes:

Reconheço-lhe a ponderação reflectida com que defende uma causa que me é simpática. Considero-o mesmo uma das vozes mais autorizadas mas não me revejo no mapa que propõe.

E, pior, penso que sair das cinco regiões-plano é aumentar a conflitualidade que tão nefasta se tem mostrado à Regionalização que, não tenho dúvidas, é uma necessidade urgente para uma divisão administrativa saudável e um ddesenvolvimento harmónico e sustentável do País.

Um abraço.
Anónimo disse…
É melhor fazer uma risca ao meio..
Caro Carlos Esperança,

É sempre uma honra e um prazer para mim recebê-lo aqui no Regionalização.

Agora tenho que fazer um pequeno reparo, o teor deste "post", não é da minha responsabilidade, mas antes de um frequentador deste blog, originário da denominada Beira Interior. Assim sendo, o modelo proposto somente o veicula a ele.

Cumprimentos,
Anónimo disse…
Caros Regionalistas,

Em termos futebolísticos, até poderia (?) ser uma boa solução. Em termos políticos da regionalização, a risca ao meio como critério para correcção deste País cada vez mais retalhado pelas assimetrias regionais, funciona do Rio Tejo para norte, mas já não tem aplicação nas regiões situadas a sul daquele rio, por razões demasiadas vezes aqui invocadas por este defensor convicto das 7 Regiões Autónomas.
Se os senhores regionalistas e concentracionistas lerem os últimos 2 "posts", posteriores a este e que comentarei a seguir, compreenderão todas as razões pelas quais as regiões adminsitrativas continuam a ser uma solução que prolongará, no tempo e no território continental, a aplicação de políticas centralizadas e centralizadoras, de acordo com um método muito nosso, de fazer tudo "às pinguinhas" e de regionalizar problemas, sem qualquer enquadramento político mais amplo, para "aproveitar" o que já existe em termos de estruturas organizativas, as quais deviam ser pura e simplesmente extintas, varridas da face territorial do nosso País.
Convém lembrar que há estruturas que, por mais reformas ou mudanças de nome que introduzam, fusões com outras e cisões de outras, nunca mais funcionarão eficazmente porque as estruturas organizativas são (deviam ser) "organismos vivos", isto é, só funcionam com pessoas, a maiaoria delas carregada de muitos vícios funcionais, mas terão de se habituar a "trabalhar para pessoas" e de serem impregnadas permanentemente do espírito de serviço público". Este espírito ainda está muito arredado das organizações, públicas e privadas, e constitui um real entrave à mobilização das populações para os grandes objectivos políticos a atingir em termos de (repete-se):
a) Soberania
b) Desenvolvimento económico e social
c) Conhecimento e tecnologia
d) Equilíbrio social
Pelo exporto, apenas uma única solução: criação e implementação das 7 Regiões Autónomas, no território do continente, aperfeiçoadas com base na experiência dos Açores e da Madeira e com disseminação de centralidades equilibradas.

Assim seja, amen.

Sem mais nem menos.

Anónimo pró-7RA. (sempre com ponto final)
Anónimo disse…
Dizer que não existem afinidades entre a Figueira da Foz (e Coimbra, etc) e as gentes da(s) Beira(s) (de que fazem parte) é desconhecer por completo a história da dita cidade...

Se forem a propor essa parvoice das 7 regioes, nunca vamos a lado nenhum. Com todos os defeitos que tem, o modelo das 5 regiões é decente, e em muitos aspectos JÁ FUNCIONA.
Anónimo disse…
Ao Anónimo disse das 11:05:00 AM,

No texto do Anónimo (Beira Interior), embora necessite das correcções referidas na minha intervenção acima, nada é referido quanto às afinidades ou falta delas entre a Figueira da Foz e Coimbra.
Portanto, essa referência parece-me suspeita e, pelos conhecimentos manifestados pelo Anónimo (Beira Interior), nunca seria possível que o afirmasse tão categoricamente como o senhor o faz. Nem ele o fez nem ninguém que apoiam a criação e implementação das 7 Regiões Autónomas.
Designar por "parvoice" esta solução que defendemos objectivamente corresponde, no mínino, a desconhecer por inteiro os argumentos que aqui aduzimos em sua defesa, argumentos objectivos que nunca os defensores de outras soluções tiveram capacidade de contrapor, a não ser através de insultos e de trivialidades próprias de "comentadores de bancada" e "conversas de tasca" ou, então, a manterem-se calados para ver o que dá.

Assim seja, amen.

Sem mais nem menos.

Anónimo pró-7RA. (sempre com ponto final)

PS - Apenas uma curiosidade, a de que trabalhei durante bastante tempo na Figueira da Foz e em posição profissional de muito relevo. Esta cidade, assim como outras da Beira Litoral e da Beira Alta são-me conhecidas, permitam-me dizer, de "gingeira" e apresentam tanto afinidades como muitas diferenças entre elas.
Anónimo disse…
Anónimo das 11:05:00 AM:

Afinidades entre a Figueira da Foz e Vilar Formoso??? Só se for a passagem da Linha da Beira Alta... e não é isso que nos interessa...
Anónimo disse…
Caros regionalistas:

Como país pequeno que somos, é natural que todas as regiões apresentem afinidades entre si. Afinal, ao contrário de outros países em que tal não acontece, falamos a mesma língua no Minho e no Algarve (com a excepção do Nordeste Transmontano), e, pelo facto de mantermos as nossas fronteiras praticamente inalteradas desde 1297, herdamos, do Minho ao Algarve, a mesma cultura e a mesma experiência histórica.
Mas não é isso que está em causa. O que está em causa é que as más políticas que seguimos ao longo destes mais de 700 anos, levaram a que Portugal se tornasse um país de contrastes. E com o passar do tempo, esta realidade, em vez de se atenuar, acentuou-se, particularmente na segunda metade do século XX.

Se olharmos globalmente para o nosso país, sem olharmos à região onde habitamos e às políticas que defendemos, há uma realidade que salta logo à vista: o contraste entre o Litoral e o Interior. Este é, sem dúvida, o pior problema que Portugal enfrenta na viragem do século. Mas o Interior pode muito bem ser a chave para os problemas que Portugal atravessa: para um desenvolvimento sustentável, Portugal precisa de estabilizar a sua balança comercial, diminuindo as importações. E, se olharmos para o que Portugal importa, vemos o que (quase) parece impossível: a seguir aos combustíveis, estão os produtos alimentares e matérias primas. Como é que isto é possível? Será que Portugal não tem capacidade para produzir nada disto? Já os Romanos e os Árabes usavam o Interior do nosso país como "celeiro", onde produziam os cereais (que agora, com o incremento dos biocombustíveis, se tornaram um produto bastante rentável) e todo o tipo de produtos agrícolas, e criavam gado abundantemente em extensas pastagens, tal como acontece na vizinha Espanha, com incentivos dados pelos GOVERNOS REGIONAIS. Em Portugal, é o que se vê: abandono, desertificação e envelhecimento do Interior. É, por isso, ao Interior que a região faz falta, é aqui que é urgente fazer algo. Por isso, para o Interior, não basta fazer uma regionalização a cinco: de que serve a uma pessoa da Guarda ou de Bragança deixar de ter o poder em Lisboa para passar a tê-lo em Coimbra ou no Porto? Mudam os sítios, mantém-se o esquecimento. Em Portugal, tem-se muito a mania das soluções de fachada, para satisfazer as estatísticas. E esconde-se a verdade nua e crua, o país real, e a brecha enorme que diferencia claramente as regiões do Litoral e do Interior. É isto que tem provocado o nosso galopante atraso, e a continuar assim, vamos perder o "comboio da Europa". É urgente regionalizar, mas regionalizar a sério, sem mais soluções "administrativas" e de fachada: levar as decisões para onde elas realmente devem ser tomadas, ou seja, para o terreno.

Se este primeiro caso atingia mais as regiões de Trás-os-Montes e Alto Douro, Beira Interior e Alentejo, o caso seguinte é bem diferente, e afecta as restantes regiões. Ao longo destes anos, Portugal deixou-se levar por uma lógica centralizadora. Mais: desde que a capital se mudou de Coimbra para Lisboa (1255), que o resto do país foi votado a uma espécie de esquecimento. E, com o passar dos séculos e a atenuação das distâncias, esta tendência, por incrível que pareça, ainda se acentuou mais. Pólos que outrora haviam sido centros de dinamismo, como o Porto, Coimbra, Aveiro, Braga, Leiria ou Santarém, por exemplo, perderam importância face à centralização galopante operada a partir de Lisboa, onde se concentraram os centros de decisão, o que arrastou as empresas e, consequentemente, a população. Tornámo-nos um país desequilibrado. A Regionalização deve ter o dom de levar o Estado mais perto dos cidadãos, e de impedir que quem quer ter sucesso, tenha de ir para Lisboa, que é o que acontece neste momento.

Por tudo isto, é urgente regionalizar, sem mais delongas.

Com os melhores cumprimentos,
Anónimo (Beira Interior), pelas 7 Regiões.
Anónimo disse…
Anónimo disse ... das 03:19:00 PM,

Eu sei que está a desancar no anónimo das 11:05:00 AM, mas lembre-se que a comparação que fez tira-lhe a razão toda, porque a linha da Beira Alta, de leste para oeste, "desagua" na Linha do Norte.
Somente em Alfarelos, muito mais a Sul da Pampilhosa, é que se inicia a Linha do Oeste com ligação à Figueira da Foz e continuidade para a cidade capital, através das Regiões Autónomas da Beira Litoral e da Estremadura e Ribatejo.

Assim seja, amen.

Sem mais nem menos.

Anónimo pró-7RA. (sempre com ponto final)
Anónimo disse…
Caros regionalistas a sete:

Já enviei para este blog dois mapas que representam uma proposta de divisão de Portugal em 7 regiões. Pela melhor defesa desta causa,

Anónimo (Beira Interior)
Anónimo disse…
Boçê dezenha bem, Carago.
PTT disse…
Bom dia

Tomei a liberdade de "roubar" este post para publicar no meu.

Mais uma vez os meus parabéns pelo blog

Abraço
PTT
Carlos Esperança disse…
Antonio Almeida Felizes:

Peço desculpa pela minha precipitação. Foi a surpresa, julgando-o autor, que me enganou.

Bem me custa observar como o bairrismo é o pior inimigo da regionalização. E, sem esta, todos perdemos.
Anónimo disse…
Caros Regionalistas e Centralistas,

Os meus parabéns para o Anónimo (Beira Interior) pelos mapas caertados que fez publicar e que comentarei no próprio "post".
Não preciso de mais elementos adicionais para verificar que os mapas estão correctos, dado que o formato das 7 Regiões Autónomas está definitivamente residente na minha memória e qualquer desvio ao mapa definitivo, histórico e natural seria imediatamente detectado por mim.
Convido os senhores centralistas a fazerem o favor de o consultar, analisar os porquês de toda aqule delimitação territorial e se tiverem dúvidas, sugiro que consultem o "site" das Ordem dos Economistas, no tema "Economia Regional" e no trabalho intitulado "As Regiões Autónomas", (o regresso às origens como solução de desenvolvimento).
Este convite é extensivo aos defensores empedernidos das 5 Regiões Admnistrativas com o mesmo objectivo esclarecedor.
Tanto os centralistas como os regionalistas das 5 (ainda bem que fossem do "chã") constituem hoje os maiores impecilhos ao desenvolvimento de ideias objectivas e recomendáveis para a implementação da regionalização.

Assim não fosse, amen.

Sem mais nem menos.

Anónimo pró-7RA. (sempre com ponto final)