segunda-feira, setembro 29, 2008

Regionalização está na moda?

“Os próximos dez anos serão inquietantes para o Norte”

O alerta chegou de João Cravinho e foi feito há uns dias, durante um debate promovido por Rui Rio sobre a Regionalização. Dias antes, Renato Sampaio colocara a aposta da Regionalização no centro do debate interno socialista. Marco António Costa, líder da Distrital do PSD/Porto, explicou aos autarcas do seu partido que a Regionalização é “inevitável”. E o PCP/Porto apelou à continuação da “luta pela Regionalização”.

A Regionalização está outra vez na moda, pelo menos no discurso político. Mas será desta?

Ainda no colóquio portuense, Vital Moreira lembrou a primeira e principal dificuldade. A mudança de paradigma não será possível sem uma mudança de discurso no PSD. “Sem que o PSD se converta à ideia ou sem que pelo menos abandone a hostilidade quanto à Regionalização, esta é impossível”.

O constitucionalista sabe que o PSD é liderado, não por Rui Rio, mas por Manuela Ferreira Leite. E quanto à posição desta, não há margem para dúvidas: a Regionalização é uma “aventura” para a qual não conduzirá o seu partido, até porque é “absolutamente contra”. Resta saber que capacidade e vontade terá Rui Rio para inverter essa posição.

Não é certo, também, que todo o PS esteja convencido da importância da Regionalização. Embora o candidato e provável vencedor das eleições distritais do Porto, Renato Sampaio, já tenha feito a sua aposta. Lembrando que “regiões fortes e capazes de criar massa crítica são a melhor forma de consolidar o sistema democrático”. Parece apostar no mapa das cinco regiões, seguindo a divisão que já hoje existe das comissões de coordenação de desenvolvimento regional. Trata-se, como dizia Vital Moreira, de deixar de lado mapas “abstrusos” e “fazer o trabalho de casa”.

Falta e faltará ao PS capacidade de auto-crítica para explicar as consequências da centralização, para que melhor se percebe para que serve a Regionalização. Porque o PS está no Governo e pretende revalidar o mandato.

Mas poderá sempre olhar-se para o “trabalho de casa” que o PCP/Porto também vai fazendo. Como a conferência de Imprensa, realizada por estes dias, com escassa atenção mediática mas com dados importantes para o debate: a taxa de desemprego do distrito do Porto é de 11%, a média nacional é de 8%; em 15 dos 18 concelhos do distrito do Porto o poder de compra per capita é inferior à média nacional; há 110 mil pessoas que beneficiam do rendimento mínimo nacional no distrito, ou seja, 33% do total do país; o PIDDAC para o distrito do Porto sofreu, entre 2005 e 2008, uma redução de 77%.

Voltemos ao princípio e a João Cravinho: “o actual modelo de divisão do país é uma das causas da decadência do Norte. E os próximos dez anos serão inquietantes”. A não ser que, por uma vez, o discurso político seja consequente.


Rafael Barbosa

(*) Crónica originalmente escrita para o JN desta segunda-feira

2 Opiniões

At segunda set 29, 01:43:00 da manhã, Blogger hfrsantos said...

Politicos portugueses teem que deixar de ser matriarcas do povo.
O povo pensa e tem que assumir responsabilidades na resoluçao do estado da Naçao.

é necessario explicar ao povo atraves de campanhas informativas que se deixarmos tudo como esta caminhamos para o abismo.

O Governo Central é obeso e nao tem capacidade nem vocaçao para resolver os problemas das varias regioes de Portugal.

Governo Central nao conhece a realidade do Alentejo, do Algarve, das Beiras nem do Norte.

Este desconhecimento da realidade do Pais, faz com que as respostas aos problemas das diferentes regioes do Pais sejam tardias e muitas vezes inadequadas aos problemas das diferentes regioes do Pais: seja com investimentos avultados em infra-estruturas com duvidoso beneficio social, seja pela nao concretizaçao de outras infra-estruturas mais necessarias para o desenvolvimento da regiao, seja com a falta de incentivos a fixaçao de empresas, conhecimento ou simples falta de oportunidades dos residentes fora da capital e do Porto.

Precisamos de Governos Regionais que conheçam a realidade das suas regioes, com politicos regionais eleitos pela populaçao regional e que apliquem o dinheiro dos impostos recolhidos na regiao nessa mesma regiao em investimentos com beneficio social claro.

Precisamos de Governos Regionais com planos de desenvolvimento para as suas regioes referendados em eleiçoes regionais.

Precisamos de nos organizar.
Precisamos da Regionalizaçao no continente como existe na Madeira e nos Açores.

 
At segunda set 29, 02:45:00 da tarde, Anonymous Anónimo said...

Caros Regionalistas,
Caros Centralistas,
Caros Municipalistas,

Mais uma vez deparamos com visões parcelares da realidade, pelo menos do ponto de vista geográfico. Os próximos 10 anos serão dramáticos, com alguma injusta diferenciação, para todo o nosso País, não só para o Norte.
Porque é que conferências, realizadas no norte, terão necessariamente de "falar" no norte e não no País, dado que o problema político dodesenvolvimeno é muito mais vasto?
Não é só miopia política, mas muito egoismo e parcialidade juntas.

Sem mais nem menos.

Anónimo pró-7RA. (sempre com ponto final)

PS - Para quem não souber, sou nado e vivido na Província do Douro Litoral, a integrar na futura Região Autónoma de Entre Douro e Minho; sempre estudei e trabalhei na melhor cidade do País: o Porto.

 

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