segunda-feira, outubro 13, 2008

O Norte - Miguel Esteves Cardoso (repetido)

Miguel Esteves Cardoso

Primeiro, as verdades.

O Norte é mais Português que Portugal.
As minhotas são as raparigas mais bonitas do País.
O Minho é a nossa província mais estragada e continua a ser a mais bela.

As festas da Nossa Senhora da Agonia são as maiores e mais impressionantes que já se viram. Viana do Castelo é uma cidade clara. Não esconde nada. Não há uma Viana secreta. Não há outra Viana do lado de lá. Em Viana do Castelo está tudo à vista. A luz mostra tudo o que há para ver. É uma cidade verde- branca. Verde- rio e verde-mar, mas branca. Em Agosto até o verde mais escuro, que se vê nas árvores antigas do Monte de Santa Luzia, parece tornar- se branco ao olhar. Até o granito das casas.

Mais verdades.

No Norte a comida é melhor.
O vinho é melhor.
O serviço é melhor.
Os preços são mais baixos.
Não é difícil entrar ao calhas numa taberna, comer muito bem e pagar uma ninharia.

Estas são as verdades do Norte de Portugal.

Mas há uma verdade maior.

É que só o Norte existe. O Sul não existe.

As partes mais bonitas de Portugal, o Alentejo, os Açores, a Madeira, Lisboa, et caetera, existem sozinhas. O Sul é solto. Não se junta.
Não se diz que se é do Sul como se diz que se é do Norte.
No Norte dizem-se e orgulham-se de se dizer nortenhos. Quem é que se identifica como sulista?

No Norte, as pessoas falam mais no Norte do que todos os portugueses Juntos falam de Portugal inteiro.

Os nortenhos não falam do Norte como se o Norte fosse um segundo país.

Não haja enganos.
Não falam do Norte para separá-lo de Portugal.
Falam do Norte apenas para separá-lo do resto de Portugal.

Para um nortenho, há o Norte e há o Resto. É a soma de um e de outro que constitui Portugal.
Mas o Norte é onde Portugal começa.

Depois do Norte, Portugal limita-se a continuar, a correr por ali abaixo.

Deus nos livre, mas se se perdesse o resto do país e só ficasse o Norte, Portugal continuaria a existir. Como país inteiro. Pátria mesmo, por muito pequenina. No Norte.

Em contrapartida, sem o Norte, Portugal seria uma mera região da Europa.
Mais ou menos peninsular, ou insular.

É esta a verdade.

Lisboa é bonita e estranha mas é apenas uma cidade. O Alentejo é Especial mas ibérico, a Madeira é encantadora mas inglesa e os Açores são um caso à parte.

Em qualquer caso, os lisboetas não falam nem no Centro nem no Sul - falam em Lisboa. Os alentejanos nem sequer falam do Algarve - falam do Alentejo. As ilhas falam em si mesmas e naquela entidade incompreensível a que chamam, qual hipermercado de mil misturadas, Continente.

No Norte, Portugal tira de si a sua ideia e ganha corpo. Está muito estragado, mas é um estragado português, semi-arrependido, como quem não quer a coisa.

O Norte cheira a dinheiro e a alecrim.
O asseio não é asséptico - cheira a cunhas, a conhecimentos e a arranjinho.
Tem esse defeito e essa verdade.

Em contrapartida, a conservação fantástica de (algum) Alentejo é impecável, porque os alentejanos são mais frios e conservadores (menos portugueses) nessas coisas.

O Norte é feminino.
O Minho é uma menina. Tem a doçura agreste, a timidez insolente da mulher portuguesa. Como um brinco doirado que luz numa orelha pequenina, o Norte dá nas vistas sem se dar por isso.

As raparigas do Norte têm belezas perigosas, olhos verdes-impossíveis, daqueles em que os versos, desde o dia em que nascem, se põem a escrever-se sozinhos.

Têm o ar de quem pertence a si própria. Andam de mãos nas ancas. Olham de frente. Pensam em tudo e dizem tudo o que pensam. Confiam, mas não dão confiança. Olho para as raparigas do meu país e acho-as bonitas e honradas, graciosas sem estarem para brincadeiras, bonitas sem serem belas, erguidas pelo nariz, seguras pelo queixo, aprumadas, mas sem vaidade.
Acho-as verdadeiras. Acredito nelas. Gosto da vergonha delas, da maneira como coram quando se lhes fala e da maneira como podem puxar de um estalo ou de uma panela, quando se lhes falta ao respeito. Gosto das pequeninas, com o cabelo puxado atrás das orelhas, e das velhas, de carrapito perfeito, que têm os olhos endurecidos de quem passou a vida a cuidar dos outros.
Gosto dos brincos, dos sapatos, das saias. Gosto das burguesas, vestidas à maneira, de braço enlaçado nos homens. Fazem-me todas medo, na maneira calada como conduzem as cerimónias e os maridos, mas gosto delas.

São mulheres que possuem; são mulheres que pertencem. As mulheres do Norte deveriam mandar neste país. Têm o ar de que sabem o que estão a fazer. Em Viana, durante as festas, são as senhoras em toda a parte. Numa procissão, numa barraca de feira, numa taberna, são elas que decidem silenciosamente.

Trabalham três vezes mais que os homens e não lhes dão importância especial.
Só descomposturas, e mimos, e carinhos.

O Norte é a nossa verdade.

Ao princípio irritava-me que todos os nortenhos tivessem tanto orgulho no Norte, porque me parecia que o orgulho era aleatório. Gostavam do Norte só porque eram do Norte. Assim também eu. Ansiava por encontrar um nortenho que preferisse Coimbra ou o Algarve, da maneira que eu, lisboeta, prefiro o Norte. Afinal, Portugal é um caso muito sério e compete a cada português escolher, de cabeça fria e coração quente, os seus pedaços e pormenores.

Depois percebi. Os nortenhos, antes de nascer, já escolheram. Já nascem escolhidos. Não escolhem a terra onde nascem, seja Ponte de Lima ou Amarante, e apesar de as defenderem acerrimamente, põem acima dessas terras a terra maior que é o "O Norte".

Defendem o "Norte" em Portugal como os Portugueses haviam de defender Portugal no mundo. Este sacrifício colectivo, em que cada um adia a sua pertença particular - o nome da sua terrinha - para poder pertencer a uma terra maior, é comovente.

No Porto, dizem que as pessoas de Viana são melhores do que as do Porto.
Em Viana, dizem que as festas de Viana não são tão autênticas como as de Ponte de Lima. Em Ponte de Lima dizem que a vila de Amarante ainda é mais bonita.

O Norte não tem nome próprio. Se o tem não o diz. Quem sabe se é mais Minho ou Trás-os- Montes, se é litoral ou interior, português ou galego?
Parece vago. Mas não é. Basta olhar para aquelas caras e para aquelas casas, para as árvores, para os muros, ouvir aquelas vozes, sentir aquelas mãos em cima de nós, com a terra a tremer de tanto tambor e o céu em fogo, para adivinhar.

O nome do Norte é Portugal. Portugal, como nome de terra, como nome de nós todos, é um nome do Norte. Não é só o nome do Porto. É a maneira que têm e dizer "Portugal" e "Portugueses".
No Norte dizem-no a toda a hora, com a maior das naturalidades. Sem complexos e sem patrioteirismos.
Como se fosse só um nome.
Como "Norte".
Como se fosse assim que chamassem uns pelos outros.
Porque é que não é assim que nos chamamos todos? »

9 Opiniões

At segunda out 13, 10:45:00 da manhã, Anonymous Anónimo said...

Conversa da treta!
Eu sou Minhoto, não desse Norte que me querem obrigar a ser.

 
At segunda out 13, 02:17:00 da tarde, Anonymous Anónimo said...

Deixem de se escudar no "Norte".
Já não há paciência.....
O "Norte" tem duas realidades distintas:
1-A do Minho e Trás-os Montes,muito abaixo da média nacional.
2- A região do grande Porto, muito acima da média nacional.
Quando quiserem falar de regionalização, falem destas duas realidades distintas.
Todos sabemos que fazem essa mistura por conveniência,pois não é preciso ter-se "estudos mais que superiores", como alguns que por aqui articulam,para saber que ao juntar o Porto com o Minho e Trás os Montes , devido à baixa média destes ultimos,a média conjunta baixa .
Para de algum modo serem honestos, deviam comprar o Porto com Lisboa e com o resto do País, ou comparar o Norte com uma região que englobasse Lisboa, Alentejo e as Beiras.

 
At segunda out 13, 08:38:00 da tarde, Blogger Afonso Miguel said...

Os dois anónimos anteriores estão cobertos de razão! Isto é tudo aquilo que ao queremos para a Regionalização em Portugal. Se falavam mal das 8 regiões de 1998, aquilo que nos querem impingir 10 anos depois consegue ser ainda pior!

O Minho é um dos casos a discutir em qualquer processo de Regionalização a ser implantado em Portugal. Como tenho raízes fortes no Entre-Douro e Minho (mais concretamente em Paços de Ferreira), conheço bem a realidade desta zona, uma das mais pequenas do nosso país, mas sem dúvida aquela que, a todos os níveis, mais potencialidades tem para se desenvolver.
Em primeiro lugar, é preciso que fique bem assente que tal não tem acontecido por manifesta falta de vontade política: faltam os fundos e os projectos, todo o dinheiro é canalizado para Lisboa, esquecendo-se os sucessivos governos que em Entre-Douro e Minho vivem 3 242 107 pessoas, ou seja, 1/3 da população de Portugal Continental (dados INE, 2001).
É isto que os Douro-Minhotos e os Transmontanos precisam de perceber, antes de mais. É com choque que vejo, por vezes, os cidadãos dos distritos de Braga, Viana do Castelo, Vila Real ou Bragança dizer tão mal do Porto e da sua luta regionalista. Não pode ser: tudo o que seja descentralizar e democratizar os fundos é excelente para o Minho. Também não concordo com a "região norte", mas tenho a certeza que já seria um excelente avanço para esta zona que a implementação de uma Regionalização, qualquer que fosse o modelo, avançasse.
A norte do Douro existem claramente duas realidades muito distintas, quase opostas, a todos os níveis: de um lado, a zona de Entre-Douro e Minho, por outro, Trás-os-Montes e Alto Douro.
Entre-Douro e Minho tem uma densidade populacional elevadíssima (359,2 hab/km2), muito superior à média nacional, à Galiza, e a algumas regiões mais progressivas da Europa e do Mundo, como a Catalunha e a Baviera, e até à do estado de Nova Iorque; Trás-os-Montes e Alto Douro, com 36,2 hab/km2, tem uma densidade populacional equivalente a metade da de Marrocos ou da região angolana do Huambo, por exemplo. Em algumas zonas de Trás-os-Montes, o índice de envelhecimento ultrapassa os 170%, enquanto no Entre-Douro e Minho 1/5 da população tem menos de 15 anos.
Em termos económicos, não há comparação possível. No Entre-Douro e Minho a concentração industrial é muito maior e a agricultura começa a modernizar-se (apenas 3% dos douro-minhotos trabalha na agricultura). A região é responsável por grande parte das exportações nacionais. Em Trás-os-Montes, pelo contrário, a agricultura é frágil, mas a região está muitíssimo dependente dela (21% dos transmontanos são agricultores), e a indústria é cada vez mais escassa e rudimentar. A paisagem agrícola é ainda muito diferente: o minifúndio minhoto contrasta com os grandes pastos transmontanos; o povoamento disperso no Minho contrasta com o povoamento concentrado em Trás-os-Montes.
Em termos de transportes, por um lado temos serviços ferroviários rápidos e eficientes Alfa e/ou Intercidades entre Viana, Braga, Guimarães, Porto e as outras cidades do país, e ligações internacionais por Valença; por outro, o fecho total ou parcial das linhas ferroviárias do Tâmega, Corgo, Tua, Douro e Sabor (o intercidades Régua-Porto-Lisboa,o único da região, foi extinto recentemente, há quase duas décadas que não se ouve o comboio em Bragança e em Chaves, e a única ligação internacional da região (Barca de Alva) foi fechada em 1988. As auto-estradas do lado transmontano são escassas (o distrito de Bragança tem ainda 0 kms destas vias!), e as outras estradas são lentas, tortuosas e estão em mau estado. O Entre-Douro e Minho conta ainda com um aeroporto e dois portos comerciais.
Poderia estar aqui o dia todo até acabar de ditar todas as diferenças entre estas duas regiões. Mesmo no Alto Minho, a zona menos desenvolvida do Entre-Douro e Minho, a situação é muitíssimo melhor do que nos concelhos menos desertificados de Trás-os-Montes (eixo A24 Lamego-Vila Real-Chaves).
No entanto, em termos de recursos naturais e posicionamento geográfico, a região transmontana tem potencialidades únicas que a tornam economica e humanamente viável. O que falta é a vontade política, que está guardada em Lisboa. O que falta a Trás-os-Montes é autonomia para se equiparar à realidade nacional.
Não sou favorável à distinção das áreas metropolitanas de Lisboa e Porto como regiões separadas, já que é muito difícil estabelecer um limite para estas regiões metropolitanas (o Vale do Sousa e o Tâmega, por exemplo não são AMP, mas também não faz sentido enquadrar-se no Minho), e também porque se estaria a criar regiões hegemónicas no contexto português, já que só as duas áreas metropolitanas concentrariam quase metade da população nacional.
Por outro lado, considero que a situação do distrito do Porto não é muito diferente da do Minho, e que cidades como Braga, Barcelos, Famalicão, Guimarães ou Viana do Castelo, pela sua vitalidade e pujança económica, podem perfeitamente formar uma região equilibrada contendo o Porto. O Entre-Douro e Minho, como região polinucleada, ou seja, com os vários serviços distribuídos por diferentes concelhos, seria assim uma unidade territorial equilibrada e homogénea, ou seja, o primeiro passo para qualquer região ter sucesso. Já Trás-os-Montes, também como região polinucleada e homogénea, teria a autonomia necessária para atrair investimentos, fazer as reformas que há muito precisa e inverter a tendência negativa que está a destruir a região.
Porque o objectivo da Regionalização é mesmo esse: atenuar desigualdades entre as diferentes regiões, para promover a igualdade entre os cidadãos dos diferentes quadrantes geográficos.

 
At segunda out 13, 08:49:00 da tarde, Anonymous Anónimo said...

Caros Regionalistas,
Caros Centralistas,
Caros Municipalistas,

Este texto de MEC já é antigo e nele há razões que se podem transformar em argumentos objectivos a favor da regionalização, sem qualquer dúvida e sem qualquer complexo de aproveitamento ou de "exploração" de uma região por outra ou por outras.
Em termos pessoais, também gostaria que a regionalização não fosse acantonada por uns tantos ou quantos critérios exclusivistas ou individualistas, suficientes para pôr em causa qualquer esforço a favor da regionalziação, administrativa ou autonómica.
As assimetrias regionais existentes são demasiado importantes e graves para se circunscreverem a uma relação entre Porto e Lisboa quando o que está em causa diz respeito a todas as regiões, sintetizada em quatro vectores:
1º. - Assimetrias entre o interior e o litoral (independentemente do Porto ou de Lisboa).
2º. - Assimetrias entre todas as regiões do País (o Porto já não tem relevância) e Lisboa
3º. - Acções para eliminação dessas assimetrias.
A norte do rio Tejo, as assimetrias de desenvolvimento são muito mais graves que em todo o território restante e é nestas que urge agir, em termos de políticas de desenvolvimento. Para o efeito, não é suficiente assegurar apenas políticas favorecedoras do crescimento económico mas muitas outras (culturais, educacionais, investigadoras, produtivas de toda a ordem, tecnológicas, etc.) que valorizem os nossos recursos endógenos e os respectivos resultados (produto interno) aplicados nas regiões de onde são originários. Com uma política desta profundidade será possível fixar as populações à suas terras de origem, desde que enquadradas em políticas regionais orientadas para a resolução de problemas que sempre subsistirão com a existência crónica de assimetrias de desenvolvimento.
Neste quadro, a regionalização autonómica é a que está em melhores condições políticas para assegurar a sua resolução efectiva e lança o nosso País num nível de paridade com outras regiões transfronteiriças.
Por tudo o que foi exposto, não se consegue compreender a lógica do que foi escrito pelos dois anónimos anteriores, dado que insistem no Norte, no Norte quando os problemas são muito mais profundos, tanto geografica como social e culturalmente; nem sequer se consegue assimilar o apelo feito à honestidade!.

Sem mais nem menos.

Anónimo pró-7RA. (sempre com ponto final)

 
At segunda out 13, 08:54:00 da tarde, Anonymous Anónimo said...

Caro Afonso Miguel,

Cheguei atrasado; na verdade, todas as regiões têm razão; da mesma forma que não se deve focalizar a questão no Porto, na sua região ou lá no que querem, também não se deve concentrar o problema do subdesenvolvimento (porque é disto que se trata) em qualquer outra região, seja o Minho, Trás-os-Montes e Alto Douro, a Beira Alta, a Beira Baixa, etc. etc.
Fazê-lo e abrir um perigoso precedente.

Sem mais nem menos.

Anónimo pró-7RA. (sempre com ponto final)

 
At segunda out 13, 10:04:00 da tarde, Anonymous zangado said...

Na realidade, este texto do jornalista e escritor lisboeta, Miguel Esteves Cardoso, foi publicado no n.º 2 da extinta revista K, de Novembro de 1990. É um bocado antigo, mas o autor, apesar de ser de Lisboa, conseguiu perceber o que muitos habitantes do Norte de Portugal ainda hoje não querem ou conseguem perceber.Daí uma certa animosidade contra a zona do Porto, o que significa na prática que parece que estão satirfeitos com a gritante e profunda desigualdade existente entre Lisboa e arredores e o resto do País.
Infelizmente, da zona de Rio Maior e do rio Tejo para cima, vivemos numa região considerada "província" ou colónia de Lisboa, que nos trata com sobranceria e nos leva os impostos nacionais e as verbas da União Europeia quase todos em seu benefício. Ora, esta realidade divide, hoje, as pessoas do Norte, sejam do litoral ou do interior em dois grupos: os que, mais cedo ou mais tarde, têm tomado consciência desta realidade feita de discriminação e, por isso, defendem uma alteração da realidade imposta pelos governos de Lisboa e outros, que devo dizer que nunca percebi porquê, estão sempre contra a cidade e zona do Porto, como se no Porto e arredores também as populações não sofressem, como os outros nortenhos, dessa falta de meios e de igualdade. Se há cidades do Norte que têm beneficiado de algumas benesses do centralismo lisboeta o Porto não é uma delas. Naturalmente que as zonas rurais e o interior têm sofrido mais com a perda de serviços e de meios. Então e os culpados são o Porto ou o centralismo dos governos de Lisboa? É pena que razões, presumivelmente clubistas, de adeptos do Norte dos 2 clubes da 2.ª circular de Lisboa os impeçam de compreender que qualquer habitante do Norte, do litoral ou do interior, quando tem um mau ou incompleto hospital, não tem uma maternidade ou outro equipamento indispensável como um comboio que seja mais rápido ou que a CP tenha extinto, todos sofrem, sejam de que clube forem.
Quanto aos comentários de Afonso Miguel e do Anónimo pró 7RA. tratam-se de comentários ponderados e que correspondem à realidade existente, sem caírem, como outros, no insulto fácil e revelador de falta de argumentos.
Cumprimentos

 
At terça out 14, 11:51:00 da manhã, Anonymous Anónimo said...

Estou a imaginar... a região de minho e trás-os-montes com uma edp, telecom, banco, seguradora, rodoviária, CP, etc, etc,
Mas depois, depois onde colocar a sede, quem vai receber os impostos, como vai distribuir, quem vai colonizar quem?
Não há paciência...

 
At terça out 14, 03:28:00 da tarde, Anonymous Anónimo said...

Caros Regionalistas,
Caros Centralistas,
Caros Municipalistas,

Como sabem e sentem no bolso todos os dias, existe uma elevado grau de concentração na produção de alguns bens e serviços, apesar de algumas vezes sermos confrontados com declarações das entidades de regulação respectivas que não vislumbram qualquer abuso de posição dominante ou concertação de estratégias de mercado das principais empresas de um determinado sector.
Por outro lado, existem pequenas empresas municipais que são exemplares no aproveitamento das oportunidades de negócio correspondente a monopílio naturais para além de outras ou outra em que embora exista um mercado ibérico, poucas oportunidades existem para escolher um fornecedor que alie o preço e a qualidade dos serviços prestados num quadro de qualidade boa e aceitável.
Nos casos referidos estão sectores tão importantes como estratégicos relacionados com a água e a energia, por um lado, e o sector da grande distribuição e comercialização em grandes espaços.
As empresas dinâmica têm hoje em dia possibilidades quase ilimitadas de se reorganizarem e de se adptarem aos mercados, sejam internacionais, nacionais, regionais ou locais. Essa capacidade de adaptação tendente a uma grande flexibilidade tem a ver com a necessidade de existir uma efectiva concorrência entre as empresas que constituem um determinado sector para que os bens e os serviços sejam disponibilizados com níveis de qualidade e a preços que correspondam a uma concorrência não condicionada por qualquer factor, mesmo ao nível da dimensão.
Se a regionalização, através de uma política económica regional, conseguir assegurar tais condições objectivas, dinâmicas e interactivas de concorrência em qualquer mercado, ter-se-à então a certeza que será possível criar condições para um desenvolvimento económico e social, mesmo que tal implique para as grandes empresas nacionais um redimensionamento orgânico e funcional regional, dado que não faltam soluções organizativas e outras relacionadas com o chamado "management" muito fáceis de implementar.
Fosse esta a principal limitação.

Sem mais nem menos.

Anónimo pró-7RA. (sempre com ponto final)

PS - Reparem no que se passa com a novela dos preços dos combustíveis; e se existisse concorrência intra e inter-regional? Que aconteceria? Todos sabem, não é necessário escrever mais nada; até a actividade reguladora sairia mais beneficiada no seu entusiasmo competente, diversificado, regulador, coordenador e controlador.

 
At quarta mar 10, 05:09:00 da tarde, Blogger norte said...

Caríssimo,
tomei a liberdade de re-publicar este "post", com o respectivo link, no
.
http://nortesim.blogspot.com/
.

Abr.
vap

 

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