quarta-feira, outubro 01, 2008

Trás-os-Montes




Boas notícias!


Soube pelos jornais – é pelos jornais que me chegam (palavras com gente dentro) as novidades do mundo, do país e até da aldeia onde nasci – três boas notícias. Daquelas que me fazem acreditar que o Norte de Portugal está prestes a reencontrar o norte. E que norte!

1 – O Norte de Portugal quer reforçar a cooperação com a Galiza. Os intercâmbios entre o Norte de Portugal e a Galiza, apesar de “legalmente” permitidos são naturalmente naturais. São sanguíneos. “Legalmente” permitidos porque a norte do Norte – lá, na Galiza – uma ideia pode consubstanciar-se num projecto materializado por uma verba no respectivo orçamento regional, e, no Norte, a sul da Galiza, gizam-se ideias que serão, ou não, aceites mais a sul – lá, na capital de tudo e todos: Lisboa. Sanguíneos porque o Norte de Portugal e a Galiza são sangue do mesmo sangue: Afonso VI de Leão.

De verdade, a Galiza é uma Região Administrativa e o Norte de Portugal quer sê-lo. É a diferença entre ser adolescente e ser adulto. O adolescente pede para arriscar. O adulto arrisca.

Todavia, tenho fé que o Norte de Portugal consiga a sua carta de alforria logo depois das próximas eleições legislativas. Queiramos, exijamos, a Regionalização já nos primeiros meses de 2010. Dispensemos os pruridos do referendo. O Norte de Portugal está maduro. Se o poder do Terreiro do Paço não deu por isso é porque perdeu o norte.


2 – Bragança, Chaves, Macedo de Cavaleiros, Miranda do Douro, Mirandela e Valpaços uniram-se com o propósito de se tornarem cidades ecológicas e inovadoras. Jorge Nunes, Presidente da Câmara Municipal de Bragança, salientou que este processo visa, numa perspectiva de desenvolvimento transversal – construção, energia, turismo, agro-indústria – fomentar os “projectos necessários para encontrar o papel destas cidades num quadro de estruturação do território” e “impulsionar melhor as acções para o reforço da coesão territorial, criando núcleos-âncora para fixar actividade económica, população e ganhar competitividade.”

3 – Também entidades de Portugal, Espanha e França se uniram em torno de um projecto verdadeiramente inovador e ousado: criar emprego num sector económico moribundo mas que foi já caldo, batatas e chicha de muita gente: falo da extracção de resina. 

O Sust-Forest – assim se chama este projecto – foi apresentado em Alijó sob o patrocínio da respectiva Câmara Municipal. Associa a Comunidad de Villa e Tierra de Coca, na zona de Segóvia, em Espanha, aos municípios portugueses de Mação, Ourém e Alijó. Há também parcerias com entidades locais da região da Aquitânea, em França.

Nesta primeira fase, o grande objectivo do projecto Sust-Forest é conseguir a aprovação da sua candidatura a fundos comunitários. Se tal vier a acontecer é provável que já no primeiro trimestre do próximo ano possam ser implementadas algumas acções. A “mecanização da extracção da resina” assumir-se-á como uma prioridade pois, ao contrário do que acontece em Espanha e França, em Portugal esta actividade continua a ser excessivamente artesanal e penosa.

Artur Cascarejo, Presidente da Câmara Municipal de Alijó, que abriu a jornada de trabalho, e Asçenso Simões, Secretário de Estado das Florestas, que a encerrou, vincaram a importância que assume para a região, e para o país, a dinamização integrada do sector florestal – indústria da madeira, extracção de resina, caça, pesca, cogumelos, apicultura… – e garantiram o respectivo empenhamento na candidatura deste projecto.

Digam lá se não são boas notícias?

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2 Opiniões

At quarta out 01, 12:41:00 da tarde, Anonymous índia said...

Seriam ainda melhores se o norte estivesse dotado de boas acessibilidades e tivesse aos acesso aos serviços de forma idêntica aos que vivem no litoral. Só a título de exemplo, quem more a sete km de Bragança não tem acesso a internet de banda larga, não tem rede de telemóvel portuguesa, não tem estradas condignas e decentes....enfim...
Outro exemplo, leva tanto, em termos de tempo, a fazer a viagem Faro-Guarda, como da Guarda para Bragança, isto porque da Guarda para Bragança não há placas informativas e facilmente as pessoas se perdem e seguem para Pinhel. As estradas daí para Bragança ou para outra qualquer localidade do interior, são uma vergonha, próprias de um país de terceiro mundo. Por tudo isso, estas "pequenas boas notícias" não são suficientes para os que aqui vivem sorrirem. Continuamos isolados, sem empregos, com salários mais baixos, sem retirar nenhuma mais-valia das tão faladas potencialidades desta verdadeira reserva de índios.
Perdoe-me a frontalidade mas costumo ler os seus artigos e não podia deixar de comentar este último....

 
At quarta out 01, 01:01:00 da tarde, Anonymous Anónimo said...

Caros Regionalistas,
Caros Centralistas,
Caros Municipalistas,

Todas as notícias serão boas desde que enquadradas por políticas regionais que não tenham outro objectivo senão o desenvolvimento de cada uma das regiões em que se tem de organizar o território continental: 7 Regiões Autónomas.
Em primeiro lugar, para evitar os comentários justos e precisos de intervenientes neste "blogue" como o anterior, porque a realidade superou as expectativas políticas.
Em segundo lugar, o mais importante, para que os projectos políticos, suporte da prossecução dos altos designios nacionais, possam ter em cada Região (Autónoma) um instrumento legítimo e adaptado às suas diferenciadas características a caminho do desenvolvimento equilibrado e autosustentado, estabelecendo como prioridade o aproveitamento dos recursos endógenos de cada uma das Regiões.
Em terceiro lugar, acabar de vez com critérios mesquinhos (ás vezes, até desconfiados) e jacobinos no exercício político e abrir cada uma das Regiões (Autónomas) ao mundo de todas as oportunidades, do entusiasmo mobilizador das suas populações, da valorização dos seus recursos, da importância da subsidiariedade regional e inter-regional, da exigência da unidade nacional e da funcionalidade da coesão social.
Sem tudo isto, as notícias continuarão a ser menos boas e a dar razão às intervenções justas como a do(a) comentarista que me antecedeu.

Sem mais nem menos.

Anónimo pró-7RA. (sempre com ponto final)

 

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