sexta-feira, dezembro 19, 2008

Sebastianismo atrasa Beira Interior



O antigo ministro da Economia, Augusto Mateus, defende que a cooperação entre as regiões Centro de Portugal e de Castela e Leão de Espanha tem um potencial grande se for "enterrado o D. Sebastião chamado interioridade". O economista falava no Encontro Transfronteiriço de Cooperação Empresarial e Institucional, que termina amanhã e reúne empresários, autarcas e agentes económicos de ambas as regiões, por iniciativa do Conselho Empresarial do Centro.
Augusto Mateus defendeu a "adopção de acções integradas e sistemáticas práticas e tentar uma agenda comum de trabalho realista entre as autoridades das regiões Centro de Portugal e de Castela e Leão, com vista à sua aproximação".
"Só há interioridade da Guarda se ela virar as costas a Espanha e olhar para Lisboa ou para o Porto", sustentou, acrescentando que é preciso perceber que "as coisas mudaram, porque a Beira Interior só era interior quando as relações económicas de Portugal eram com a Inglaterra".
"Mas com a adesão à União Europeia - prosseguiu -, as relações mais importantes de Portugal passaram a ser com aqueles que ganharam no processo de integração europeia a França e a Alemanha. E a Inglaterra cedeu a posição do relacionamento que tinha com Portugal àqueles países. Agora, a França e a Alemanha cederam o testemunho à Espanha que é o nosso principal parceiro", disse.
Assim, acentuou, "se a Espanha é o nosso principal parceiro, é o país a quem vendemos mais e a quem compramos mais, onde está a interioridade de quem está mais próximo de Espanha? Só nas nossas cabeças".Ainda assim, reconheceu "dificuldades objectivas" que afectam o interior "Não há na Guarda, Viseu, Castelo Branco ou Covilhã a mesma qualidade de serviços que em Lisboa", pelo que a cooperação com Castela e Leão, reforçou, é "uma oportunidade a matar a interioridade, e construir uma vida melhor e uma capacidade de afirmação da região".

2 Opiniões

At sexta dez 19, 02:30:00 da manhã, Blogger Antonio Almeida Felizes said...

Esta perspectiva do Augusto Mateus sobre a interioridade em Portugal , em tese, faz todo o sentido.

Todavia, por força do actual sistema político e de muitos anos de quase abandono, faltam a estas regiões do interior de Portugal alguma massa crítica para, por si só, poderem estabelecer parcerias, em termos de igualdade, com as regiões espanholas suas vizinhas.

 
At sábado dez 20, 01:17:00 da manhã, Anonymous Anónimo said...

Caros Regionalistas,
Caros Centralistas,
Caros Municipalistas,

A interioridade tem de ser transformada em desenvolvimento, sem necessidade de recorrermos a "coveiros" para enterrar seja o que for, mesmo com o recurso à simbologia sebastianista (bem dispensada no capítulo da regionalização).
Em tempos, foi aqui abordada a questão da paridade da cooperação entre as nossas futuras Regiões Autónomas e as Regiões Autónomas existentes nos restantes países europeus, especialmente em Espanha, com a indicação que tal paridade no plano político terá de ser obrigatória para não se verificarem quebras ou desvalorização do esforço político a concretizar não só nos projectos políticos complementares abrangendo duas ou mais regiões como nos projectos políticos comuns e damesma natureza decididos por cada uma das Rgeiões de diferentes Países.
Nessas intervenções anteriores, argumentou-se que a regionalização administrativa não concedia esses poderes políticos paritários nem corresponderia a uma legitimidade política genuína mas derivada de extensão para as tais regiões de um poder centralizado e centralizador.
Por isso,a questão da interioridade é e será, enquanto não for resolvido, um problema de desenvolvimento para cuja resolução sómente a regionalização política com base nas 7 Regiões Autónomas, profusamente aqui assinaladas e caracterizadas, induzirá a legitimidade e a força políticas necessárias para transformar a interioridade em desenvolvimento e a cooperação paritária com as Regiões de outros Países (não só de Espanha) numa exigência permanente de valorização dos recursos próprios de cada uma delas.
A interioridade permanecerá sempre na realidade política, económica, social, cultural, geográfica e antropológica, mas através da regionalização autonómica é possível transformá-la de uma interioridade "árida" e desértica, numa interioridade desenvolvida e aberta ao Mundo, através da valorização dos seus recursos endógenos.

Sem mais nem menos.

Anónimo pró-7RA. (sempre com ponto final)
Sem mais nem menos,

Anónimo pró-7RA. (sempre com ponto final)

 

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