sexta-feira, julho 17, 2009

1998-2009: 11 anos à deriva...

A Regionalização já podia estar implantada há 10 anos no território nacional. Tudo seria, certamente, diferente num Portugal regionalizado. Porém, em 1998, caiu-se no tremendo erro de intrometer os partidos políticos na questão regionalista, tornando-a numa luta entre o PS descentralizador de Guterres e o PSD do ultra-centralista Marcelo Rebelo de Sousa.

Incompreensivelmente, os partidos mais à direita (PSD e CDS/PP), que se posicionaram contra a Regionalização, fizeram do referendo de 8 de Novembro de 1998 um referendo contra o governo de então, relegando a questão central- os prós e os contras da Regionalização- para segundo plano, com argumentos, no mínimo, duvidosos. Tudo isto fez os portugueses alhear-se por completo desta questão, registando-se uma elevadíssima abstenção no referendo. A minoria que votou, fê-lo influenciada pelas guerras entre partidos, o que explica os aparentemente estranhos resultados finais do referendo.

Por exemplo, como é possível que, em toda a região de Entre-Douro e Minho, tradicionalmente aquela em que mais vozes se levantam a favor da Regionalização, o "não" tenha ganho em todos os concelhos, à excepção do Porto, Matosinhos e Gondomar? E que, por outro lado, nos arredores de Lisboa, o "Sim" tenha ganho em vários concelhos, com destaque para Almada, Barreiro, Seixal, Moita, Montijo, Alcochete ou Vila Franca de Xira, quando se diz que Lisboa é anti-regionalista? E como se explica também que o "não" tenha ganho em todas as regiões, litorais e interiores, à excepção do Alentejo? E que dizer da vitória do "não" nos Açores e na Madeira, que sempre foram pró-Regionalização?

Esta aparente distorção só é explicável com a intromissão das esferas partidárias com posições extremadas neste referendo. O "não" ganhou na área de influência da direita, nas regiões a norte do Tejo, enquanto o "sim" ganhou nas áreas de influência da esquerda, nomeadamente o Alentejo e a Margem Sul do Tejo.

Rui Rio, como todos os sociais-democratas de fora de Lisboa, tem necessariamente de se redimir do erro de ter apoiado o partido no ataque desenfreado à regionalização de 1998.
Só a título de exemplo, nessa altura, na minha região (Beira Interior), o PSD serviu-se do que pôde para dizer não à Regionalização. A sua bandeira era, imagine-se a questão de Seia e da sua inclusão na Beira Interior. Cheguei a ouvir debates em que o PSD dizia aos senenses que, se votassem "sim" à regionalização, quando estivessem doentes, não poderiam ir ao hospital de Viseu e seriam obrigados a ir, imagine-se, para Castelo Branco. Andou-se a campanha toda a discutir a questão de Seia e esqueceu-se tudo o resto. Assim, a Beira Interior tradicionalmente regionalista votou contra a Regionalização.

Questões como estas não podem ser discutidas apenas dentro das esferas partidárias. Portugal não pode esperar mais pela Regionalização. Quanto mais tempo perdermos com lutas irreflectidas, mais as regiões periféricas do nosso país se vão afundar.

Afonso Miguel

3 Opiniões

At sábado jul 18, 08:53:00 da tarde, Anonymous zangado said...

Não é só Rui Rio, também Manuel Monteiro (antigo Presidente do CDS) aparece agora como "defensor" da regionalização que ambos ferozmente atacaram, por todos os meios, em 1998.E como eles, muitos políticos de vários partidos que fizeram uma campanha miserávei, cheia de boatos e mentiras contra a mesma.
A regionalização é algo de necessário para combater as distâncias entre as pessoas e os centros de decisão. A esfera de acção dos municípios não chega, tem de haver aproximações, mas muitos casos de empresas municipais como a dos aterros na Cova da Beira são uma vergonha, com laivos de corrupção e em vez de todos pugnarmos para o mesmo lado, vemos alguns logo a colocar, como sempre, Coimbra em bicos de pés, como uma segunda Lisboa. Apesar de ser do Porto, aceito com mais facilidade a existência de uma Beira Interior do que uma "região centro" única, obra de tecnocratas que querem centralizar tudo em Coimbra. Por mim, não aceito que Aveiro e a região do Vouga, Lafões, Viseu e outras sejam obrigatoriamente subordinadas a Coimbra. Já tenho, também, afirmado a minha discordância em meter Leiria e a zona até Óbidos na mesma região do Ribatejo de Santarém e das lezírias, pois acho-as cultural e mentalmente diferentes.
Quanto à zona de Lisboa, penso que ganharia igualmente com a regionalização, pois poderiam as pessoas que lá vivem ver resolvidos mais de perto alguns dos seus problemas e muitos até poderiam regressar às suas terras de origem ou fixar-se em cidades médias onde poderiam viver com melhor qualidade de vida e sem tanto trânsito e correrias.
O mal está nos milhares de funcionários públicos que trabalham na capital ou lhes prestam serviços (desde os restaurantes até vendedores ambulantes, pois muitos empregos acabariam e outros seriam transferidos para as cidades onde se fixassem os novos centros de decisão. E é essa gente, mais os boatos, clubites e comunicação social concentrada em Lisboa que "formam" a opinião pública no sentido de manter a realidade actual. Isto para não falar das atitudes vergonhosas dos candidatos a deputados que, depois de eleitos, nada fazem pelos círculos por onde foram eleitos, não pondo os pés na assembléia ou deixando-se substituir por gente colocada no fim das listas que, naturalmente, são muito respeitadores da disciplina partidária.
Isto tem de acabar, sob pena do país ficar, de vez, transformado num deserto com uma capital e seus subúrbios repletos de gente que vive, em grande parte, sem condições.
Cumprimentos

 
At sábado jul 18, 09:19:00 da tarde, Anonymous Anónimo said...

Caros Regionalistas,
Caros Centralistas,
Caros Municipalistas,

Permitam-ma que discorde do título do excelente (sempre) escrito do Afonso Miguel. Mas no que respeita ao território continental, são mais de 33 anos à deriva no domínio da implementação da regionalziação, mas não só, infelizmente.

Sem mais nem menos.

Anónimo pró-7RA. (sempre com ponto final)

 
At domingo jul 26, 05:56:00 da tarde, Anonymous Anónimo said...

MAS ENTAO OS VOTANTES JA NAO SE PRONUNCIARAM COM UM...NAO A REGIONALIZACAO !?
SERA QUE ACHAM QUE SE CONTINUAREM A TENTAR ELES EVENTUALEMTNE VAO DIZER QUE SIM?;
A QUEM INETRESSA TANTO A REGIONALIZACAO? E PORQUE?
MAIS BEM PAGOS TACHOS PUBLICOS PARA UMAS CENTENAS , E ISSO?

PELSO VISTOS TEMOS AQUI A DOUTRINA DE "GOEBBELS" APLICADA AO "JOGO" DA REGIONALIZACAO?

RENATO NUNES
CAROLINA DO SUL, E.U.A.

 

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