segunda-feira, outubro 05, 2009

Regionalização: aparência e realidade (parte I- Identidades regionais a norte do Tejo)

Um dos maiores problemas na instituição das regiões é, sem dúvida, a existência de múltiplas teses, designações e morfologias para as regiões que, muitas vezes, colidem entre si, gerando equívocos, tanto a nível nacional como local, no seio das populações e dos responsáveis políticos.
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Esta aparente "confusão" na forma de tratar as regiões deve-se, em primeiro lugar, à artificialidade do mapa de cinco regiões que está em cima da mesa. É isso que leva à descaracterização das regiões propostas, causada por uma violação às identidades regionais existentes há vários séculos no nosso país e, por isso, já demasiado enraizadas na nossa cultura para serem ignoradas por qualquer mapa regional.

Por exemplo, o "Norte", enquanto região, é pura invenção: apenas no Douro Litoral há uma "identidade nortenha", já que, no restante território dessa hipotética "região", as pessoas de Trás-os-Montes e Alto Douro sentem-se Transmontanas, e as pessoas do Minho sentem-se Minhotas. Os territórios referidos fazem parte de duas regiões bem vincadas, com identidades próprias, realidades bem diferentes, modos de vida distintos, pessoas diferentes, que estão consagrados, desde os primórdios da nossa Nação, por todos os geógrafos, monarcas, e, principalmente, pelas pessoas, como duas regiões distintas: a região de Entre-Douro e Minho, e a região de Trás-os-Montes e Alto Douro.
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No "Centro", a situação é semelhante. Não há uma identidade regional, e as realidades das regiões que compõe esta zona do nosso território são bem distintas entre si. Antes de mais, um parênteses histórico, que justifica o surgimento daquilo que hoje chamamos Beira Litoral e Beira Interior. Nas primeiras demarcações regionais do nosso país, nomeadamente nas regiões do testamento de D. Dinis (considerado o primeiro documento histórico de demarcação das regiões portuguesas), o território das actuais Beiras aparece repartido por três províncias: d’ Antre Douro e Mondego (distrito de Aveiro, parte de Viseu e norte de Coimbra), Estremadura (distritos de Lisboa, Leiria, parte de Santarem e parte de Castelo Branco) e a Beira (Distritos da Guarda, Castelo Branco e parte do distrito de Viseu). São estas as regiões que existem desde o início da nacionalidade. Ao longo dos séculos, as divisões foram-se alterando, mas a grande maioria dos mapas preconizava a divisão litoral-interior da Beira. Com as reformas liberais, o mapa regional ganhou maior importância. E, no século XX, chegámos às províncias da carta de Amorim Girão, onde as Beiras se encontram repartidas pela Beira Alta, Beira Baixa, Beira Litoral e Beira Transmontana. A carta de Amorim Girão serviu de base às Províncias de 1933, também conhecidas como Províncias tradicionais portuguesas, onde, como sabemos, ficaram registadas a Beira Alta, a Beira Baixa e a Beira Litoral.
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Este mapa, embora seja o mais representativo e correcto feito até hoje, tem também ele uma fragilidade nesta divisão, que as populações prontamente identificaram: falta a distinção entre as regiões da Beira Alta e da Beira Serra, esta última incorporada incorrectamente na primeira. São regiões bem distintas, já que a Beira Alta (que compreende grande parte do distrito de Viseu) é já uma região de charneira com o Litoral, gozando de uma posição privilegiada que lhe permite um desenvolvimento bem mais acentuado que a Beira Serra. Há também múltiplas diferenças paisagísticas, geográficas, climatéricas, sociais e culturais, que se distinguem até ao nível do dialecto: o sotaque da Guarda e da raia, por exemplo, é diferente do de Viseu. Foi este equívoco que levou a população dos 14 concelhos do distrito da Guarda, e de mais 4 do distrito de Castelo Branco (Belmonte, Covilhã, Penamacor e Fundão), a enviar a Salazar uma petição com mais de 50 mil assinaturas, exigindo a criação da região da Beira Serra, que englobaria os referidos municípios.
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Como vemos, existe uma identidade regional enorme em cada uma das Beiras, e cada uma delas é, à sua maneira, bem diferente das outras. O termo “Beiras” não podia ser mais enganador: a Beira Serra é tão diferente da Beira Litoral como o Algarve é do Alentejo.
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(continua)
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Afonso Miguel
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24 Opiniões

At segunda out 05, 05:10:00 da tarde, Blogger Afonso Miguel said...

Este artigo serve também de resposta às questões colocadas pelo leitor Nuno no post «Regionalização: passado, presente e futuro- Parte IV».

 
At segunda out 05, 06:43:00 da tarde, Blogger Rui Farinas said...

Caro Afonso Miguel, principio por felicitá-lo pelo seu texto, que além de outros méritos tem relevantes elementos históricos. Verifico que no tempo de D.Dinis os legisladores eram mais sensatos que os actuais, pois que a divisão das Beiras preconizada nesse tempo, era mais inteligente do que o actual e estúpido Centro.

A meu ver, a razão para a divisão actual do país em cinco regiões, é simples e óbvia. O governo centralista não quer a regionalização, que vê como uma diminuição de poderes e privilégios e em consequência pretende impor todos os factores que possam contribuir para um resultado negativo no referendo, que tentam protelar o mais possível, mas ao qual não poderão fugir um dia, por muito distante que seja.

Permito-me uma discordância quanto ao seu mapa a norte do rio Douro. Penso que uma Região Entre-Douro e Minho não terá a aprovação dos eleitores. Braga nunca a aceitará, querem ser cabeça de região. Porque não uma região correspondente à Área Metropolitana do Porto, com os municípios que a queiram integrar, ficando o resto a constituir a região do Minho?

Cumprimentos

 
At segunda out 05, 07:38:00 da tarde, Anonymous Anónimo said...

Caro Afonso Miguel,

Excelente trabalho.

Sem mais nem menos.

Anónimo pró-7RA. (sempre com ponto final)

 
At terça out 06, 10:51:00 da manhã, Blogger Afonso Miguel said...

Caros Anónimo pró-7RA e Rui Farinas, antes de mais muito obrigado pelos elogios ao texto.

Caro Rui Farinas:
A questão da região Entre-Douro e Minho tem de ser, antes de mais, resolvida pelos próprios douro-minhotos. Se houver manifesta vontade em formar uma região do Minho e outra do Douro Litoral, penso que ninguém deve impedir as populações de o fazer. Porém, uma região que distinguisse o Porto do restante Entre-Douro e Minho nunca poderia incluir apenas a actual Área Metropolitana: teria, sim, de incluir todo o distrito do Porto, já que concelhos como Paços de Ferreira, Paredes, Penafiel, Felgueiras, Lousada, Castelo de Paiva, Amarante, Marco de Canavezes, Cinfães, Resende ou Baião nunca aceitariam (e com razão) pertencer a uma região que não incluísse o Porto, pólo dinamizador do desenvolvimento de todo o distrito.
Pessoalmente, penso que a solução Entre-Douro e Minho é uma boa solução, não existindo razões culturais nem económicas para uma divisão, e que questão de Braga querer ser cabeça de região se resolveria com relativa facilidade. Penso que é preciso acabar com a ideia que as regiões têm de ter uma capital que concentre todos os serviços, já que certamente é isso que preocupa os bracarenses, ou seja, um hipotético centralismo do Porto. Tendo regiões de média dimensão como as que proponho neste mapa, penso que a melhor solução é aplicar o modelo de distribuição dos serviços regionais que já se aplica nos Açores, bem como em várias regiões da Europa. Este modelo consiste na distribuição das sedes dos organismos regionais pelas actuais capitais de distrito. Mais concretamente, para a região de Entre-Douro e Minho, onde temos actualmente 3 capitais de distrito (Porto, Braga e Viana do Castelo), far-se-iam, tal como acontece nos Açores, três "lotes" de serviços: o Governo Regional ficaria numa cidade, a Assembleia Regional noutra e o Governo Civil Regional noutra, sendo que as Secretarias Regionais seriam distribuídas pelas três cidades. Penso que, assim, resolver-se-ia esse problema, já que no Entre-Douro e Minho não existirá propriamente um problema de centralização, uma vez que o peso populacional e económico das diferentes áreas no seio da região é relativamente equilibrado: a Área Metropolitana do Porto representa 50% da população; as restantes áreas da região têm os restantes 50%. Neste campo, costumo comparar a região do Entre-Douro e Minho à Catalunha, que inclui uma grande área metropolitana, que é Barcelona, mas onde as restantantes províncias (Lleida, Tarragona e Girona) têm-se desenvolvido, sem queixas de centralização por parte da "ciutat condal"
Esta é apenas uma opinião pessoal. A decisão caberá inteiramente às populações e aos responsáveis da região em questão.

Com os melhores cumprimentos,
Afonso Miguel

 
At terça out 06, 10:52:00 da manhã, Blogger Afonso Miguel said...

Este comentário foi removido pelo autor.

 
At terça out 06, 07:28:00 da tarde, Anonymous Anónimo said...

Boas,

Devo felicitar o autor pela transversalidade do artigo e pela sua clareza.

Em relação a uma identidade regional, e apesar de todas as diferenças geográficas, e "fonéticas" penso que tanto a população da Beira Litoral, Beira Alta e Baixa (Interior) e agora a falada Beira Serra, todos se identificam como beirões, apesar, devo reconhece-lo, porque assim o é, que esta denominação é mais próxima à parte interior que à litoral, pois tanto os habitantes de Coimbra, Aveiro e Leiria, se afastam cada vez mais do termo, penso que por questões de ordem "política", e por motivos de pré-conceitos em relação aos "serranos", embora em todo o eixo do Mondego a situação seja um pouco diferente, pela identificação à barca serrana, recentemente "ressuscitada", logo uma identificação à Beira. (Se em Coimbra perguntarem em que província estão, todos vos responderão Beira Litoral, se o fizerem em Leiria, ficarão surpreendidos com algumas respostas, já o fiz uma vez...)

Pessoalmente, (e apesar de não ser totalmente imparcial, visto ser da Beira Litoral), identifico-me como beirão, porque assim me foi incutido o conceito de que todos pertencemos a algum lugar. Apesar de ser do litoral, penso que tanto as populações da faixa costeira e do interior têm uma boa relação de proximidade umas com as outras, e se identificam com fazendo parte de uma mesma região, apesar de todas as suas diferenças, e sinceramente, numa questão emocional, eu, e por mim apenas falo, não gostaria de ver a "parte" interior separada da litoral, era o mesmo que estar a isolar o interior e a privilegiar o litoral, embora deva confessar que alguns aveirenses e leirienses olhem para esta questão de nariz torcido.

Fico ansioso para ler a continuação do artigo, gostei mesmo, e para o completar se me é permitido deixo alguns links, para imagens que encontrei há uns tempos no portal europeana.eu, cedidos pela Biblioteca Nacional Portuguesa.

http://purl.pt/4078/1/P1.html
http://purl.pt/3967/2/P1.html
http://purl.pt/3685/2/P1.html

As respectivas datas estão presentes nas cartografias.

Obrigado, Nuno.

 
At terça out 06, 07:41:00 da tarde, Anonymous Anónimo said...

Já agora Sr. Afonso Miguel, peço desculpa por este segundo post sobre o mesmo artigo, mas revendo bem as imagens dos links que enviei, realmente apercebi-me que a zona de Leiria (Pinhal Litoral, segundo as NUTS III), não incorpora a "Grande Província da Beira)... Assim sendo não deveria ter ficado surpreendido que alguns habitantes tivessem dúvidas... E mais uma vez reparo, e me recrimino por esta distracção, que as províncias por vezes criadas meramente ao abrigo político e de ordenamento territorial, não espelham o sentimento local...

Nuno

 
At terça out 06, 09:47:00 da tarde, Blogger Rui Farinas said...

Caro Afonso Miguel, obrigado por ter respondido à pergunta com que finalizei o meu comentário de ontem. Basicamente estou de acordo com as suas considerações, mas continuo a temer o êxito eleitoral duma região Entre-Douro e Minho, mesmo com a partilha dos orgãos de poder, mas é claro que estou consciente de que não tenho argumentos objectivamente válidos para sustentar a minha opinião. É apenas um feeling!

No início do seu comentário afirma que o desenho desta Região dependerá da vontade dos seus habitantes e que eles têm toda a legitimidade para o fazer. Não podia estar mais de acordo consigo, mas aqui levanta-se uma questão crucial. Qual é o sentido das populações, qual o desenho que preferem? Ninguém sabe, e esperarmos pelo eventual futuro referendo para ficarmos a saber, é um risco de todo tamanho porque arriscamo-nos a que o preço a pagar pela resposta, seja a vitória do NÃO. Isto quer dizer que deveria haver desde já uma ideia da opinião dos interessados a partir da qual se debateriam as diferentes posições. A meu ver, como manifestado em post há já talvez um ano, é indispensável a realização de sondagens. Tal como estamos, somos como um avião em voo às cegas sem intrumentos adequados.

Se eu fosse rico não tenho dúvidas de que custearia as sondagens. Como não sou, resta-me esperar que um dia um orgão de comunicação ou uma instituição, pública ou privada, se decida a fazê-lo.

Cumprimentos

 
At terça out 06, 10:28:00 da tarde, Anonymous Anónimo said...

Caros Regionalistas,
Caros Centralistas,
Caros Municipalistas,

Como já tive oportunidade de analisar anteriormente a problemática relacionada com o Mapa das Regiões Autónomas, volto a insistir na necessidade de fazer uma correcção aos limites das futuras Região Autónoma da Beira Litoral (sem o Distrito de Viseu) e Região da Beira Interior (com o Distrito de Viseu).
Independentemente desta correcção, a problemática da regionalização constitui o factor mais importante para garantir o desenvolvimento da sociedade portuguesa, em todos os domínios políticos envolventes. Contudo, mesmo sob pena de repetição, como instrumento político inovador terá de imprimir um esforço efectivo de reestruturação de todos os organismos estatais e de mobilizar o protagonismo de políticos de nova geração e de melhor capacidade de desempenho a todos os níveis (mesmo ao nível da ética pessoal e política).
Por outro lado, se não for possível implementar a regionalziação autonómica tão rápido quanto possível, sabendo que a administrativa é insuficiente e desactualizada para prosseguir desígnios quantitativos e qualitativos de desenvolvimento, ficaremos cada vez mais distante da União Europeia.
Agora que se perspectiva um aprofundamento do funcionamento político da União Europeia, depois aprovação do Tratado de Lisboa por segundo referendo realizado na Irlanda, fica confirmado o prejuízo real dos objectivos limitados à eficácia, eficiência e mesmo da natureza de funcionamento da Comissão Europeia. Paralelamente, o que pode ser deveras mais importante relaciona-se com o reforço do princípio da unanimidade no seio da União Europeia e com o reconhecimento defintivo do primado da soberania originária dos Estados seus membros, no quadro de uma reunião de Nações-Estado soberanas. No entanto, nos termos do Tratado de Lisboa, os poderes políticos serão especificamente partilhados e as competências da União Europeia e das Nações nela integradas especificamente definidas, para satisfação da defesa de interesses e de valores comuns, os quais só poderão ser defendidos em conjunto.
Acresce ainda o facto de o princípio da subsidiariedade passar a ter reforçado o seu controlo pelos Parlamentos de cada Nação-Estado, outorgando desta maneira uma maior legitimidade aos cidadãos leitores ao desempenharem um papel político mais interventivo, sem o risco de promover uma indesejada homogeneização da realidade política.
Este novo enquadramento permitirá prosseguir altos desígnios europeus relacionados com:
(a) A promoção da Paz na União Europeia e no Mundo
(b) O desenvolvimento sustentável e equilibrado (obrigando a convergência real permanente)
(c) Aprofundamento da diversidade cultural
(d) Aprofundamento das políticas regionais e locais como suporte do desenvolvimento regional simétrico, diversificado e competitivo.
Tendo em consideração o exposto, podemos verificar que a regionalização administrativa já não será suficiente para prosseguir altos desígnios europeus e, muito mais importante, os altos desígnios nacionais que, nos "posts" anteriormente apresentados, têm vindo a ser repetidamente enunciados, sob pena de nunca se poder assegurar a tão necessária convergência real em direcção às sociedades mais evoluídas.
Por isso, mais uma vez se insiste na necessidade de recrutarmos políticos estadistas, em lugar dos habituais políticos-de-turno, de políticas estruturais, em vez de políticas conjunturais, de políticas enquadradoras de médio e longo prazo, no lugar de políticas casuísticas, sabendo de experiência feita que as últimas de prestam a tudo, mesmo a tudo.
Depois disto, haverá ainda dúvidas que o mais importante, na actual fase de (sub)desenvolvimento da nossa sociedade, é implementar a regionalziação autonómica suportada por 7 Regiões Autónomas, a juntar às duas já existentes, mesmo para cumprimento do Tratado de Lisboa?

Assim seja.

Sem mais nem menos.

Anónimo pró-7RA. (sempre com ponto final)

 
At terça out 06, 10:51:00 da tarde, Blogger Afonso Miguel said...

Caro anónimo pró-7RA:

Este artigo sublinha claramente as razões pelas quais a Beira Serra e a Beira Alta são regiões muito diferentes. É isso que se sente na Beira Interior, e que é fácil de observar no terreno. Beira Interior com Viseu não resulta. Beira Interior é a junção da Beira Serra com a Beira Baixa. Qualquer outra delimitação seria uma invenção, iria contra a vontade das populações, contra o sentimento histórico de séculos de regionalismo. Não foi por acaso que 50 000 pessoas de 18 concelhos da Beira Serra tiveram a coragem de mandar um abaixo-assinado a Salazar pedindo que os separassem da Beira Alta. Se já é difícil fazer passar a ideia de autonomizar a Beira Interior em relação ao litoral perante o País, então arranjando modelos alternativos para esta região, mais difícil se torna. Nem os Viseenses querem ser da Beira Interior nem a Beira Interior quer nem precisa de Viseu. Beira Interior sempre foi isto: Beira Baixa mais Beira Serra. É assim que terá de continuar a ser, para bem de todos. É nestes moldes que, um dia, aqui todos esperamos ver esta nossa região instituída. E nesse dia, tenho a certeza que se iniciará uma nova era de progresso para a Beira Interior.

Caros Rui Farinas e Nuno:
Deixo para amanhã, quando tiver mais tempo, uma resposta aos vossos interessantes comentários. Porém, penso que boa parte das questões que colocam terão resposta da minha parte na continuação deste artigo.

Um bem-haja regionalista a todos.

Afonso Miguel

 
At quarta out 07, 03:32:00 da tarde, Anonymous Paulo Rocha said...

Embora compreenda os argumentos apresentados, o que é certo é que não andamos por cá (Continente) à procura de autonomias, mas antes de regiões administrativas.

O que se pretende para o território continental é, nesta fase, como diz a CRP (Constituição) a instituição de regiões administrativas e isto no sentido de promover uma melhor administração geral e melhorar a qualidade da democracia.

Pensar em autonomias para o Continente numa altura em que nem sequer estão instituídas regiões administrativas é, na minha opinião, muito pouco realista e, sobretudo, uma manifesta perda de tempo.

 
At quarta out 07, 08:35:00 da tarde, Anonymous Anónimo said...

Caro Paulo Rocha,

Na verdade, o futuro dirá onde vai estar a "manifesta perda de tempo".

Sem mais nem menos.

Anónimo pró-7RA. (sempre com ponto final)

 
At quinta out 08, 11:09:00 da manhã, Blogger al cardoso said...

Caro Afonso:

Realmente o meu amigo define muito bem principalmente as Beiras, que e a tambem minha regiao. Embora nos os de Fornos, tenhamos mais a ver com Viseu, fomos contra a nossa vontade incorporados na Guarda.
Quanto a mim e a isto ja me referi alguma vez, continuo convencido que so poderemos ter uma regiao com algum peso, se ela englobar as tres Beiras e nos deixar-mos bairrismos bacocos.
Excusado sera dizer, que todos nos teriamos de colaborar uns com os outros, sem sentimentos de mais importancia uns que outros.
Os servicos regionais deveriam ser deslocalizados por toda a regiao e ate para localidades de menor importancia, pois as principais cidades ja tem vida propria, e sao os meios mais pequenos que necessitam de desenvolvimento e ate povoamento.
Quanto a capital ou sede de regiao, a have-la, deveria ser o mais central possivel, ainda que isso implica-se coloca-la numa cidade pequena ou ate numa vila!

Um abraco regionalista dalgodrense.

 
At quinta out 08, 03:40:00 da tarde, Blogger Afonso Miguel said...

Caro Rui Farinas:

Concordo consigo. Porém, tal como diz, não estou a ver vontade nenhuma por parte de nenhum responsável político, em nenhum ponto do país, em fazer sondagens.
Para além disso, penso que talvez as pessoas não estejam tão esclarecidas quanto isso para se fazerem já sondagens. A regionalização é um processo complexo, porque coloca toda a sociedade a discutir geografia e economia pura, o que facilita a quem é contra lançar a confusão na cabeça das pessoas.
Talvez, por isso, o passo seguinte no sentido da Regionalização fosse juntar geógrafos, economistas, políticos de diferentes ideologias, engenheiros e personalidades de todos os quadrantes, de mérito reconhecido, e levá-los terra a terra, concelho a concelho, fazendo palestras que esclarecessem o cidadão sobre estas temáticas. A partir daí, poder-se-ia, com inquéritos ou até nos próprios colóquios contactar com as populações em concreto, e ver qual a sua opinião quanto à questão e quanto à região em que se inserem.
Estou a falar em palestras sérias, onde todos se disponham a ouvir, a responder aos cidadãos, e a respeitar as opiniões de todos. Nada que se pareça com o que foi feito por alguns "cristãos-novos", encabeçados pelo pseudo-regionalista Rui Moreira (não nos esqueçamos que ele fez campanha pelo não em 1998, só porque o mapa não ia de encontro aos seus interesses...) que se têm dedicado a percorrer o "norte", pregando a sua palavra como se fosse algo de inquestionável, como se as 5 regiões fossem uma inevitabilidade, no espírito "ou é isto ou não há regiões para ninguém".
Esclarecer as pessoas é o que a Regionalização necessita. A partir desta auscultação, partir-se-ia para a elaboração de um modelo regional que servisse a todos. Que, concerteza, seria aprovado em referendo, pois Portugal é um país regionalista. Não podemos esperar é que as pessoas votem a favor de algo que não conhecem, ou que as prejudique: iludam-se aqueles que pensam que a Beira Interior e Trás-os-Montes vão aceitar uma região que, em vez de criar condições para o desenvolvimento, lhes retira poder! Penso que é este o papel de todos: esclarecer para aferir as necessidades de todos, e procurar ir ao seu encontro. E é nisto que este blogue se destaca, como excelente forma de participação democrática, aberta a todos.

Caro Nuno:

As pessoas das Beiras não têm nada umas contra as outras e, logicamente, dão-se bem e estão próximas. Tal como os alentejanos estão próximos dos lisboetas. Talvez até devido ao facto de, durante muito tempo, os alentejanos terem de ir estudar para Lisboa, e os beirões da raia para Coimbra: tudo isto leva a uma relação de empatia entre regiões.


(continua)

 
At quinta out 08, 03:41:00 da tarde, Blogger Afonso Miguel said...

(continuação)

Mas não podemos englobar tudo no mesmo saco: como digo na conclusão desta 1ª parte do artigo, a Beira é tudo menos uma região só... Desde o tempo do rei D. Dinis, com a separação entre a Beira (parte Interior) e a Estremadura/Antre Douro e Mondego (parte litoral), que há fortes diferenças entre a Beira Litoral e a Beira Interior, a todos os níveis: a cultura é diferente, o desenvolvimento económico é diferente, as tradições são diferentes, a forma de falar é diferente, a gastronomia é diferente, o clima é diferente, a agricultura é diferente, as próprias pessoas são muito diferentes, consoante nos encontremos na Beira Litoral ou na Beira Interior! Não faz sentido juntar pessoas e terras tão diferentes, e tratá-las como se fossem iguais! A Beira Interior tem necessidades muitíssimo diferentes das da Beira Litoral, tem problemas muito mais graves para resolver! A Beira Litoral vai, como região, procurar colocar-se ao nível de Entre-Douro e Minho e da Estremadura e Ribatejo, porque tem todas as condições para isso, e vai tentar ganhar competitividade internacional, nomeadamente potencializando a sua faixa costeira, os portos, e as indústrias já existentes. Já a Beira Interior vai tentar recuperar o atraso perdido, vai ter de construir infra-estruturas, reorganizar a região, apoiar financeiramente a criação de emprego e a fixação de pessoas na região, fomentar o empreendedorismo e a inovação, investir na melhoria da qualidade de vida, nos transportes, desenvolver o turismo e a agricultura, para tentar alcançar um grau de desenvolvimento que permita a médio prazo, à Beira Interior, aproximar-se das outras regiões portuguesas, ibéricas e europeias, tal como fizeram, por exemplo, La Rioja ou Navarra, em Espanha, casos de sucesso de regiões do interior, que passaram de um atraso secular a um desenvolvimento evidente, tudo graças à autonomia, e à diferenciação em relação às regiões do Litoral: também em Espanha, La Rioja teve de lutar para não ser incorporada em Castilla y León, como o governo central queria fazer, e hoje em dia atribuem a esse facto o seu desenvolvimento... Já Salamanca, Zamora e León, províncias que constituem o País Leonés, deixaram-se incorporar na região de Castilla y León, e hoje queixam-se de terem sido tratadas pelo poder regional como regiões de segunda. Não podemos deixar que isso aconteça na Beira Interior, e por isso defendo sem dúvidas que se distinga aquilo que é diferente, e se institua esta região, ou então a Beira Serra e a Beira Baixa só perderão com a regionalização (perderão governos civis e estruturas instaladas nas capitais distritais, devido ao fim dos distritos, e verão a sua região completamente esvaziada de serviços)!
Ver a Beira Interior e a Beira Litoral distinguidas não é privilegiar o litoral em deterimento do interior, antes pelo contrário. Isso aconteceria é se fosse instituída uma região única, o tal "centro", que seria uma machadada (talvez a final) nas esperanças de desenvolvimento que ainda restam à Beira Interior. Já muitas vezes expliquei porquê, mesmo neste texto.

Disse no seu comentário, e com razão, que "as províncias por vezes criadas meramente ao abrigo político e de ordenamento territorial, não espelham o sentimento local". Pois, é isso que estão a tentar fazer a norte do Tejo, com este mapa. Não é por acaso, mais uma vez, que as populações da Beira Serra tiveram a coragem de eviar 50 000 assinaturas a Salazar para pedir a criação desta província, separando-a da parte litoral, e da Beira Alta!

(continua)

 
At quinta out 08, 03:41:00 da tarde, Blogger Afonso Miguel said...

Outro problema é que a "região centro" é vista, muitas vezes, como representando os domínios do "feudo" de Coimbra, que por vezes assume, infelizmente, atitudes incorrectas que antagonizam o interior (e mesmo as restantes áreas da Beira Litoral), e que em nada prestigiam aquela que deve ser a terceira cidade do nosso país. Por exemplo, quando se quis fazer um esboço de descentralização na CCDR-Centro, logo um abaixo assinado muito participado foi lançado em Coimbra, de forma a impedir a deslocação para Aveiro da Direcção Regional de Economia. Atitudes destas são completamente reprováveis, mesmo alguns conimbricences o dizem. Depois não é de estranhar que os viseenses, aveirenses e leirienses se insurjam contra o centralismo de Coimbra! E problemas desnecessários como este, só prejudicam a regionalização.

Um bem-haja regionalista a todos.

 
At quinta out 08, 04:53:00 da tarde, Blogger Afonso Miguel said...

Caro Al Cardoso:

Fornos tem mais a ver com Viseu do que com a Guarda? Não penso que seja assim.

Em primeiro lugar, e esse é um dos méritos da Regionalização, temos de acabar com a sensação dos concelhos de "eu pertenço à Guarda" ou "eu pertenço a Viseu". Isso, com a regionalização, felizmente acaba: acabam os distritos, e pertencemos apenas a uma região. Desde sempre, nos Fornos como em toda a Beira Serra se sentiu isso. O facto de Fornos, assim como Seia, Gouveia, Celorico e até Aguiar da Beira, terem assinado o abaixo-assinado pela Beira Serra entregue a Salazar, diz bem do sentimento de pertença dos concelhos da vertente ocidental da Estrela à região que nos une: porque a Beira Serra, assim como a Beira Interior, constrói-se a partir da Serra da Estrela, a nossa janela de oportunidades, a montanha que nos une desde sempre e para sempre. É a Serra da Estrela que tem de ser uma das prioridades da Beira Interior, no futuro: potencializar a Serra é tornar-nos a todos mais fortes.

E será que uma "região centro" iria fazer isso? Claro que não! Uma região dessas seria sempre uma região completamente desequilibrada: o Interior nunca teria voz nessa região, pois representa uma pequeníssima parte da sua população. E todos sabemos que, em política, o peso populacional (e eleitoral) é que conta. Seríamos esquecidos, continuaríamos atrasados na mesma, e pior: continuariam a utilizar os fundos nacionais e europeus que são nossos por direito, em obras nas grandes cidades (hoje o pouco que é entregue às CCDR's já é gerido um pouco desta maneira...). Não podemos deixar que isto continue a acontecer! Que sejamos tratados como cidadãos de segunda, é inadmissível o que nos têm feito ao longo de décadas!

Quanto ao "peso" da região: Esse argumento não pode ser usado. Uma região, só pelo simples facto de o ser, já tem automaticamente peso. Vejamos, por exemplo, a Madeira e os Açores, regiões bem mais pequenas e menos povoadas que a Beira Interior, e que têm bastante peso, pelo simples facto de terem autoridades regionais que os defendam. Acha que é Coimbra, ou Viseu, que vão olhar para pequenos concelhos, vilas como Fornos ou Almeida, e defender-nos? Eu tenho a certeza que não! Tenho a certeza que, como pequenos concelhos, vamos ser ignorados pelo poder regional, e mesmo as nossas capitais de distrito terão dificuldades em impor-se perante a força populacional e económica dos concelhos do Litoral.
Estamos numa situação demasiado grave para andar a fazer experiencias como a região "centro". Não nos podemos esquecer que, conforme está em lei, acabam os distritos e tudo o que lhes está associado: ficamos sem os Governos Civis, deixamos de ter deputados eleitos pelos nossos distritos, e passamos apenas a ser mais 300 mil habitantes dos cerca de 1,8 milhões de habitantes do "centro"! Seremos apenas cerca de 15% da população de uma região! Quem nos ouvirá? Se formos uma região da Beira Interior, a nossa região terá representantes junto do Governo tal como as outras, terá assento nos órgãos de soberania, terá uma palavra a dizer, como todas as outras! E isso faz toda a diferença. É de ter voz que precisamos, não de ser ainda mais abafados! É de ajuda que precisamos, não de sermos mais afundados! E isto não são bairrismos bacocos: é a realidade!

(continua)

 
At quinta out 08, 04:54:00 da tarde, Blogger Afonso Miguel said...

(continuação)

Se tempos houve em que a Guarda e Viseu eram cidades de Interior, com poder semelhante, e que a Guarda e Castelo Branco tinham algum poder reivindicativo enquanto sedes de grandes distritos, esse tempo já passou! Hoje, áreas regionais como a Serra da Estrela, onde se inclui Fornos, não têm hipótese de se afirmar e ter voz perante Viseu ou Coimbra, que, principalmente a primeira, evoluiu a olhos vistos nos últimos anos! Os concelhos do Interior têm, isso sim, de se juntar, para se fazerem ouvir e decidirem o seu futuro! Por exemplo: não é numa cidade onde não neva há décadas que se vai decidir o futuro das estâncias de esqui e do centro de limpeza de neve da Serra da Estrela!

Quanto a termos capitais em pequenas cidades ou vilas, isso era uma boa ideia, mas, sejamos realistas, é impraticável. Algum dia uma pessoa de Coimbra ou de Leiria aceitaria ter de ir a Oliveira do Hospital tratar de assuntos importantes? Se já há problemas para tirar de Coimbra para Aveiro uma sede de uma direcção regional, que seria se lhes propuséssemos isso! Além disso, não conheço, na realidade europeia, nenhum país onde isso aconteça. O que é realista, isso sim, é defender o Modelo Açoriano, perfeitamente aplicável ao Continente, de distribuição dos serviços regionais pelas acutais capitais de distrito. É nisso que temos que apostar, numa lógica de evitar novos centralismos.

Despeço-me apenas com um dado:

Sabe qual seria o peso em termos de população da sub-região da Serra da Estrela (Fornos, Gouveia e Seia) numa região "centro"?

A Serra da Estrela tem 47 904 hab. (INE, 2008); a região centro tem 1 792 739 hab. (INE, 2008).
Ou seja, a Serra da Estrela representaria apenas 2,67% da população.

E o peso da Serra da Estrela numa região da Beira Interior?

A Beira Interior tem 368 818 hab. (INE, 2008).
Ou seja, a Serra da Estrela já representaria 12,99% da população da Beira Interior.

Penso que estes dados revelam bem a diferença entre uma região onde ficaremos a perder, e seremos irremediavelmente deixados para segundo plano, e uma região onde todos seremos protagonistas, e cujo único objectivo será responder às necessidades de desenvolvimento que são comuns a todos.

Um bem-haja regionalista,
Afonso Miguel

 
At quinta out 08, 09:07:00 da tarde, Blogger Rui Farinas said...

Sabe caro Afonso Miguel,eu já era adepto da divisão das Beiras como preconizado nos seus textos, mas se não fosse acho que me renderia à sua brilhante argumentação! Um abraço.

 
At segunda out 12, 06:15:00 da tarde, Anonymous António said...

Eu pelo contrário vou deixar de ler este blogue. O ódio deste senhor à ideia de Região Centro/Beiras é por demais evidente. E acho que já sei porquê - ódio recalcado a Coimbra...veja-se o que escreveu mais acima! Não que eu pretenda defender as atitudes excessivamente centralistas/bairristas que por vezes se vêem por cá (e também nas outras cidades do Centro)

A minha visão é de uma reunião poli-nuclear, equilibrada, que seja uma verdadeira alternativa a Lisboa e ao Porto. Isso nenhum dos distritos isoladamente pode ser, nem sequer com as Beiras divididas.

Sou de Coimbra, e sinto-me Beirão, não apenas do litoral, mas também do interior. Isto porque Coimbra, como outras cidades do litoral do Centro, está PROFUNDAMENTE ligada ao interior. Seja pela Universidade. Seja pelo Hospital. Seja pela descendência (os meus pais são de Poiares, tal como eu a maior parte das pessoas de Coimbra tem parentes no interior da região), seja pelas vias de comunicação (rio Mondego, Estrada da Beira. Seja pela gastronomia - cabrito, bucho, enchidos, chanfana, negalhos, leitão, coisas que se comem um pouco por toda a região, às vezes com variações).

As CCDR não funcionam porque não têm poder. Sei disso por experiencia propria. Ao mesmo tempo, há quem trabalhe a região no seu todo, como sucesso, e com muito poucos apoios. Há muitos anos.

Apostar noutro modelo que não o das 5 regiões, que já tem uma base real no terreno, será uma perda de tempo e um fracasso anunciado.

Enfim. Já era tempo do Regiões oferecer um contraponto a este senhor, no qual não me revejo nem um ponto.

 
At segunda out 12, 06:18:00 da tarde, Anonymous Anónimo said...

Sabem qual é o outro problema fundamental da Região Centro? As vias de comunicação! Porque é se tem adiado constantemente a construção de um tunel na serra da Estrela, que colocaria a Covilhã a uma hora de Coimbra, e Castelo Branco a pouco menos? Como se admite que se demore menos de Castelo Branco a Lisboa do que de Coimbra a Castelo Branco? Isto quando tuneis e auto-estradas surgem como cogumelos noutras zonas do país.

 
At segunda out 12, 10:48:00 da tarde, Blogger Afonso Miguel said...

Caro antonio:

O senhor nao me conhece. E so mesmo quem nao me conhece e que pode dizer que eu tenho odio a Coimbra. Eu nem respondo a tal coisa, e tomo-a como um insulto. Antes de mais, digo-lhe que tenho familia em Coimbra, e adoro a cidade. Alias, acho impossivel que nao se goste de Coimbra, uma cidade que goza da simpatia generalizada dos portugueses. Nao e por acaso que lhe chamo "aquela que deve ser a terceira cidade do nosso país": se fosse outro, guiar-me ia por outro tipo de dados e diria que esse lugar pertence a Braga ou a Setubal. Se fosse outro, nao teria publicado um artigo sobre a Universidade de Coimbra como o fiz hoje, antes de ler o seu comentario.

Quanto ao que disse a seguir, ja contrapus esses argumentos muitissimas vezes, e, porem, ainda nao vi um unico argumento valido que apoiasse nada do que o senhor, e outros, dizem. No dia em que me derem razoes para seguir com o mapa das 5 regioes (que nao sejam o argumento falacioso do "já tem uma base real no terreno"), e responderem a questao que realmente interessa aos mais de 300 mil habitantes da Beira Interior, ou seja, qual seria o papel e o peso das regioes do interior numa hipotetica regiao centro, eu analisarei os argumentos. Na falta deles, cada vez mais acho que as 7 regioes sao a melhor opçao.

Quanto ao facto de pedir ao Regioes que ofereça um contraponto a minha opiniao, digo-lhe antes de mais que esse contraponto existe. O blogue tem 8 autores, dos quais 1 coordenador, oriundos de varias zonas do pais, sendo que uns defendem as 5 regioes e outros defendem as 7 regioes, e, penso eu, estamos todos abertos ao dialogo. Digo-lhe mais: se a Beira Litoral e das poucas regioes que nao tem colaboradores no blogue, nao e por culpa de nenhum editor nem do seu coordenador, ja que, na altura em que a minha participaçao se iniciou aqui, foi por convite do Antonio Felizes, que procurava colaboradores de diversas areas regionais, para contribuir com artigos de jornais locais e regionais, e com artigos de opiniao proprios, para dar ao blogue uma cobertura nacional, que hoje, cada vez mais, temos. Na altura eu disponibilizei-me para essa funçao pela Beira Interior, e tenho feito essa recolha com o maior prazer: tem sido uma experiencia optima constatar opinioes e aprender mais sobre a minha regiao, desde Barca d'Alva ate Vila de Rei. Posteriormente, o Luis Seixas passou a representar o Alentejo. Alias, a este proposito, deixo aqui os parabens a Antonio Felizes pela abertura democratica que manifesta perante as opinioes de todos, sabendo que todos buscamos um ideal comum: a regionalizaçao de Portugal Continental. Mas, voltando atras, curiosamente, nao apareceu ninguem da Beira Litoral.

Quanto ao contraponto, deixo-lhe uma proposta: se quiser escrever um texto (que nao refira pessoas, nem ataque ninguem do proprio blogue), onde exponha de forma clara os seus argumentos, eu publica-lo-ei com todo o gosto no blogue. Nao tenho problemas nenhuns em faze-lo.

Peço desculpa pela falta de acentuaçao nas palavras; tal deve-se a problemas informaticos relacionados com o computador no qual estou a escrever.

Esperando resposta,
Saudaçoes cordiais,
Afonso Miguel

 
At terça out 13, 10:54:00 da manhã, Anonymous Anónimo said...

Portugal continental não tem espaço nem população para mais de três regiões.
No entanto, por razões, tal, tal e tal, o Alentejo e o Algarve, têm todo o direito a querer ser Região.
Assim, o projecto das cinco (5) Regiões é o mais indicado.
E só lá vão se apresentarem este projecto e conseguirem apoio partidário.
Caso contrário...

 
At terça out 13, 02:14:00 da tarde, Blogger Afonso Miguel said...

Caro Anomimo:

"Portugal continental não tem espaço nem população para mais de três regiões. "

Quanto a isto, pela enesima vez, apresento exemplos concretos, em paises com dimensoes relativamente parecidas com Portugal:

*Rep. Checa (cerca de 10 000 000 habitantes):
13 regioes;

*Holanda (cerca de 16 000 000 habitantes):
12 regioes;

*Austria (cerca de 8 000 000 habitantes):
9 estados;

Aqui apresento apenas alguns exemplos.
Porque e que em Portugal usamos argumentos que so aqui existem, como "Portugal continental não tem espaço nem população para mais de três regiões", se nos outros paises da Europa com a nossa dimensao, sempre foi privilegiada a tradiçao e a identidade regional, em deterimento da visao administrativista (regua e esquadro)?

*Portugal (cerca de 10 000 000 habitantes):
7 regioes + 2 insulares

Sera muito pedir isto para Portugal?

(Ou sera que a regionalizaçao se decide "por razões, tal, tal e tal"?)

Mais uma vez peço desculpa pela falta de acentuaçao nas palavras

 

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