sábado, janeiro 16, 2010

Trás-os-Montes - Causas do Despovoamento


Os meios de atracção estrangeiros, face ao despovoamento de
Trás-os-Montes e de Valpaços


Não há somente factores de incapacidade interna, que provocam o despovoamento, mas também, paralelamente, existem políticas bem estruturadas, nos países estrangeiros de acolhimento, para aí fixar os nossos emigrantes, de forma definitiva.

Numa breve retrospectiva, a partir dos anos 60 do passado século, primeiro “a salto”, e depois de modo legal, grande parte da população em idade adulta, emigrou, sobretudo, para a Europa (França, Alemanha, Luxemburgo, Suíça, etc.)

Desta época heróica, da emigração clandestina, conhece-se em Valpaços, como em todo o Trás-os-Montes, dramáticas “ histórias de sofrimento e de custosas passagem de fronteiras “ que dariam livros de memórias fantásticos.

Alguns desses países tinham saído há poucos anos da 2ª Guerra Mundial e tinham ficado com pouca população jovem, provocado pela perda dos milhares de soldados, que morreram nas linhas de combate.

Em Portugal devido a uma política astutamente doseada, de colaboração com as 2 facções em confronto (Aliados e Alemanha nazi), Salazar evitou que os portugueses fossem atingidos pela guerra, embora à custa de grandes sacrifícios alimentares, e mesmo fome, segundo se diz, por parte da população mais pobre.

Daqui resultou que acabada a Guerra, enquanto Portugal, tinha muita gente nova, mas muita pobreza, a Europa Ocidental, renascia da Guerra através do plano Marshall, mas faltava-lhe a mão-de-obra jovem, que tinha morrido em combate.

Portanto a emigração surgiu, como um reequilibrar dos pratos da balança, aliviando a pressão de população excedente em Portugal, para a redistribuir, pelos países europeus, ricos, mas carentes de mão de obra, não qualificada, para os trabalhos de reconstrução nacional.

Como diz o ditado, juntou-se a fome á vontade de comer, e nada conseguiu travar a população portuguesa de procurar melhores condições de vida nos países ricos da Europa.

Primeiro emigrando os cabeças de casal, essencialmente homens dos meios rurais, que viviam primeiramente em condições extremas de subsistência, nos chamados \" bidonvilles\".

Gradualmente as condições de vida melhoraram e começaram a chamar as famílias, passando a viver em melhores habitações e melhorando o seu nível de vida.

Os filhos foram-se integrando e frequentando o Ensino na sociedade francesa, daí sucedendo uma identificação cada vez maior com os países de acolhimento, a que se acrescentou uma maior fusão de costumes e culturas, com casamentos entre a população portuguesa e a população desses países, sendo hoje a segunda e terceira geração de origem emigrante, como franceses de pleno direito.

Com mais raízes nesses países do que em Portugal, com melhores condições de acesso á saúde e a empregos, do que em Portugal, as novas gerações, esquecem cada vez mais os países de origem dos seus pais e adaptam-se e ganham raízes, nesse países ricos que os acolheram.

Como aí se fixam os filhos e os netos, os emigrantes da primeira geração, agora já avós, embora com saudades da sua terra natal e de Portugal, vão gradualmente optando por ficar nesses países de acolhimento, junto dos seus familiares mais novos, que ai residem, trabalham e estão integrados.

A deslocalização destas enormes quantidades de famílias portuguesas, para fora de Trás-os-Montes, muitas delas, de forma definitiva, são também uma das causas do despovoamento transmontano, uma vez que Portugal não lhe criou as condições de emprego e bem-estar semelhantes às condições de bem estar, que eles têm nos países estrangeiros.

Uma politica inteligente de integração dos emigrantes portugueses, nesses países europeus, proporcionando-lhe melhor Saúde, facilidades no acesso a habitação própria, mais segurança em empregos. Agora qualificados, origina, que Portugal e Trás-os-Montes em particular sejam vistos, como lugares despovoados, desertificados e sem futuro…

Já existe hoje uma tendência gradual, para os emigrantes venderem as suas casa em Portugal, e construírem habitação própria, nos países europeus onde trabalham, como se pode detectar, a titulo de exemplo no concelho de Valpaços, neste fim de ano de 2009, onde as placas de “ vende-se” são em grande número, daqui resultando uma grande crise, no sector imobiliário.

Daqui resulta, que se cava cada vez um major abisma, entre o Trás--os-Montes pobre e isolado e os países industrializados, num tremendo ciclo vicioso, que cada vez aprofunda mais essas diferenças.

Voltando sempre á raiz do problema, enquanto não se optar, (se ainda formos a tempo?) por fazer uma regionalização eficaz e criar uma região própria de Trás os Montes, que face aos seus fracos índices económicos, aqui concentre efectivamente uma grande parte dos fundos estruturais da União Europeia, e se crie riqueza e trabalho, jamais passaremos da cepa torta.

Oxalá os políticos, neste novo ano auspicioso de 2010, façam avanços frutuosos, nestes domínios, e se consolide um adequado projecto de regionalização.

|José Mourão|

3 Opiniões

At sábado jan 16, 05:42:00 da tarde, Anonymous Anónimo said...

O território de Portugal em termos de povoamento está hoje confinado a uma estreita faixa litoral.

O país já não era muito grande mas agora é muito mais pequeno.

 
At domingo jan 17, 12:39:00 da manhã, Anonymous ravara said...

"Levou com o sacho na cabeça" Quantas mortas não terão ocorrido por essa via, do lado de cá da fronteira, e porque não ocorre do lado de lá?. Franco ordenou o emparcelamento, quando não ia a bem ia a mal, mas no interesse da economia espanhola hoje a quinta mais pujante da Europa e aquela com maior potencial de crescimento. Mas Salazar não lhe interessava o bem estar dos portugueses, visava simplesmente o poder, e para tanto existe um método infalível; dividir para reinar, os bens e as pessoas. O nosso minifíndio é um aborto económico, o homem mata-se a trabalhar e morreria à fome sem o apoio da comunidade. A gente jovem não pega e muito bem nisso, e o resulatado está à vista, campos ao abandono. Mas para os grandes importadores dos bens alimentares, está muito bem assim, e até classificam as pessoas que abordam o assunto desta maneira de agitadores comunistas, e há quem acredite neles e não no que eu escrevo. E os políticos? Esses fazem o que o que for do interesse desses senhores ou ficam por sua conta e risco e um futuro armadilhado.

 
At domingo jan 17, 07:00:00 da tarde, Anonymous Anónimo said...

Caros Regionalistas,
Caros Centralistas,
Caros Municipalistas,

Conheço como poucos toda a Região de Trás-os-Montes e Alto Douro. Serei ainda dos muito poucos que conhece toda a vertente leste da Serra do Marão a partir de acessos situados perto de Santa Marta de Penagião. Serei ainda dos que não consegue formular a ideia que esta região de porte vertical tem recursos humanos, materiais e naturaispouco capazes de lhe devolver condições mais efectivas e duradouras de desenvolvimento. Para estas condições reais de desenvolvimento só é necessário que dirigentes que conheçam as suas potencialidades sejam eleitos, nomeados e responsabilizados pela implementação de políticas próprias a esse desígnio regional, parando de vez com o alinhamento de queixas e lamentações legítimas de séculos.
Por isso, a única solução baseia-se na implementação de Regiões Autónomas.

Sem mais nem menos.

Anónimo pró-7RA. (sempre com ponto final)

PS - No 1º. trimestre deste novo ano tenho programada uma viagem de comboio até Paris, noSud-Express. Não será uma viagem nas exactas ondições de há 40 ou 50 anos, mas será bastante próxima no trajecto peninsular que francês, para me aperceber do ambiente que caracterizou as viagens derivadas de uma "política de transporte" (emigração que sempre o tubo de escape das políticas sociais e económicas deos nossos anteriores governos. E não pensem que parou, está mais florescente que nunca, embora com características e intervenientes qualitativamente diferentes; como costumo escrever, "os fenómenos são recorrentes em circunstâncias diferentes".

 

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