segunda-feira, abril 05, 2010

Medidas centralistas = unidade nacional fragilizada

Valença: bandeiras espanholas em casas e estabelecimentos comerciais em protesto contra fecho das Urgências

Viana do Castelo, 05 abr (Lusa) - A população de Valença começou hoje a colocar bandeiras espanholas nas casas e estabelecimentos comerciais do concelho, naquela que é mais uma forma de protesto contra o encerramento das "Urgências" do Centro de Saúde local.

O porta-voz da Comissão de Utentes do Centro de Saúde, Carlos Natal, disse à Lusa que, até ao momento, já foram colocadas "dezenas" de bandeiras espanholas, sobretudo no interior da Fortaleza.

"Esta é uma forma de protesto pelo fecho das Urgências, mas também um gesto simbólico de agradecimento ao alcaide de Tui, na Galiza, Espanha, pela total disponibilidade que demonstrou para os nossos doentes irem às urgências no centro de saúde local", referiu.

LUSA


Comentário:

Esta é, mais uma vez, a prova provada de que é o centralismo quem ataca fortemente a unidade nacional e não a regionalização. Com um Portugal centralizado, que se esquece constantemente de tantos portugueses por esse país fora que chega ao cúmulo de os mandar ir a Espanha para que tenham acesso a serviços básicos como os cuidados de saúde, não admira que os raianos cada vez mais se virem para o país vizinho.

Já há algum tempo atrás, em Trás-os-Montes e Alto Douro ocorreu uma situação semelhante, com a colocação de uma placa no IP4 dizendo que ali acabava Portugal e a próxima paragem era em Espanha, a umas dezenas de quilómetros dali.

São sinais que não se podem ignorar. Milhares de Portugueses sentem-se maltratados e esquecidos há tempo demais pelo seu país, e estão a ficar compreensivelmente fartos. A Espanha autonomizada, por seu lado, tem capacidade não só para satisfazer as necessidades dos seus, mas também para abrir as portas aos Portugueses.

É esta a diferença entre um país centralizado e um país regionalizado. Entre um país onde parece haver Portugueses de primeira e de segunda, e um país onde todos são espanhóis por igual.

Não posso deixar de desabafar: como seria melhor um Portugal regionalizado!


Afonso Miguel

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5 Opiniões

At segunda abr 05, 09:50:00 da tarde, Anonymous Anónimo said...

Nao ameacem!... Passem-se para espanha!
E chamam de mouros aos sulistas?!
Vergonha sim e' o que faz falta.
Mouro e orgulhoso

 
At segunda abr 05, 10:42:00 da tarde, Anonymous Paulo Rocha said...

Concordo que este e outros governos têm e tiveram muita falta de visão estratégica relativamente ao despovoamento do interior do país e orientaram a sua actuação política e administrativa numa lógica de puro centralismo democrático.

Já quanto a esta situação de Valença e do encerramento das suas urgências entre a meia-noite e as 8 horas da manhã não partilho da opinião do autor do 'post'. Não podemos ter todos um hospital ao pé da porta e pedir-se à população que, durante estas horas da madrugada, se desloque alguns KMs (16) não é pedir muito já que em troca se lhes oferece um serviço muito mais habilitado em meios humanos e técnicos e por isso com muito mais qualidade.

Eu que moro em S. Pedro da Cova (Gondomar) faço os mesmos Kms se tiver que me deslocar às urgências nocturnas no Hospital de Santo António ... e o concelho de Gondomar tem 180.000 habitantes ou seja 10 vezes mais gente que Valença!

 
At terça abr 06, 07:39:00 da tarde, Blogger templario said...

É vergonhoso, inadmissível, que os líderes desse movimento apelem à utilização da bandeira de Espanha na luta que estão a travar. Não conheço a realidade no terreno, mas estes cabecilhas deviam levar uma carga de porrada das antigas.

Resido no concelho de Sintra, com 400.000 habitantes, numa localidade a 40 kms. de Lisboa e a cerca de 30 kms do Hospital da Amadora, e para certo tipo de urgências é para os hospitais de Santa Maria, S. José, etc. que têm que se dirigir. Chegar lá demora o seu tempo. Custa-me entender certas reações a medidas que visam melhorar a garantia dos serviços de saúde. Tenho para mim que há manipulação desonesta neste movimento, como houve em tantos outros tempos atrás.

Lamentável é a manipulação que está a ser feita, nomeadamente, pelos regionalistas, destes movimentos liderados por caciques do piorio

Em muitos casos são interesses de alguns grupos que estão a provocar esta vergonha, grupos que vivem à custa do OE

Mas estes exemplos mostram-nos o que a regionalização faria de Portugal. Do que seriam capazes certos caciques e demagogos se se apanhassem um dia no poder de uma região legitimada pelo voto direto. Das traições que seriam capazes de cometer...

Merecem o mais vivo desprezo.

 
At sexta abr 09, 02:02:00 da tarde, Blogger Afonso Miguel said...

Caros Paulo Rocha e templario:

Com todo o respeito,a comparação que fazem são completamente desfasadas.

Vejamos as três situações:

*Uma pessoa que se encontre em S. Pedro da Cova, se necessitar de recorrer a um serviço de urgências médicas à noite, é efectivamente obrigada a dirigir-se ao Hospital de Santo António.
Com as acessibilidades existentes, que incluem uma auto-estrada (IC29/A43), chegam à urgência em cerca de 20 minutos.

Se por acaso o utente necessitar de cuidados médicos mais aprofundados, eles são-lhe prestados no mesmo local, ou seja, no Hospital de Santo António, que possui um Serviço de Urgência Polivalente (o serviço mais completo e funcional que se pode encontrar na hierarquia dos Serviços de Urgência em Portugal).

*Uma pessoa que se encontre em Sintra e necessite de recorrer a um serviço de urgências médicas, deslocar-se-à ao Serviço de Urgência Básica de Sintra, localizado em Algueirão-Mem Martins, que está a uma distância de cerca de 8,5 km, que são facilmente percorridos por auto-estrada em 14 minutos.

Se o utente necessitar de cuidados médicos mais aprofundados, será encaminhado para o Serviço de Urgência Médico-Cirúrgica do Hospital Fernando da Fonseca, vulgo Hospital Amadora-Sintra. Mais 10 km (cerca de 11 minutos), percorridos por auto-estrada.

Se o doente necessitar de cuidados de saúde altamente especializados (por exemplo, se necessitar de uma Cirurgia Plástica ou Reconstrutiva), aí sim, terá de recorrer ao Hospital S. Francisco Xavier ou ao Hospital Egas Moniz, onde se localiza o Serviço de Urgência Polivalente.

São mais 7 kms, que em tempo não corresponderão a mais do que 11 minutos.

* De sublinhar que, quer no caso de S. Pedro da Cova, quer no caso de Sintra, o doente efectuará o percurso no sentido ascendente, ou seja, o hospital com Serviço de Urgência Básica fica a caminho do hospital com Serviço de Urgência Médico-Cirúrgica, que fica a caminho do hospital com Serviço de Urgência Polivalente.

*Já uma pessoa que se encontre em Valença, se necessitar de recorrer a um Serviço de Urgências, terá de se deslocar a Monção. São 17 kms, não há auto-estrada e a N101 não permite velocidades muito elevadas, o que faz com que o percurso leve cerca de 20 minutos a ser efectuado.

Se o utente necessitar de cuidados médicos mais especializados, será encaminhado para o Serviço de Urgência Médico-Cirúrgica do Hospital de Viana do Castelo.
São mais 68 kms, que levam mais 1h15 a percorrer, com direito a nova passagem (turística?) por Valença.

Se o doente necessitar de cuidados ainda mais especializados, não lhe restará outra alternativa que não ser transportado ao Serviço de Urgência Polivalente do Hospital de São Marcos, em Braga. Mais 62 kms, que levam cerca de 43 minutos a ser percorridos.

(continua)

 
At sexta abr 09, 02:03:00 da tarde, Blogger Afonso Miguel said...

(continuação):

Os 3 casos, em resumo:

A partir de Sintra:
URGÊNCIA BÁSICA: 8,5 km (14 min.)
URGÊNCIA MÉDICO-CIRÚRGICA: mais 10 km (11 min.)
URGÊNCIA POLIVALENTE: mais 7 km (11 min.)

A partir de S. Pedro da Cova:
URGÊNCIA BÁSICA: 16 km (21 min.)
URGÊNCIA MÉDICO-CIRÚRGICA: no mesmo local
URGÊNCIA POLIVALENTE: no mesmo local

A partir de Valença:
URGÊNCIA BÁSICA: 17 km (20 min.)
URGÊNCIA MÉDICO-CIRÚRGICA: mais 68 kms (1h15)
URGÊNCIA POLIVALENTE: mais 62 kms (43 min.)



Em resumo, um valenciano gasta pelo menos 2h18 minutos em viagens para aceder a um serviço de urgência com a qualidade do que um sintrense ou um gondomarense tem a poucos minutos de casa.

Como se isto não bastasse, enquanto um sintrense ou um gondomarense faz o percurso de forma directa (os serviços de urgência ficam a caminho uns dos outros), um valenciano é obrigado a fazer um percurso ziguezagueante: de Valença vai para Monção, de Monção vai para Viana do Castelo (com direito a voltar a Valença pelo caminho- são 34 kms para nada), de Viana do Castelo vai para Braga.

Experimentem olhar para o mapa e visualizar os percursos.

Posto isto, ainda acham que os valencianos estão fazer birra? Que a luta deles não tem sentido?

Tui, do outro lado do rio Minho, tem população semelhante a Valença, em número, e as suas urgências não só se mantêm abertas durante a noite como as infra-estruturas estão a ser melhoradas. Tudo isto obra da Junta Regional da Galiza- os encerramentos são obra do Governo central de Portugal.
A acrescer a isto há ainda o facto de os serviços na Galiza serem GRATUITOS enquanto os serviços em Portugal são PAGOS.

E ainda para mais os Galegos abriram as portas dos seus serviços de saúde aos Portugueses, quando os de cá foram traídos pelo fecho de serviços obrado pelo Governo Central.

Uma das razões que os Valencianos apontam para colocar bandeiras espanholas nas varandas de suas casas é o agradecimento por esta atitude. A quem acham que os Valencianos têm mais que agradecer? A Portugal, que recebe o dinheiro dos seus impostos, sobrecarrega-os de taxas pelos serviços de saúde e ainda os fecha? Ou a Espanha, que recebe os doentes gratuitamente?

Dá que pensar...

 

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